Sabia que o branco do Real Madrid nasceu do inglês Corinthian? A história que liga três clubes

Jogadores do Real Madrid celebram um golo
Jogadores do Real Madrid celebram um goloReuters

A camisola do Real Madrid é branca desde a fundação do clube, em 1902. A origem de um dos equipamentos mais icónicos do futebol remonta ao Corinthian FC, o mesmo clube que inspirou a criação da equipa brasileira do Corinthians.

Na transição do século XIX para o XX, o Corinthian FC era a equipa a bater. Apesar de amadora, a formação londrina dominava adversários que competiam na liga inglesa. A maior goleada sofrida pelo Manchester United até hoje foi precisamente frente ao Corinthian: 11-3, em 1904.

O clube londrino é também o único a ter cedido, por duas vezes (1894 e 1895), toda a sua equipa à seleção de Inglaterra.

O primeiro uniforme do Real Madrid no ano de sua fundação
O primeiro uniforme do Real Madrid no ano de sua fundaçãoDomínio Público

Além de tudo isso, o Corinthian encantava celebridades, era uma referência de elegância e fair play e percorria o mundo a exibir o seu futebol.

E o recém-fundado Madrid FC não ficou imune a esse fascínio. Segundo a teoria mais aceite, um dos primeiros treinadores do clube espanhol, o irlandês Arthur Johnson, era admirador da equipa inglesa e terá sugerido que a nova formação de Madrid deveria envergar de branco.

Corinthian FC na temporada 1919/20
Corinthian FC na temporada 1919/20Corinthians-Casuals/Domínio Público

Em 1925, dois jogadores - Quesada e Escobal - tentaram aproximar ainda mais o Real Madrid do modelo do Corinthian FC.

Após uma viagem a Londres, a dupla convenceu a direção madridista a substituir os calções brancos por pretos.

A mudança, no entanto, durou apenas uma temporada. Depois de uma pesada derrota frente ao Barcelona (5-1), na Taça do Rei, os calções pretos foram rapidamente abandonados, por terem sido considerados “amaldiçoados”.

As camisolas do Real Madrid
As camisolas do Real MadridBrgesto/Creative Commons

O nascimento dos "Los Blancos"

Nas primeiras décadas da sua história, o clube madrileno utilizava meias escuras (primeiro pretas, depois azul-marinho). O equipamento só se tornou totalmente branco em 1955.

A mística dos Los Blancos foi consolidada na primeira edição da Taça dos Campeões Europeus (1955/56).

A razão era também prática: a visibilidade. Em jogos noturnos, o equipamento integralmente branco destacava-se sob a luz dos holofotes. Nas transmissões a preto e branco da época, jogadores como Di Stéfano e Puskás sobressaíam ainda mais, ajudando a construir a projeção internacional do clube.

Real Madrid na final da Taça da Europa de 1956, no Parque dos Príncipes, em Paris
Real Madrid na final da Taça da Europa de 1956, no Parque dos Príncipes, em ParisAFP / Profimedia

O impacto acabou por regressar a Inglaterra, berço do Corinthian. O treinador Don Revie, do Leeds United, mudou as cores da equipa (até então azul e amarelo) para branco integral, em 1961, com a ambição de que os seus jogadores se sentissem como o “Real Madrid do futebol britânico”.

O Sport Club Corinthians, do Brasil, mantém até hoje o equipamento da fundação: camisola e meias brancas, com calções pretos. Já a seleção inglesa também adotou o branco, em parte influenciada pelo legado do Corinthian, mas também pela necessidade de contrastar com o azul da Escócia, o seu principal rival na altura.

Camisolas de Corinthians e Real Madrid partilham a mesma origem
Camisolas de Corinthians e Real Madrid partilham a mesma origemAcervo/Corinthians

Tal como o Corinthians e a seleção inglesa, o Real Madrid nunca alterou a cor do seu equipamento principal.

Já o Corinthian FC acabou por abandonar o branco que tanto influenciou o futebol. O histórico clube amador fundiu-se com o Casuals FC em 1939, dando origem ao Corinthians-Casuals, que passou a adotar as cores rosa e castanho do clube profissional.