Foi já o sétimo confronto em que não houve golos por parte de uma equipa checa nesta época europeia. E, de todos, este é o mais compreensível ou justificável, se é possível dizê-lo assim. Ao contrário dos anteriores, este surgiu num clássico duelo a duas mãos, em casa e fora.
"Este resultado dá-nos a oportunidade de lutar pela qualificação daqui a uma semana", afirmou o treinador do Olomouc, Tomáš Janotka, após o jogo.
Também no segundo duelo entre representantes da Chance Liga e da Bundesliga esta temporada, o marcador não se alterou uma única vez em 90 minutos. A primeira vez aconteceu no confronto entre Viktoria Plzen e Friburgo, na Liga Europa, com os checos a registarem três empates consecutivos a zero. Isto reflete o estado do futebol checo, que normalmente enfrenta adversários mais fortes na Europa, dando prioridade à defesa. E na frente, tem dificuldades em destacar-se.
Curiosamente, a maioria dos jogos sem golos disputados pelos clubes checos foram em casa. Dos 17 jogos realizados até agora nesta época, cinco terminaram assim. Em média, de cada três jogos festivos nas competições europeias, os adeptos saíram do estádio sem ver um golo válido. Das 28 partidas que terminaram 0-0 nas três competições europeias, os clubes checos participaram em um quarto delas.
Conseguir este resultado fora de casa é quase visto como uma vitória. Por exemplo, como aconteceu com o Slavia, na Liga dos Campeões, em casa da Atalanta. Ou o Plzen na Liga Europa, com dez jogadores, no estádio do Panathinaikos.
"De forma geral, o nosso futebol está orientado principalmente para a defesa e para a tática, mais do que para a criatividade e para o ataque. Isso resulta da forma como pensamos. Como se joga a nossa liga? Queremos correr mais do que o adversário, chocarmo-nos com ele e ganhar os duelos," diz Jan Morávek, especialista do Flashscore e olheiro do Augsburgo, da Alemanha.
O futebol italiano tem uma abordagem semelhante, tendo criado o famoso estilo defensivo catenaccio. Foi precisamente na Serie A que os adeptos assistiram ao maior número de jogos 0-0 nesta época. No total, 27. A República Checa, com 19 jogos sem golos, ocupa o quarto lugar entre as dez principais ligas europeias. À frente está ainda a Süper Liga turca (24), que tem a maior percentagem de resultados 0-0 (10,7 %), uma estatística fundamental neste contexto.
Entre os clubes, o recordista europeu é o La Louviére, da Bélgica, que já torturou os seus adeptos com oito jogos sem golos, em 28 jornadas disputadas, ou seja, cerca de um em cada três jogos termina assim. Na República Checa, lideram com cinco jogos 0-0 o Teplice. Curiosamente, têm tantos jogos sem golos como toda a liga neerlandesa desde o início da época (234 jogos disputados).
A ofensiva Eredivisie segue o caminho oposto, o futebol total de Cruyff transformou o estilo local. A República Checa só pode admirar.
"Está relacionado com a qualidade na zona ofensiva. Simplesmente, não temos jogadores capazes de ultrapassar o adversário no um contra um, de criar de forma criativa uma posição inesperada para o avançado, tornando-lhe a tarefa mais fácil", considera Morávek.
