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"Manutenção é importante, mas não tem o mesmo sabor de uma subida"
- Numa fase decisiva da época, o André Ceitil trocou em janeiro o Tondela pelo Académico. Como está a ser a adaptação ao clube viseense?
A adaptação tem sido muito boa e bastante fácil, muito por mérito do grupo de trabalho e do clube, que me acolheram de braços abertos desde o primeiro dia. Já conhecia vários jogadores, alguns até de experiências anteriores, e isso também ajudou a integrar-me rapidamente.
- A equipa está bem posicionada na luta pela subida à Liga, 37 anos depois. Como estão a viver este momento?
Vivemos jogo a jogo, semana a semana. Cada partida é encarada como uma final que queremos ganhar. O foco está sempre no próximo desafio e em somar os três pontos.

- Sentem que esta pode ser a época da subida?
Estamos bem posicionados, é verdade, mas temos de manter os pés bem assentes no chão. Ainda há muitos pontos em disputa e tudo pode acontecer.
- Na sua carreira já viveu tanto subidas como lutas pela manutenção. O que é mais difícil?
Na minha opinião, é mais difícil lutar pela manutenção. Quando se luta para subir, a equipa está normalmente num momento positivo, com mais confiança. Já na luta pela permanência, o ambiente tende a ser mais pesado e isso torna tudo mais complicado.
- A manutenção sabe ao mesmo que uma subida?
Não. A subida é algo especial, um marco. Significa que fomos das melhores equipas do campeonato. A manutenção é importante, claro, mas não tem o mesmo sabor.

"Rui Borges foi o treinador que mais me marcou"
- Como se define enquanto jogador?
Sou um jogador de trabalho, que procura ajudar a equipa em tudo o que for necessário. Gosto de dar equilíbrio, ocupar espaços, contribuir para o coletivo e, quando possível, também ajudar a equipa a jogar melhor. Acima de tudo, valorizo o compromisso e o trabalho.
- Esta época já trabalhou com três treinadores: Ivo Vieira, Cristiano Bacci e agora Sérgio Fonseca. Como os caracteriza?
O Ivo Vieira é um treinador muito ofensivo, que privilegia o jogo para a frente. O Cristiano Bacci é muito rigoroso, muito focado no detalhe, com uma abordagem bastante metódica. O Sérgio Fonseca transmite sobretudo serenidade. Mesmo em momentos mais difíceis, mantém a calma e consegue passar essa confiança à equipa. Além disso, dá liberdade aos jogadores, o que também é importante para o rendimento.
- Essa serenidade ajuda a gerir a pressão?
Sem dúvida. Serenidade e liberdade são fundamentais. Temos um plantel com qualidade e os jogadores precisam de se sentir confiantes para renderem ao máximo.

- Olhando para trás, qual foi o treinador que mais o marcou?
É uma pergunta difícil, mas diria o Rui Borges, com quem trabalhei no Vilafranquense. Foi uma das minhas melhores épocas. Destaco também o Filipe Gouveia, que acreditou em mim num momento complicado, após uma lesão no joelho. Deu-me a oportunidade de continuar no plantel principal, o que foi muito importante.
- Teve também uma experiência no estrangeiro, na Roménia. O que o levou a dar esse passo?
Depois da minha primeira época como profissional no Leixões, surgiu a oportunidade de ir para o Universitatea Cluj, um clube com ambição de subida. Era também uma forma de abrir portas para outros mercados. Desportivamente não correu como esperávamos, mas foi uma experiência muito enriquecedora a nível pessoal. Cresci bastante, sobretudo pela experiência de viver longe da família.
- Que memórias guarda dos clubes por onde passou?
Cada clube deixa a sua marca. Mesmo nas experiências menos conseguidas, há sempre crescimento. No estrangeiro, por exemplo, cresci muito como pessoa, ganhei independência. Além disso, levo amizades e relações que mantenho até hoje, o que também é muito importante.

"Todas as pessoas foram importantes, até aquelas que não acreditaram em mim"
- Prefere ganhar jogando mal ou perder jogando bem?
Ganhar, sempre. No futebol, o mais importante são os três pontos.
- O que é que o futebol lhe ensinou para a vida?
Muito do que sou hoje devo ao futebol. Ensinou-me a respeitar, a trabalhar em equipa, a ouvir e também a dar a minha opinião. Ajudou-me a construir os meus valores enquanto pessoa.
- Destaca alguém em particular nesse percurso?
Todas as pessoas foram importantes, até aquelas que não acreditaram em mim. Todas contribuíram para o meu crescimento. Também guardo com carinho as pessoas que me apoiaram e com quem ainda hoje mantenho ligação.
- Que legado gostaria de deixar nos clubes por onde passa?
Gostava de ser lembrado como uma pessoa honesta, trabalhadora, séria e que nunca vira a cara à luta.
- Quais são os objetivos que ainda quer alcançar?
Continuar a jogar, sentir-me útil e ajudar a equipa a conquistar objetivos importantes. E, claro, ganhar títulos. No final da carreira, são essas conquistas que ficam e que marcam o percurso de um jogador.
