Recorde as incidências da partida
Quando a viagem começou, os buracos na estrada fizeram duvidar os adeptos do SC Braga. Vicens parecia não ter encontrado a fórmula certa para a equipa e a ronda de qualificação não augurava um grande futuro na fase de liga, mas os quilómetros foram passando e os arsenalistas chegaram à fase a eliminar em velocidade cruzeiro.

Objetivo final: Istambul
A facilidade com que o SC Braga terminou a fase de liga no top-8 começou a criar uma ilusão entre os adeptos. A final da Liga Europa foi tema tabu em conversas, mas entrou na mente bracarense, especialmente depois da reviravolta supersónica frente ao Ludogorets. O Betis é um adversário respeitável (que o diga o Vitória SC), mas o lado bom do sorteio alimentou ainda mais a esperança e a coreografia antes da receção aos verdiblancos deixou claro o destino final: Istambul!
Nesta viagem ainda em solo minhoto, as duas equipas entraram sem os principais condutores. Antony, afetado por problemas físicos, começou no banco, e Zalazar, castigado, ficou de fora, mas o conjunto de Carlos Vicens dificilmente podia começar melhor a caminhada antes da paragem em Sevilha. Grillitsch (4') foi artista e, de calcanhar, desviou o canto cobrado por Diego. O jovem português tentava fazer de Zalazar até sair lesionado, depois de uma falta dura de Amrabat.
Não se esperava propriamente um passeio, mas o SC Braga impressionou nos primeiros 20 minutos de jogo. Com presença constante na via da esquerda, a equipa portuguesa ultrapassou um Betis que tardou a impor-se no jogo, ainda que tenha feito o 1-1 logo após o golo de Grillitch - Bartra (7') estava em posição irregular depois de desviar o cabeceamento de Natan, na sequência de uma bola parada, e o lance foi anulado.

Apesar de ter sofrido após um canto, foi no para-arranca que a equipa espanhola ganhou confiança para começar a aproximar-se da baliza de Hornicek, que tremeu com um cabeceamento de Bartra (24') ao poste.

O jogo aberto mostrou a essência de duas equipas que, apesar de estilos diferentes, gostam de jogar perto da baliza dos adversários, mas se o SC Braga não conseguiu testar Pau Lopez, apesar de alguns remates perigosos - Gabri Martínez e Pau Victor vacilaram na finalização -, a equipa espanhola travou sempre em Hornicek. A época do checo pede presença (e titularidade) no Mundial-2026, basta ver as defesas impressionantes às ocasiões de Abde (26') e Cucho (36').
Curvas pelo caminho
A eliminatória em solo ibérico não fazia antever um passeio para o SC Braga e a segunda parte começou com um acidente de percurso. Gorby foi inexperiente e travou Abde na grande área quando se pedia contenção. Desta vez, nem Hornicek travou o remate de Cucho (60' g.p.), que resultou no 1-1 que o Betis já procurava depois da entrada de Antony ao intervalo.
Se a primeira parte foi uma viagem de jogos e diversão, com as duas áreas a servirem como ponto de encontro para cantar músicas em conjunto, a segunda parte, depois do golo de Cucho, fez com que a eliminatória entrasse naquela fase em que todos, exceto os condutores, parecem estar a dormir. Aqui e ali, alguém acordava para tentar animar as hostes, mas como o caminho ainda nem ia a meio, voltou tudo a cair no sono.

Numa eliminatória que, à partida, se previa equilibrada, o empate acaba por não ser surpreendente, até porque as duas equipas confirmaram esse equilíbrio dentro de campo. Agora, tudo vai ser decidido no La Cartuja, casa emprestada do Betis que o SC Braga espera que seja apenas um ponto de paragem antes de Istambul. Aí, já há Zalazar, mas não Niakaté, que sofreu uma lesão aparentemente grave no último lance da partida.
Homem do jogo Flashscore: Grillitsch (SC Braga)
