Serie A: Nápoles na Champions (0-3), Roma (2-0) e Milan (1-2) aproximam-se, Juve desilude (0-2)

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Mancini foi o herói no dérbi de Roma
Mancini foi o herói no dérbi de RomaREUTERS

Na penúltima jornada da Serie A, o Nápoles garantiu a qualificação para a Liga dos Campeões com um triunfo por 0-3 no terreno do já despromovido Pisa. A Roma deu um passo importante após vencer a Lazio, que teve Nuno Tavares no onze, por 2-0 no dérbi da capital romana. Sem Rafael Leão, o AC Milan triunfou no terreno do Génova de Vitinha por 1-2 e tem a qualificação nas mãos. Já as aspirações de Francisco Conceição e a Juventus sofreram um duro golpe com uma derrota caseira com a Fiorentina (0-2). Já o Como venceu o Parma por 1-0 e continua a sonhar com a competição milionária.

Genova 1-2 AC Milan 

Sem Leão e com apenas uma vitória em seis jogos, a formação de Milão não só viu a luta pelo título ruir, como ficou em sério risco de falhar o acesso à Champions. Essa instabilidade traduziu-se no relvado com um arranque pouco convincente, no qual o Génova ameaçou primeiro por Vitinha, que desferiu um remate em arco ao segundo poste, ligeiramente por cima do ângulo.

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À medida que a primeira parte avançou, o Milan conseguiu equilibrar as operações. Alessandro Marcandalli fez um corte providencial para negar o golo a Santiago Giménez na pequena área, instantes antes de outra interceção crucial ao segundo poste ter impedido Christopher Nkunku de encostar para o fundo das redes. Contudo, à beira do descanso, as notícias do golo da Roma noutro relvado deixaram o Milan virtualmente fora dos lugares de Champions à saída para os balneários.

Com a manutenção garantida e sem aspirações europeias do lado visitante, os holofotes estavam todos virados para o Milan, que não perdeu tempo no reatamento. Um erro do ex-Alverca Alex Amorim forçou Justin Bijlow a sair dos postes, acabando por derrubar Nkunku quando o francês tentava contornar o guarda-redes. Chamado a cobrar o respetivo castigo máximo, o avançado não perdoou e quebrou o nulo,.

Dada a situação confortável na tabela, a segunda parte acabou por decorrer a um ritmo mais baixo, sem grande urgência dos anfitriões em procurar o empate. As oportunidades escassearam e, depois de Vitinha ter desperdiçado uma boa chance ao rematar por cima da trave, o Milan dilatou a vantagem a nove minutos do fim, graças a um disparo forte e rasteiro de Zachary Athekame. Jeff Ekhator teve nos pés a oportunidade imediata de reduzir quando apareceu isolado após um passe falhado da defensiva milanesa, mas Mike Maignan esteve atento e travou o remate.

Pouco depois, o capitão Johan Vásquez aproveitou uma confusão na área para empurrar de perto e assinar o seu primeiro golo da temporada, relançando a partida para um final emotivo. Contudo, a reação do Génova pecou por tardia e o 14.º classificado não evitou a derrota. Já o Milan soma três pontos cruciais e sobe ao terceiro posto, embora apenas dois pontos separem os rossoneri da Juventus (6.ª classificada) à entrada para a última e decisiva jornada da Serie A.

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Juventus 0-2 Fiorentina

Com Francisco Conceição a titular, a Juventus arrancou a jornada com um ponto de vantagem sobre o quinto classificado e, com a Fiorentina já com a manutenção matematicamente assegurada, os visitantes pareciam o adversário ideal. Contudo, a partida foi muito mastigada e faltosa na primeira meia hora. Um dos lances mais contestados pelos adeptos da casa envolveu Dusan Vlahovic, que caiu na área sob pressão de Marin Pongracic num lance duvidoso, instantes antes de Roberto Piccoli arrancar para o outro lado e ver o seu remate ser bloqueado.

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O primeiro golo da tarde esteve muito perto de pertencer à Juventus aos 20 minutos, mas valeu a atenção e rapidez de David de Gea. O guarda-redes espanhol saiu da baliza de forma audaz para negar o golo a Vlahovic, após um atraso terrível de Cher Ndour que tinha isolado o avançado. No entanto, o jovem Ndour viria a redimir-se à beira do intervalo. Num contra-ataque rápido, Manor Solomon descobriu o médio que, com um timing perfeito, ultrapassou a linha defensiva da Juventus, invadiu a área e atirou de ângulo apertado para o poste mais distante.

A Juventus não conseguiu reagir antes do descanso e Jérémie Boga foi lançado para o lugar de Teun Koopmeiners para dar nova alma ao ataque. Porém, os efeitos estiveram longe de ser imediatos - ainda que Weston McKennie e Francisco Conceição tenham visto os seus remates ser travados por excelentes intervenções de De Gea. A missão da equipa de Turim ficou ainda mais tremida à medida que chegavam notícias dos golos do Milan e do Como nos outros relvados, empurrando a Juventus para o quinto lugar.

Com o Allianz Stadium a clamar por um herói, Vlahovic pareceu restabelecer a igualdade aos 75 minutos, mas a análise do VAR acabou por anular o golo por fora de jogo do avançado sérvio, que tinha desviado ao primeiro poste. O discernimento da Juventus ia diminuindo a cada minuto e a Fiorentina acabou por selar o triunfo aos 83 minutos: a defensiva bianconera não conseguiu afastar a bola na sequência de um livre da Viola e Rolando Mandragora aproveitou para desferir um remate em arco de belo efeito, direto ao ângulo superior esquerdo, sem hipóteses para Michele Di Gregorio.

Já não havia volta a dar para a Juventus, ciente de que desperdiçou uma oportunidade soberana. A equipa está agora obrigada a vencer o dérbi na casa do eterno rival Torino para manter viva a esperança de entrar no top-4. Mesmo assim, o destino já não está nas suas mãos, enquanto a Fiorentina pode celebrar o quarto jogo consecutivo sem perder no confronto direto.

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Roma 2-0 Lazio

Estrear-se pela Lazio no Derby della Capitale já era uma tarefa suficientemente difícil para o guarda-redes Alessio Furlanetto, mas tudo piorou logo aos nove minutos, quando foi forçado a evitar um autogolo de Nuno Tavares, após o defesa desviar na direção da própria baliza um livre cobrado por Niccolò Pisilli. Seguiu-se uma sucessão de pontapés de canto a favor da Roma, que terminou com Furlanetto a segurar um remate de Wesley França que sofreu um desvio. Após sacudir a pressão, a Lazio desenhou um ataque perigoso a meio da primeira parte, mas Mile Svilar respondeu à altura com uma boa defesa a um remate rasteiro e em arco de Matteo Cancellieri.

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Boulaye Dia chegou a colocar a bola no fundo das redes para os visitantes à passagem do minuto 29, precisando de três tentativas para marcar, mas a posição de fora de jogo foi evidente. Os biancocelesti continuaram a ameaçar e Dia serviu Tijjani Noslin, que rematou cruzado e ligeiramente ao lado. Contudo, foi a Roma quem inaugurou o marcador através de mais um lance de bola parada. Cinco minutos antes do intervalo, Pisilli cobrou um canto tenso e Gianluca Mancini apareceu com um cabeceamento firme, não dando qualquer hipótese a Furlanetto.

Movida pelo orgulho da rivalidade local, uma vez que as competições europeias já estão fora do seu alcance para a próxima época, a Lazio entrou forte na segunda parte, com Noslin e Cancellieri a disporem de oportunidades praticamente idênticas às que tinham tido no primeiro tempo. Foi preciso esperar pela hora de jogo para ver a Roma perto de dilatar a vantagem, mas valeu a pena o compasso de espera: Donyell Malen desferiu um espetacular remate de primeira que foi travado pelo guardião contrário, antes de Furlanetto ter de voar para desviar por cima da barra um livre direto de Paulo Dybala. Na sequência do canto cobrado pelo astro argentino, o desfecho acabou por ser o mesmo: Mancini saltou mais alto do que toda a gente e cabeceou novamente para o fundo das redes da Lazio.

A pouco mais de 20 minutos do apito final, os ânimos exaltaram-se após um desentendimento entre Mancini e Daniel Maldini, gerando-se vários confrontos no relvado. Assim que a confusão acalmou, o árbitro Fabio Maresca exibiu o cartão vermelho direto a Wesley França e a Nicolò Rovella, deixando ambas as equipas reduzidas a 10 elementos.

Artem Dovbyk ainda acertou no poste poucos segundos depois de entrar em campo, naquela que foi a única oportunidade flagrante da reta final da partida. A Roma controlou com tranquilidade a vantagem até ao apito final, num resultado que permite a Gian Piero Gasperini tornar-se no segundo treinador dos giallorossi nos últimos 50 anos a vencer os dois primeiros dérbis de Roma. Por outro lado, a formação comandada por Maurizio Sarri somou duas derrotas consecutivas no campeonato pela segunda vez em toda a temporada.

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Pisa 0-3 Nápoles

A equipa da casa entrou em campo sem grandes objetivos, uma vez que já estava despromovida, deixando a responsabilidade do jogo do lado dos visitantes, que procuravam segurar uma vaga no top-4. Depois de Rasmus Hojlund ter cabeceado ao lado e de Alisson Santos ter visto o golo ser-lhe negado por Adrian Semper, os visitantes abriram o marcador a meio do primeiro tempo: Hojlund assistiu de primeira e Scott McTominay rematou rasteiro e colocado junto ao poste.

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Pouco depois, os partenopei dilataram a vantagem. Amir Rrahmani correspondeu a um pontapé de canto cobrado por Eljif Elmas e cabeceou para lá da linha de golo, apesar do esforço de Semper. Elmas revelou-se uma ameaça constante e, à beira do descanso, obrigou o guarda-redes da casa a uma defesa apertada com a ponta dos dedos. Por sua vez, a turma de Pisa teve de esperar pelo último suspiro da primeira parte para dispor da sua melhor oportunidade, com Alex Meret a sair rapidamente dos postes para fazer uma mancha crucial perante Filip Stojilkovic dentro da área.

Após as dificuldades sentidas para criar perigo antes do intervalo, o Pisa surgiu transfigurado no arranque da segunda parte. Na verdade, Stojilkovic precisou de menos de cinco minutos para testar os reflexos de Meret, antes de Mehdi Léris cabecear por cima da barra na sequência do canto resultante. Contudo, a energia inicial do Pisa rapidamente se desvaneceu, permitindo ao Nápoles recuperar o controlo das operações sem necessitar de massacrar as redes à guarda de Semper. McTominay podia ter sentenciado o encontro com um cabeceamento a meio da segunda metade, mas a bola saiu por cima do travessão. Já em período de descontos, Hojlund fechou as contas da partida ao esticar-se na área para desviar um cruzamento tenso de Pasquale Mazzocchi para o fundo das malhas.

Este triunfo tranquilo da equipa comandada por Antonio Conte garante um lugar na prova rainha do continente europeu na próxima temporada. O Nápoles entra na última jornada do campeonato com uma vantagem de três pontos sobre o AC Milan e a Roma, tendo o segundo lugar perfeitamente ao seu alcance. Quanto ao Pisa, soma agora apenas uma vitória nos últimos 26 encontros na Serie A e vai despedir-se do escalão principal com uma deslocação ao terreno da Lazio no próximo fim de semana.

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Como 1-0 Parma

O Como entrou em campo determinado a agarrar-se com unhas e dentes à oportunidade histórica de alcançar a qualificação para a Liga dos Campeões. Logo aos quatro minutos, Zion Suzuki foi chamado a intervir após um cabeceamento de Jacobo Ramón, que saiu direto para as mãos do guarda-redes do Parma.

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A equipa comandada por Cesc Fàbregas continuou a carregar no ataque e, pouco depois, Marc-Oliver Kempf obrigou Suzuki a uma defesa ainda mais vistosa. Máximo Perrone completou o hat-trick de remates enquadrados do Como com apenas oito minutos, desferindo um disparo potente de fora da área que Suzuki desviou pela linha de fundo para pontapé de canto.

Ramón dispôs de nova oportunidade antes do primeiro quarto de hora, mas o central espanhol viu Suzuki sair novamente vencedor do duelo. O guardião do Parma acabou por ser finalmente batido a cinco minutos do intervalo, mas os ferros da baliza correram em seu auxílio, com o remate de Anastasios Douvikas a embater com estrondo no poste quando este se encontrava isolado.

A toada não mudou no reatamento, com Suzuki a assinar uma fantástica dupla defesa para travar um remate forte de Assane Diao e a deter, de seguida, a recarga de Douvikas. O poste voltou a negar o golo ao Como na sequência de um livre direto de Martin Baturina, mas a insistência caseira acabou por ser recompensada com o golo inaugural. No primeiro desenho perigoso pelo corredor esquerdo, o recém-entrado Jesús Rodríguez serviu de bandeja Alberto Moreno, que apareceu em zona de penálti para desviar por instinto para o fundo das redes, assinando apenas o seu segundo golo na temporada.

A vantagem do Como podia ter durado pouco tempo, mas a bandeira do árbitro assistente resgatou os lariani ao assinalar fora de jogo ao cabeceamento de Mateo Pellegrino. Álvaro Morata esteve muito perto de sentenciar a partida a oito minutos do fim do tempo regulamentar, mas Suzuki voltou a exibir-se em bom plano para manter a desvantagem tangível.

Ainda assim, nem a exibição heróica do guarda-redes evitou o terceiro triunfo do Como nos últimos quatro jogos. Com este resultado, a turma de Fàbregas ultrapassa a Juventus e ascende ao quinto lugar, ficando agora obrigada a vencer o Cremonese na última jornada, além de ter de esperar por deslizes alheios, para carimbar o histórico passaporte para a Champions. Por sua vez, a terceira derrota consecutiva do Parma deixa a equipa em risco de terminar o campeonato num modesto 15.º lugar.

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