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Reportagem: Como o PSG abre caminho dos profissionais através da Youth League

Cabaye e a Taça Gambardella
Cabaye e a Taça GambardellaBaptiste Autissier / PsnewZ / Bestimage / Profimedia

Entre a equipa principal e a formação, o PSG nunca esteve tão ligado. Graças à sua equipa de sub-23 e à Youth League, que se tornou muito mais do que uma competição, o método do clube começa a dar frutos. Yohan Cabaye explica tudo e a Flashscore faz o ponto da situação.

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No Paris Saint-Germain, a Youth League não é encarada como um simples troféu para conquistar, embora vencê-la pela primeira vez faça parte dos objetivos do clube. A visão é mais abrangente: cada encontro é mais um degrau na evolução dos jovens do Campus, uma forma de os preparar, jogo após jogo, para as exigências desportivas, táticas e mentais do futebol profissional.

A ambição de fazer o melhor percurso possível está, ainda assim, bem presente, como acontece em todas as competições em que o clube participa. Eleito o melhor centro de formação masculino de França no ranking da FFF de 2025/26, o PSG foi campeão francês de sub-19 em 2024, 2025 e 2026, campeão francês de sub-17 e vencedor da Taça Gambardella em 2026, além de se ter apurado para a Final Four da Youth League no mesmo ano.

Mas tudo isso fica atrás de um objetivo mais profundo: formar jogadores capazes de, um dia, integrarem a equipa principal. A Youth League serve de campo de treino à escala real para este projeto, com um ritmo, uma intensidade e um enquadramento próximos dos da Liga dos Campeões. Então, ferramenta ou troféu? Yohan Cabaye recusa-se a escolher entre os dois.

"Continua a ser uma ferramenta de formação, claro", explica-nos o diretor desportivo do centro de formação do PSG: "A competição expõe os nossos jogadores a adversários, estilos e contextos diferentes. Dá-nos referências para avaliar a sua capacidade de adaptação, de tomar decisões e de responder a um nível de exigência elevado. Mas também continua a ser uma competição e, quando se joga no PSG, é preciso ter a ambição de ganhar. O resultado conta, porque também é preciso saber gerir a pressão e criar as condições para conquistar uma vitória importante. Isso faz parte da aprendizagem. A competição continua a ser uma ambição, e o percurso para tentar vencê-la continua a ser uma ferramenta de formação. De um jogo para o outro, nem sempre temos a mesma equipa, e há jogadores que se revelam."

Dez jogadores nos profissionais, todos com passagem pela Youth League

O balanço da época passada mostra bem a dimensão do trabalho. Dez jogadores formados no clube disputaram pelo menos um jogo pela equipa principal, seis dos quais fizeram a estreia absoluta. Todos têm um ponto em comum: passaram pela Youth League, onde o clube chegou às meias-finais, algo que não acontecia há dez anos.

Cabaye resume assim aquilo que esta competição oferece a mais relativamente aos jogos nacionais: "O campeonato continua a ser essencial, porque exige regularidade, fim de semana após fim de semana. A Youth League acrescenta uma experiência diferente. Defrontamos equipas que trabalham de outra forma, com outras referências e uma cultura futebolística diferente. Para nós, é uma forma de sermos obrigados a adaptarmo-nos rapidamente. Mais do que no campeonato, ajuda-nos a tomar boas decisões sob pressão: perceber como os jogadores gerem os nossos momentos fortes e fracos e como se mantêm eficazes num contexto por vezes difícil. A este nível, um erro pode sair muito caro. Há também a descoberta das deslocações europeias: hoje, por exemplo, vamos a Inglaterra e partimos na véspera. A isso juntam-se a organização de uma competição da UEFA e uma grande componente emocional, que também faz parte da aprendizagem necessária para uma grande carreira."

Os números mostram que o método dá frutos até na maior competição europeia. Quatro jogadores formados no clube (Warren Zaïre-Emery, Senny Mayulu, Quentin Ndjantou e Ibrahim Mbaye) participaram na Liga dos Campeões, um número inédito desde a época 2018/19 e um sinal de uma verdadeira mudança de dinâmica.

"A Youth League não reproduz um jogo da Liga dos Campeões, isso é certo", prossegue: "Mas permite trabalhar comportamentos fundamentais e indispensáveis para nos aproximarmos desse nível. A vantagem de a podermos disputar todos os anos no nosso percurso de formação é muito importante para a evolução dos nossos jogadores."

A equipa de sub-23, o passo que faltava

A outra peça fundamental do projeto é a equipa de sub-23, criada por iniciativa do clube em setembro de 2024. Tornou-se a equipa-chave do centro de formação e cumpre plenamente o seu papel de antecâmara do mundo profissional: reforçar a ligação ao grupo de Luis Enrique, proporcionando aos jovens boas condições de desenvolvimento e tempo de jogo, dos sub-16 aos sub-23.

"Esta equipa nasceu no verão de 2024, mas a reflexão tinha começado muito antes", explica Cabaye: "Queríamos resolver dois problemas. O primeiro era a transição para o mundo profissional. Entre os sub-19 e o grupo principal, existia uma diferença bastante significativa. Alguns jogadores precisavam de mais tempo e competição para prosseguirem a sua formação; outros estavam mais preparados para acelerar e aproximar-se do alto nível. Tratava-se, portanto, de dar um passo adicional a quem dele precisava. O segundo problema era o tempo de jogo. Esta terceira equipa permite dá-lo a todos os jogadores do centro de formação. Como só tínhamos sub-17 e sub-19, os sub-16 jogavam muito raramente. Nos últimos anos, passaram a beneficiar de muito mais tempo de jogo."

Tudo assenta na continuidade. Os sub-19 e a equipa de sub-23 trabalham em conjunto, graças a uma ligação permanente entre os seus treinadores, Jean-François Vulliez e Thomas Leyssales. A ideia é acompanhar cada jogador ao longo do tempo, sem ruturas nem perda de informação quando muda de escalão.

Uma visão partilhada

Nos corredores do Campus, o percurso da equipa principal na Liga dos Campeões nas últimas duas épocas serviu de motor. Ver o clube competir ao mais alto nível europeu dá sentido ao trabalho diário: o objetivo torna-se concreto, palpável. Os jovens podem projetar-se e perceber o nível de exigência necessário para lá chegar.

Este sucesso assenta numa visão comum, defendida pelo presidente, pelo conselheiro desportivo Luis Campos, pelo treinador Luis Enrique e por Yohan Cabaye. O próprio Campus é a chave, segundo este último: "A vantagem, hoje, é o Campus. É preciso voltar a colocá-lo no centro da discussão: ter criado este ambiente de trabalho, com a visão do presidente, permite-nos estar próximos e criar uma visão desportiva comum. A proximidade que Luis Campos e eu mantemos relativamente ao que acontece no centro de formação é essencial para garantir coerência."

Entre os dois, os contactos são diários, aos quais se juntam reuniões formais sobre os passos seguintes e sobre os jogadores. O papel de Cabaye é o de um observador atento: "A minha função é sinalizar os perfis que merecem ser observados e acompanhados. Trata-se de perceber se determinado jogador está em condições de, de vez em quando, “bater à porta” dos profissionais para mostrar aquilo que sabe fazer."

"A Youth League desempenha aqui um papel específico: também permite ao Luis ver os jogadores num contexto diferente do campeonato de sub-19 e perceber se são capazes de jogar sob pressão e de fazer a transição para o mundo profissional. Partilho com ele perfis que demonstraram uma evolução muito forte, uma grande vontade de aprender e trabalhar, além de uma verdadeira personalidade em campo, sem procurarem destacar-se fora dele. É um conjunto de fatores: tentamos pôr em prática o projeto triplo no dia a dia. Entre o Luis e eu, estabeleceu-se uma relação de trabalho e confiança."

Esta continuidade assenta também num trabalho discreto entre as diferentes equipas técnicas: analistas de vídeo, analistas de dados, nutricionistas, preparadores físicos e equipas médicas. Cada um coloca a sua experiência ao serviço da evolução dos jogadores. Cabaye faz questão de mencionar um nome, o de Olivier Gagne, diretor-adjunto do Futebol Profissional: "Esta ligação permite-nos trocar informações nos dois sentidos sobre os jogadores. É muito importante para o projeto do centro de formação."

Entre os profissionais e os jovens, o PSG nunca esteve tão ligado. E não parece que isso vá mudar. Para o jogo desta quarta-feira à noite frente ao Manchester City, no Etihad Stadium, há dois jogadores integrados no grupo de Luis Enrique: Quentin Ndjantou e Adam Mouak. Se um dos dois tiver minutos, será, mais uma vez, uma bonita mensagem enviada ao seu centro de formação.

Pablo Gallego - Editor-chefe de notícias
Pablo Gallego - Editor-chefe de notíciasFlashscore France
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