Os gigantes caem: Bodo/Glimt prossegue ascensão notável com triunfo frente ao Inter

Nikita Haikin e Odin Bjortuft, do Bodo/Glimt, celebram após o jogo
Nikita Haikin e Odin Bjortuft, do Bodo/Glimt, celebram após o jogoREUTERS/Claudia Greco

O Bodo/Glimt continua a surpreender na Liga dos Campeões, depois de eliminar o colosso europeu Inter de Milão, escrevendo assim mais um capítulo extraordinário na ascensão deste pequeno clube do norte do Círculo Polar Ártico.

A equipa de Kjetil Knutsen garantiu um lugar nos oitavos de final da maior competição de clubes do mundo, ao somar duas vitórias frente aos finalistas vencidos da época passada – um triunfo por 5-2 no conjunto das duas mãos que representa o maior feito da sua história.

"É uma noite incrível para o clube, para os jogadores, para a cidade e também para o futebol norueguês. Não estamos a falar de golos, estamos a falar de como atuar e de como podemos evoluir os jogadores e a equipa. Agora penso que isso é fundamental. Temos a nossa forma de o fazer e isso é mesmo importante", afirmou Knutsen, que lidera o Bodo/Glimt desde 2018.

O triunfo de terça-feira foi a quarta vitória consecutiva na Liga dos Campeões, com Manchester City e Atlético de Madrid também a caírem nas duas últimas jornadas da fase principal, o que permitiu ao Bodo/Glimt garantir um lugar nos play-offs de acesso à fase a eliminar.

O Bodo/Glimt só subiu à principal divisão norueguesa - competição dominada durante três décadas pelo Rosenborg de Trondheim -, em 2017, mas desde então já conquistou o título nacional em quatro das últimas seis épocas.

Desde então, tem vindo a subir gradualmente tanto no panorama nacional como europeu, tendo-se tornado, na época passada, a primeira equipa norueguesa a disputar as meias-finais de uma grande competição europeia, ao chegar ao top-4 da Liga Europa.

Antes desta temporada, o melhor resultado tinha sido eliminar a Lazio nos penáltis nos quartos de final da Liga Europa, antes de ser afastado pelo Tottenham. Agora, porém, a equipa sem estrelas e com um orçamento reduzido atingiu um novo patamar, com Manchester City ou Sporting à espera no próximo mês.

"Olhar para a frente"

O Bodo/Glimt era anteriormente visto como um adversário complicado devido ao seu relvado sintético e às condições frequentemente gélidas no seu Estádio Aspmyra, com capacidade para 8.200 adeptos. No entanto, passou a exibir também grande solidez fora de casa, com uma exibição defensiva segura na terça-feira a permitir que Jens Petter Hauge e Hakon Evjen desferissem dois golpes fatais.

"Eu olho sempre para a frente, é assim que pensamos. Para mim, a história não tem tanta importância," acrescentou Knutsen.

Foi um duro despertar para o Inter, tricampeão europeu, cujo estatuto e orçamento são incomparavelmente superiores aos dos noruegueses e que é o grande favorito à conquista da Serie A esta época.

Uma goleada sofrida frente ao Paris Saint-Germain pode ter marcado negativamente a última campanha europeia, mas o Inter chegou à final depois de eliminar Bayern Munique e Barcelona em duelos épicos a eliminar. O Inter foi claramente superior na primeira parte, mas quando Hauge aproveitou uma oferta inexplicável de Manuel Akanji à entrada da área, os italianos já não conseguiram recuperar.

"Sabemos que a Liga dos Campeões é muito competitiva, se uma equipa chega a esta fase da competição é porque está a apresentar argumentos. Mostraram-no em Dortmund, Madrid, frente ao City e duas vezes contra nós", afirmou o treinador do Inter, Cristian Chivu.

A derrota frente ao Bodo/Glimt também tem um significado simbólico, depois de a Noruega ter afastado a Itália por duas vezes na qualificação para o Mundial.

A Itália arrisca-se a não ter qualquer equipa nos oitavos de final, com Juventus e Atalanta a perder com Galatasaray e Borussia Dortmund, mais um duro golpe para a reputação de uma das grandes nações do futebol europeu, que atravessa agora um período difícil.