Carlos Rotondi, de vilão a ídolo do Cruz Azul

Carlos Rotondi marcou o golo da vitória aos 90+5
Carlos Rotondi marcou o golo da vitória aos 90+5HECTOR VIVAS / Getty Images South America / Getty Images via AFP

A história de Carlos Rotondi no Cruz Azul poderia definir a própria equipa cementera. Dono de uma determinação rara, o argentino inscreveu o seu nome nas páginas gloriosas do clube, ao apontar o golo que ditou o título na final mexicana frente ao Pumas, após anos difíceis em que foi alvo de críticas.

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Carlos Rotondi teve a desforra que a sua resiliência merecia e conseguiu-o da melhor forma para afastar qualquer adversidade que foi superando nos últimos anos: com um golo ao cair do pano para conquistar um tão desejado título do futebol mexicano que os seus adeptos sonhavam há muito.

Protagonista de momentos dolorosos — em meias-finais e final frente ao América — em épocas anteriores, Rotondi tornou-se o inimigo preferido do fanatismo sem escrúpulos que oscila conforme o estado emocional. Esta noite, todos esses episódios dolorosos dissiparam-se por completo.

“Sonhei tantas vezes com isto”

Depois de marcar o golo da vitória, Rotondi percorreu todo o relvado do Estádio Universitário para festejar junto da massa adepta do Cruz Azul, em delírio, abraçados e entregues à loucura. Como se fosse um perdão coletivo, o argentino ergueu os braços e deixou-se envolver pelos seus companheiros.

“Tentei durante um ano e meio e hoje aconteceu”, disse Rotondi após o jogo, com a voz embargada e um semblante sereno. “Queria atirar-me para cima da multidão. Sonhei tantas vezes com este momento que tinha de acontecer”, acrescentou o jogador formado no Newell’s Old Boys.

Ciente de que a vida lhe devia uma, Rotondi não hesitou em recordar os maus momentos que viveu nos últimos anos. “Passei por maus bocados, mas é a minha filosofia de vida: calar, superar e seguir em frente. É uma aprendizagem para a minha família e filhas”, acrescentou.

“Pela 11.ª”

O argentino, que agora será tatuado na pele de milhares de adeptos do Cruz Azul, garantiu que nunca fez declarações após os deslizes e as múltiplas críticas ferozes que recebeu nos últimos anos. “Mordi a língua e nunca deixei de sonhar”, afirmou Rotondi com a medalha de campeão do futebol mexicano ao pescoço.

Enterrando todos os rumores que circularam durante a época sobre a sua saída, Rotondi avisou que agora vai de férias depois de festejar com os seus, mas deixou claro o seu futuro: “Vamos pela 11.ª”. Uma mensagem que hoje é celebrada por todo o povo azul, quase tanto como o golo de meia volta que será eterno no clube de La Noria.