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Arbitragem, jogadores, clubes rivais, direção dos encarnados e o antecessor Bruno Lage, quase ninguém fugiu às habituais fúrias de Mourinho, sobretudo quando o Benfica falhava uma vitória.
O técnico levou o emblema da Luz apenas à terceira temporada de toda a sua história sem derrotas na Liga Portugal, mas volta a abandonar a Luz sem qualquer título conquistado ou presença assegurada na Liga dos Campeões, tal como já tinha acontecido na breve passagem em 2000.
Mourinho aterrou na Luz para render Bruno Lage e logo ao segundo jogo, após um empate caseiro com o Rio Ave (1-1), lançou-se à arbitragem e ao VAR.
“O protagonista do jogo acabou por ser o senhor que estava na Cidade do Futebol ao chamar o árbitro para ver aquilo que vimos e, depois, o árbitro não teve personalidade, que normalmente não têm”, disse o treinador, queixando-se de um golo mal anulado às águias.
Numa época em que muito cedo ficou arredado da luta pelo título, as queixas da arbitragem foram contínuas em toda a temporada. E mesmo vencendo, como aconteceu por 2-1 em Barcelos, contra o Gil Vicente, Mourinho nunca deixou escapar os alegados erros do árbitro.
“Temos um número significativo de penáltis, mas hoje devia ter sido mais um, como deviam ter sido mais ao longo da época que não foram assinalados. O lance que antecede o nosso primeiro golo é penálti claro. Aceito que o árbitro não tenha visto, mas o VAR devia estar a beber um cafézinho naquela altura”, ironizou.
Contudo, neste caso, horas depois, Mourinho acabou por pedir desculpa e assumiu que o árbitro tomou a decisão correta.
“Da arbitragem não quero falar. Acho que já não vale a pena. Falta um jogo para acabar. Pior do que temos tido é impossível e não me quero alongar”, disse antes do último jogo da temporada, que terminou com um triunfo sobre o Estoril Praia (3-1).
O denominado Special One queixou-se também muitas vezes da construção do plantel, criticando as opções de Bruno Lage e da estrutura do Benfica, foi deixando muitos recados aos jogadores, o mais ríspido após um empate (1-1) no terreno do Casa Pia, que praticamente confirmou o adeus dos encarnados ao título.
“Neste momento, tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores, mas há valores mais altos que se levantam, são ativos”, atirou Mourinho, com a imprensa desportiva a apontar Enzo Barrenechea, Sudakov, Lukebakio e Rafa Silva como os alvos do técnico.
Ainda na fase inicial, Andreas Schjelderup foi o primeiro alvo do português, mas o extremo norueguês acabou a temporada como o jogador em melhor forma da equipa lisboeta, sendo um dos poucos que evoluiu durante o exercício de 2025/26.
Mourinho também saiu em defesa do argentino Gianluca Prestianni no alegado caso de ofensas racistas ao brasileiro Vinícius Júnior, no duelo com o Real Madrid, na Liga dos Campeões, situação muita criticada cá dentro e lá fora, com muitos jogadores, treinadores e comentadores a condenarem a sua postura.
Na Champions, a derrota caseira com o Qarabag (2-3), ainda com Bruno Lage, e as opções tomadas pelo anterior técnico foram sempre os argumentos usados por Mourinho para justificar a difícil campanha na prova milionária, mas que, mesmo assim, resultou no apuramento para o play-off de acesso aos oitavos de final, graças um golo milagroso do guarda-redes ucraniano Trubin diante dos merengues.
Quase sempre, Mourinho defendeu publicamente o presidente Rui Costa, mas foi deixando farpas à estrutura encarnada, sobretudo à política de contratações, mas também à alegada perda de influência na Federação Portuguesa de Futebol, na Liga de clubes e também na arbitragem.
“O Seixal está preparado para títulos, mas isso não chega”, concluiu Mourinho, na sua última conferência de imprensa como técnico do Benfica.
