Recorde as incidências da partida
Rui Borges chegou ao Sporting a 26 de dezembro de 2024, em substituição de João Pereira, que, por sua vez, havia rendido Rúben Amorim no comando técnico dos leões. Três dias depois, venceu o eterno rival Benfica (1-0), em Alvalade, naquele que viria a ser o primeiro de 50 triunfos de um reinado que soma 73 jogos.
Um ano, dois meses e 25 dias após o arranque desta nova era, os números ajudam a dissipar as dúvidas de quem questionou se o treinador natural de Mirandela teria o pedigree necessário para abraçar um desafio de grande envergadura. Mais do que um registo redondo, refletem um ciclo marcado pela consistência, identidade e impacto real no rendimento da equipa.

Máquina goleadora
Na história de Rui Borges no Sporting há, desde logo, um dado que salta à vista: mais de 70% de vitórias. Num clube onde a exigência é permanente e onde o histórico das últimas décadas nem sempre foi linear, este nível de eficácia coloca o treinador de 44 anos num patamar de elite dentro da realidade leonina. Não é apenas ganhar, é ganhar muito e com regularidade.
Mas a análise não se esgota nos resultados. Há um claro ADN ofensivo nesta equipa com a marca de Rui Borges. Os 166 golos apontados em 73 jogos ao leme do conjunto de Alvalade, com uma média superior a dois por encontro (2,27), revelam um Sporting dominante, confortável com bola e capaz de ferir em diferentes momentos do jogo.

Se dúvidas existiam sobre o impacto da saída de um goleador da dimensão de Viktor Gyökeres, a resposta surgiu dentro de campo. Luis Suárez assumiu protagonismo e a evolução de uma época para a outra reforça a ideia de que nada se perde, tudo se transforma: de 1,97 para 2,48 golos por jogo, um salto significativo que espelha o crescimento coletivo.
Curiosamente, esse crescimento ofensivo não compromete a estabilidade defensiva. A média de golos sofridos mantém-se praticamente inalterada (0,89), o que revela equilíbrio, algo essencial para equipas que lutam por títulos. É aqui que se começa a perceber o ADN de Rui Borges: uma equipa que arrisca, mas que não se desorganiza.

Francisco Trincão é o fiel amigo de Rui Borges
Do ponto de vista tático, o Sporting sofreu uma metamorfose ao longo do último ano. O padrão enraizado pela passagem de Rúben Amorim foi sendo abandonado de forma gradual, dando lugar a uma nova ideia: o 4-2-3-1. Um modelo que tem sido bem assimilado e interpretado pelos jogadores leoninos.
Francisco Trincão, o jogador mais utilizado da era Rui Borges (71 jogos) e também o principal assistente (25), simboliza na perfeição essa dinâmica ofensiva, enquanto Luis Suárez, com 33 golos, materializa a eficácia no último terço. À volta destes dois elementos, há uma espinha dorsal bem definida e um conjunto de jogadores claramente potenciados.

Outro ponto-chave está na consistência competitiva. Um máximo de 18 jogos sem perder e uma série de 11 vitórias consecutivas são indicadores de uma equipa mentalmente forte e capaz de feitos de grande dimensão, como ficou evidente na remontada épica frente ao Bodø/Glimt, nos oitavos de final da Liga dos Campeões.
Ainda mais impressionante é o registo fora de portas: Rui Borges nunca perdeu, ao leme do Sporting, na condição de visitante para o campeonato. São 23 jogos sem perder fora, igualando um dos melhores ciclos da história do clube, até então pertencente a Paulo Bento.

Por fim, há o peso histórico. Rui Borges já inscreveu o seu nome na história do Sporting, sustentado por feitos como a dobradinha conquistada em 2024/25, a menor percentagem de derrotas desde 1984/85 e a igualdade da melhor campanha do clube na Liga dos Campeões. Não são meros detalhes, são sinais claros de que este ciclo já deixou marca.
Fé (ainda) no título
Em suma, estas 50 vitórias não são apenas um número redondo. São o reflexo de um Sporting mais maduro, mais eficaz e com uma identidade bem definida, ainda assim insuficiente, nesta fase, para ocupar o primeiro lugar do campeonato.
Só um FC Porto extremamente competente tem impedido os leões de ascender à liderança, mantendo-os na segunda posição. Ainda assim, em Alvalade persiste a crença de que é possível chegar ao tão desejado primeiro lugar, sendo que esta pausa internacional surge como uma oportunidade para recarregar energias e preparar o ataque às sete finais que restam na Liga, num esforço que será repartido por outras duas competições.

É que este Sporting de Rui Borges entra na reta final de março ainda em prova nos quartos de final da Liga dos Campeões e nas meias-finais da Taça de Portugal. Um trabalho claramente positivo, que tem vindo a validar a aposta da estrutura diretiva leonina no treinador de Mirandela, já em negociações para a renovação de um vínculo atualmente válido até junho do próximo ano.
