Na transição do século XIX para o XX, o Corinthian FC era a equipa a bater. Apesar de amadora, a formação londrina dominava adversários que competiam na liga inglesa. A maior goleada sofrida pelo Manchester United até hoje foi precisamente frente ao Corinthian: 11-3, em 1904.
O clube londrino é também o único a ter cedido, por duas vezes (1894 e 1895), toda a sua equipa à seleção de Inglaterra.

Além de tudo isso, o Corinthian encantava celebridades, era uma referência de elegância e fair play e percorria o mundo a exibir o seu futebol.
E o recém-fundado Madrid FC não ficou imune a esse fascínio. Segundo a teoria mais aceite, um dos primeiros treinadores do clube espanhol, o irlandês Arthur Johnson, era admirador da equipa inglesa e terá sugerido que a nova formação de Madrid deveria envergar de branco.

Em 1925, dois jogadores - Quesada e Escobal - tentaram aproximar ainda mais o Real Madrid do modelo do Corinthian FC.
Após uma viagem a Londres, a dupla convenceu a direção madridista a substituir os calções brancos por pretos.
A mudança, no entanto, durou apenas uma temporada. Depois de uma pesada derrota frente ao Barcelona (5-1), na Taça do Rei, os calções pretos foram rapidamente abandonados, por terem sido considerados “amaldiçoados”.

O nascimento dos "Los Blancos"
Nas primeiras décadas da sua história, o clube madrileno utilizava meias escuras (primeiro pretas, depois azul-marinho). O equipamento só se tornou totalmente branco em 1955.
A mística dos Los Blancos foi consolidada na primeira edição da Taça dos Campeões Europeus (1955/56).
A razão era também prática: a visibilidade. Em jogos noturnos, o equipamento integralmente branco destacava-se sob a luz dos holofotes. Nas transmissões a preto e branco da época, jogadores como Di Stéfano e Puskás sobressaíam ainda mais, ajudando a construir a projeção internacional do clube.

O impacto acabou por regressar a Inglaterra, berço do Corinthian. O treinador Don Revie, do Leeds United, mudou as cores da equipa (até então azul e amarelo) para branco integral, em 1961, com a ambição de que os seus jogadores se sentissem como o “Real Madrid do futebol britânico”.
O Sport Club Corinthians, do Brasil, mantém até hoje o equipamento da fundação: camisola e meias brancas, com calções pretos. Já a seleção inglesa também adotou o branco, em parte influenciada pelo legado do Corinthian, mas também pela necessidade de contrastar com o azul da Escócia, o seu principal rival na altura.

Tal como o Corinthians e a seleção inglesa, o Real Madrid nunca alterou a cor do seu equipamento principal.
Já o Corinthian FC acabou por abandonar o branco que tanto influenciou o futebol. O histórico clube amador fundiu-se com o Casuals FC em 1939, dando origem ao Corinthians-Casuals, que passou a adotar as cores rosa e castanho do clube profissional.
