Análise: Wiegele, guarda-redes do Plzen, adversário do FC Porto, "tem tudo o que é preciso"

O guarda-redes austríaco do Viktoria Plzeň, Florian Wiegele
O guarda-redes austríaco do Viktoria Plzeň, Florian WiegeleČTK / imago sportfotodienst / JOERAN STEINSIEK

Receberá o Plzeň a recompensa pelo seu passo arrojado? Um início de época verdadeiramente exigente em 2026 poderá dar algumas pistas. Na fase principal da Liga Europa, na quinta-feira, os jogadores do Viktoria vão defrontar o FC Porto e, entre os postes, estará o austríaco Florian Wiegele (24 anos). No final do outono, entrou para o lugar de Martin Jedlička, não desiludiu e não largou a baliza. O antigo guarda-redes do Slavia, Martin Vaniak, elogia o jovem numa entrevista ao Flashscore, mas também deixa um aviso ao Plzeň. "No outono, entrou na baliza e esteve à altura. Torço por ele. Mas não jogou assim tantos jogos, podem surgir oscilações", considera.

O Plzeň não esconde as suas grandes ambições, sobretudo desde que o clube passou a pertencer ao bilionário Michal Strnad. Por isso, havia expectativa sobre o impacto da pausa de inverno no plantel. Esperava-se um reforço do grupo, mas acabou por acontecer uma mudança algo inesperada. O guarda-redes Martin Jedlička não aceitou bem o papel de suplente e manifestou vontade de mudar de camisola, acabando por chegar a acordo com o Baník para jogar em Ostrava. Vaniak admite que a transferência o apanhou de surpresa.

"Não esperava que fosse tão rápido. Se dependesse de mim, teria tentado segurar o Jedlička. O Viktoria vai lutar em três frentes na primavera e, para isso, precisa mesmo de dois guarda-redes de qualidade", afirma o antigo guarda-redes, que em tempos, quando jogava no Slavia de Praga, era conhecido como "o feiticeiro". Hoje, como comentador nos estúdios de televisão durante os jogos do Slavia na Liga dos Campeões, acrescenta com um sorriso que agora é um feiticeiro de terceira categoria.

- O que pensa da mudança significativa que ocorreu no Viktoria Plzeň durante o inverno?

Wiegele já tinha substituído o Jedlička no final do outono, por isso já está há algum tempo na baliza. Mas, olhando ao número de jogos, é natural que não tenha assim tanta experiência. É jovem e terá direito a algumas oscilações. Também depende de como o Plzeň vai lidar com isso. Não se trata de um só jogo. Momentos mais complicados podem surgir, por exemplo, se o Wiegele não estiver bem em três jogos seguidos. O Viktoria vai disputar três competições e, para ter sucesso, precisa mesmo de guarda-redes de qualidade.

- Ficou surpreendido por o clube ter libertado o Jedlička sem grandes dificuldades?

- Parece-me que o deixaram sair demasiado depressa. O Viktoria deixou sair um jogador que sabe que é de qualidade, que sabe como lidar com os jogos. Penso que dois guarda-redes de qualidade teriam dado muito jeito ao Plzeň para a primavera. O Jedlička fez um excelente trabalho pelo Viktoria, realizou grandes jogos. No ano passado era claramente o número um e até chegou à seleção.

- Parece-me que, para si, a solução ideal seria o Jedlička continuar a dar cobertura ao colega mais jovem. Mas ele quis mesmo sair do clube.

- Obviamente, não sabemos todos os detalhes, o Jedlička reagiu de certa forma à situação. Só queria dizer que o Wiegele só jogou alguns jogos. Esteve bem. Mas agora vai estar numa situação nova para ele. É o titular, fala-se dele, a época é longa. Vai ter oportunidade de mostrar o seu valor na baliza, mas também terá de ser forte em tudo o que envolve o cargo.

- Fala de possíveis oscilações. Até agora só não esteve bem num jogo, em Slovácko, onde toda a equipa do Plzeň esteve abaixo. O treinador Martin Hyský apoiou o guarda-redes.

- É evidente que, depois de o treinador Hyský ter decidido fazer a mudança, manteve-o na baliza.

- Quais são, para si, as principais qualidades do Wiegele?

- É alto, o que é claramente uma vantagem. Pode dizer-se que é um guarda-redes que tem tudo o que se exige. Agora cabe-lhe a ele confirmar isso e ser a última peça do onze. Mostrou qualidade, quando teve oportunidade entrou na baliza e cumpriu. Tenho de admitir que me surpreendeu. Ainda assim, não me convence o facto de terem deixado sair tão facilmente um guarda-redes já testado. Por mim, teria feito tudo para que ficasse. Mas isso é uma decisão da direção do Plzeň, não tenho informações sobre tudo o que se passou.

- O Wiegele será avaliado de forma mais exigente por ser estrangeiro?

- Não, já está com a equipa há bastante tempo. Isso não o vai travar. Conhece tudo no clube, é ambicioso, confiante. Penso que o Plzeň não será o seu último destino, ainda vai dar o salto para outro clube na Europa.

- Pode então ser o elemento-chave que leve o Viktoria ao sucesso?

- Gostava muito que isso acontecesse. Apoio os jovens guarda-redes, como o Koutný em Olomouc. Gosto de acompanhar os rapazes e fico satisfeito quando têm oportunidades e se destacam, mas continuo a considerar importante a experiência que falta e manteria sempre uma alternativa em aberto. O Wiegele vai entrar na primavera com a cabeça limpa, a equipa vai certamente ajudá-lo e ele vai retribuir. Mas não se pode esperar que seja sempre assim durante toda a primavera.

- Nesse caso, o Viktoria teria de recorrer aos suplentes, onde está Marián Tvrdoň, e tanto na liga checa como nas taças pode ser utilizado o reforço de inverno vindo da Eslováquia, Dominik Ťapaj. Vê algum problema?

- O Tvrdoň é agora o número dois, já foi o terceiro, mas não se afirmou, não jogou. É verdade que no verão devia regressar o Baier, que é muito talentoso e promissor. Mas lesionou-se com gravidade, é uma infelicidade. Vamos ver como será o seu futuro. Agora estava a jogar na Áustria, mas vai ficar afastado dos relvados durante meio ano. Para mim, o Plzeň devia ter mantido o Jedlička.

Siga o Plzeň – Porto no Flashscore