Raffaele Palladino: "O Bayern pratica outro desporto, o futebol italiano está atrás da Europa"

Raffaele Palladino, treinador da Atalanta
Raffaele Palladino, treinador da AtalantaREUTERS/Michaela Stache

"Tentámos dar tudo, queríamos ir até aos nossos adeptos no final do jogo e voltaram a ser fantásticos. Agradeço-lhes", afirmou o treinador da Atalanta, após a eliminação da Liga dos Campeões às mãos dos bávaros.

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O técnico da Atalanta, Raffaele Palladino, falou à Sky Sport depois da derrota por 4-1 frente ao Bayern Munique, que fixou o resultado total em 10-2 entre os dois jogos.

"Queríamos disputar um jogo com muito orgulho. Alterámos o plano de jogo, jogámos um pouco mais recuados, tentando disputar o jogo de igual para igual contra uma equipa fortíssima", afirmou Raffaele Palladino.

"Dou-lhes sinceramente os parabéns, enfrentámos provavelmente a equipa mais forte do relvado e aceitamos o resultado com honestidade e humildade. Tentámos dar tudo, queríamos ir até aos nossos adeptos no final do jogo e voltaram a ser fantásticos. Agradeço-lhes", acrescentou.

Questionado sobre as escolhas no primeiro jogo, respondeu: "Com os 'ses' e os 'mas' é fácil falar... Provavelmente podíamos ter feito algo diferente, mas é difícil dizer. Hoje fizemos algo diferente, mas o resultado não mudou: esta é uma equipa forte e completa, sabe fazer tudo, não importa como a enfrentes, vai sempre criar dificuldades. Para competir é preciso elevar o nível, nós, repito, aceitamos tudo com humildade e parabéns aos adversários".

Sobre como recomeçar em Itália, disse: "Para nós, a Taça de Itália é um objetivo e valorizamo-la, queremos levá-la para Bérgamo. Depois teremos confrontos diretos no campeonato, teremos de conseguir uma série de vitórias, sabemos que partimos de uma posição desfavorável e fizemos uma bela escalada. Acreditamos e queremos dar tudo até ao fim".

Depois, uma análise dura ao estado do futebol italiano: "Estamos atrás. Estamos atrás porque a bola circula a uma velocidade incrível, passam-na sempre para o pé certo, têm desmarcações rápidas, motores diferentes com picos muito altos. Haveria muito a dizer, mas em termos qualitativos estamos atrás. Depois há também muitos aspetos positivos, penso por exemplo no Borussia Dortmund".

Palladino terminou de forma melancólica: "Com o Bayern, no entanto, há uma diferença, acredito que é preciso melhorar isto começando pelos escalões de formação, onde se deve trabalhar mais a técnica, porque contra estas equipas parece outro desporto. São necessárias reflexões profundas sobre o nosso futebol, todos temos de evoluir nestes aspetos porque o futebol italiano beneficiaria disso".