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Plzen: Betão na Europa, manteiga no campeonato
Plzen prepara-se para mais uma noite europeia, que pode ser decisiva para o seu futuro. Embora, em teoria, a equipa visitante seja favorita, a realidade dos últimos anos mostra que o Viktoria consegue apresentar uma face totalmente diferente na Europa em comparação com a competição nacional. Seria de esperar que a defesa voltasse a ser o fator principal, mas é precisamente aí que o clube checo está a lidar com uma crise de recursos humanos.
Na liga checa, o Viktoria sofre golos com mais frequência do que desejaria – 26 golos sofridos em 19 jornadas está longe do ideal. Onze equipas, incluindo as duas últimas, apresentam registos iguais ou melhores. No entanto, na Europa, a defesa mostra-se muito mais sólida. Nos seis jogos, só foi buscar a bola à baliza em duas ocasiões e, por três vezes consecutivas, manteve a baliza inviolada com empates 0-0 (Panathinaikos, Friburgo, Fenerbahçe).

Nenhuma equipa checa conseguiu ainda disputar quatro jogos seguidos na Europa sem sofrer golos. Tentar bater esse recorde frente ao FC Porto será um enorme desafio para uma defesa bastante desfalcada. Segundo o especialista e antigo treinador Stanislav Levý, a diferença entre o desempenho de Plzen no campeoanto e na Europa não está na tática, mas sim na mentalidade.
"Na Europa, são muito mais responsáveis e concentrados. Não digo isto como desculpa para a liga, mas há mais disciplina, maior foco e mais respeito pelo adversário. São equipas com qualidade e nome. Não se pode facilitar em nada", indicou.
Alarme no centro da defesa
O Plzen enfrenta várias ausências e não se sabe quem estará disponível para alinhar na defesa. É certo que Sampson Dweh e Václav Jemelka estão de fora devido a suspensão. O caso do primeiro é um problema ainda maior, pois foi o jogador com mais ações defensivas (23), alívios (49), interceções (16) e cortes de cabeça (31) nesta Liga Europa, além de ser o segundo com mais duelos ganhos (50).
E quem mais? Milan Havel não participou no último treino e Karel Spáčil foi substituído no último jogo, aos 37 minutos. Assim, dos defesas-centrais, só resta na lista para a Liga Europa Jan Paluska, que está ainda a recuperar de uma operação. No plantel estão as contratações de inverno Adam Kadlec e Dávid Krčík, mas não podem ser utilizados neste jogo. Os restantes defesas são sobretudo laterais e não têm experiência no centro da defesa.

Resumindo, não há garantias de que um defesa-central em condições físicas vá entrar em campo. Poderá ser necessário recuar um dos médios defensivos (Lukás Cerv, Matěj Valenta ou Adrian Zeljkovic) para a linha defensiva. Mesmo assim, o treinador Martin Hysky não tem muitas opções. Os adeptos só podem esperar que a utilização limitada de Havel e Spáčil na preparação tenha servido para prevenir lesões.
"Ainda faltam algumas horas para o jogo, por isso acredito que vão esperar até ao último momento para ver se o estado físico permite jogar ou não. O azar com cartões e lesões não se vai repetir com esta intensidade. É evidente que o clube está a planear continuar a competir na Europa e precisa de um plantel equilibrado e profundo" afirmou Levý.
Manter a chama em temperaturas negativas
A atravessar uma excelente fase a nível interno, é na Liga Europa que os azuis e brancos têm sentido dificuldades para ser consistentes. Se, a nível doméstico, o único desaire esta temporada (1-3 com o Vitória SC, para a Taça da Liga) é largamente explicado por falhas individuais, os dois escorregões na competição europeia permitem encontrar elementos comuns nas exibições: quando o adversário iguala ou supera a intensidade e a agressividade nos duelos durante os 90 minutos, o FC Porto sente dificuldades.
Foi o que aconteceu diante do Nottingham Forest (2-0), em outubro. Os Tricky Trees até vinham de 10 jogos sem vencer, mas, na estreia de Sean Dyche, o estilo de jogo direto e agressivo nos duelos diretos fez mossa a uma linha defensiva que, até então, era a maior bully do recreio. Antes disso, a visita a Salzburgo foi resolvida já depois da hora, num lance de inspiração de William Gomes (0-1) e a receção ao Estrela Vermelha teve desfecho feliz num contra-ataque concluído por Rodrigo Mora, aos 89 minutos (2-1).

Nos outros jogos desta época em que os dragões sentiram mais dificuldades, outros fatores saltaram à vista: os adversários igualaram o índice de trabalho (Utrecht, 1-1, e o encontro recente com o Vitória SC, 0-1), tiveram capacidade para reter a posse de bola e mantiveram os azuis e brancos no seu meio-campo defensivo (SC Braga, 2-1, e Estoril, 1-0) ou preocuparam-se unicamente em frustrar a organização ofensiva portista (o 0-0 com o Benfica foi um jogo de xadrez entre Mourinho e Farioli).
Esta quinta-feira, o plano de jogo do Viktoria Plzen deverá passar por dois destes pontos: os -8.º C esperados devem retirar boa parte da capacidade física na casa das máquinas da turma de Farioli e os checos vão tentar combater a falta de argumentos individuais com força coletiva no jogo direto e nos duelos.
Para Farioli, esta visita ao gelo será tudo menos um passeio tranquilo na neve. A formação do treinador italiano tem de ganhar se quiser manter ou até garantir um lugar entre os oito primeiros, de forma a evitar ter mais dois jogos de play-off num calendário já apertado. Um triunfo na República Checa seria um grande passo em frente para colocar o FC Porto no mesmo trilho traçado há 15 anos: vencer o campeonato e a Liga Europa.
