André Ceitil vive nova fase no Académico: "Temos de manter os pés bem assentes no chão"

André Ceitil em destaque no Académico
André Ceitil em destaque no AcadémicoBruno Marques, Flashscore

Reforço de inverno do Académico de Viseu, André Ceitil fala de uma adaptação rápida ao novo clube e de uma equipa que sonha com o regresso à Liga, 37 anos depois. Entre a ambição da subida, as diferenças face à luta pela manutenção e as referências que marcaram o seu percurso, o médio traça nesta entrevista ao Flashscore também o retrato de um jogador de compromisso e trabalho, focado em ajudar o coletivo a alcançar objetivos.

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"Manutenção é importante, mas não tem o mesmo sabor de uma subida"

- Numa fase decisiva da época, o André Ceitil trocou em janeiro o Tondela pelo Académico. Como está a ser a adaptação ao clube viseense?

A adaptação tem sido muito boa e bastante fácil, muito por mérito do grupo de trabalho e do clube, que me acolheram de braços abertos desde o primeiro dia. Já conhecia vários jogadores, alguns até de experiências anteriores, e isso também ajudou a integrar-me rapidamente.

- A equipa está bem posicionada na luta pela subida à Liga, 37 anos depois. Como estão a viver este momento?

Vivemos jogo a jogo, semana a semana. Cada partida é encarada como uma final que queremos ganhar. O foco está sempre no próximo desafio e em somar os três pontos.

André Ceitil fala da luta pela subida no Académico
André Ceitil fala da luta pela subida no AcadémicoOpta by Stats Perform, Bruno Marques

- Sentem que esta pode ser a época da subida?

Estamos bem posicionados, é verdade, mas temos de manter os pés bem assentes no chão. Ainda há muitos pontos em disputa e tudo pode acontecer.

- Na sua carreira já viveu tanto subidas como lutas pela manutenção. O que é mais difícil?

Na minha opinião, é mais difícil lutar pela manutenção. Quando se luta para subir, a equipa está normalmente num momento positivo, com mais confiança. Já na luta pela permanência, o ambiente tende a ser mais pesado e isso torna tudo mais complicado.

- A manutenção sabe ao mesmo que uma subida?

Não. A subida é algo especial, um marco. Significa que fomos das melhores equipas do campeonato. A manutenção é importante, claro, mas não tem o mesmo sabor.

André Ceitil trabalhou com Rui Borges no Vilafranquense
André Ceitil trabalhou com Rui Borges no VilafranquenseAcadémico de Viseu Futebol Clube

"Rui Borges foi o treinador que mais me marcou"

- Como se define enquanto jogador?

Sou um jogador de trabalho, que procura ajudar a equipa em tudo o que for necessário. Gosto de dar equilíbrio, ocupar espaços, contribuir para o coletivo e, quando possível, também ajudar a equipa a jogar melhor. Acima de tudo, valorizo o compromisso e o trabalho.

- Esta época já trabalhou com três treinadores: Ivo Vieira, Cristiano Bacci e agora Sérgio Fonseca. Como os caracteriza?

O Ivo Vieira é um treinador muito ofensivo, que privilegia o jogo para a frente. O Cristiano Bacci é muito rigoroso, muito focado no detalhe, com uma abordagem bastante metódica. O Sérgio Fonseca transmite sobretudo serenidade. Mesmo em momentos mais difíceis, mantém a calma e consegue passar essa confiança à equipa. Além disso, dá liberdade aos jogadores, o que também é importante para o rendimento.

- Essa serenidade ajuda a gerir a pressão?

Sem dúvida. Serenidade e liberdade são fundamentais. Temos um plantel com qualidade e os jogadores precisam de se sentir confiantes para renderem ao máximo.

Os números de André Ceitil
Os números de André CeitilFlashscore

- Olhando para trás, qual foi o treinador que mais o marcou?

É uma pergunta difícil, mas diria o Rui Borges, com quem trabalhei no Vilafranquense. Foi uma das minhas melhores épocas. Destaco também o Filipe Gouveia, que acreditou em mim num momento complicado, após uma lesão no joelho. Deu-me a oportunidade de continuar no plantel principal, o que foi muito importante.

- Teve também uma experiência no estrangeiro, na Roménia. O que o levou a dar esse passo?

Depois da minha primeira época como profissional no Leixões, surgiu a oportunidade de ir para o Universitatea Cluj, um clube com ambição de subida. Era também uma forma de abrir portas para outros mercados. Desportivamente não correu como esperávamos, mas foi uma experiência muito enriquecedora a nível pessoal. Cresci bastante, sobretudo pela experiência de viver longe da família.

- Que memórias guarda dos clubes por onde passou?

Cada clube deixa a sua marca. Mesmo nas experiências menos conseguidas, há sempre crescimento. No estrangeiro, por exemplo, cresci muito como pessoa, ganhei independência. Além disso, levo amizades e relações que mantenho até hoje, o que também é muito importante.

André Ceitil feliz com a mudança para Viseu
André Ceitil feliz com a mudança para ViseuAcadémico de Viseu Futebol Clube

"Todas as pessoas foram importantes, até aquelas que não acreditaram em mim"

- Prefere ganhar jogando mal ou perder jogando bem?

Ganhar, sempre. No futebol, o mais importante são os três pontos.

- O que é que o futebol lhe ensinou para a vida?

Muito do que sou hoje devo ao futebol. Ensinou-me a respeitar, a trabalhar em equipa, a ouvir e também a dar a minha opinião. Ajudou-me a construir os meus valores enquanto pessoa.

- Destaca alguém em particular nesse percurso?

Todas as pessoas foram importantes, até aquelas que não acreditaram em mim. Todas contribuíram para o meu crescimento. Também guardo com carinho as pessoas que me apoiaram e com quem ainda hoje mantenho ligação.

- Que legado gostaria de deixar nos clubes por onde passa?

Gostava de ser lembrado como uma pessoa honesta, trabalhadora, séria e que nunca vira a cara à luta.

- Quais são os objetivos que ainda quer alcançar?

Continuar a jogar, sentir-me útil e ajudar a equipa a conquistar objetivos importantes. E, claro, ganhar títulos. No final da carreira, são essas conquistas que ficam e que marcam o percurso de um jogador.