Na reunião magna, durante a tarde de hoje, na sede da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), no Porto, a revalidação teria de reunir a aprovação de 75% das sociedades desportivas, o que não se verificou, apesar dos 12 votos a favor registados.
O Nacional foi o único clube do principal escalão a não comparecer e não teve voto contabilizado, numa Assembleia Aeral (AG) em que, além do emblema alvinegro, o Marítimo foi o único clube do futebol profissional que não se fez representar.
A pedido de várias sociedades desportivas, o sufrágio decorreu com voto secreto e não por braço no ar dos representantes, como tem sido habitual noutros atos deliberativos.
A proposta visava revalidar o modelo de distribuição, ratificada por unanimidade em AG, em setembro de 2024, que permitiu aos clubes da Liga 2 receberem um valor recorde de 6,1 milhões de euros (ME) em 2024/25, distribuído de forma equitativa, ficando de fora as equipas B.
Porém, a seguir ao chumbo, os trabalhos da AG foram suspensos pela Mesa, por "questões técnicas", estando por definir uma nova data para a retoma, como referiu o presidente do órgão social, António Saraiva.
"Surgiram dúvidas de interpretação, quer na assembleia de 27 de setembro de 2024, quer hoje. (...) Se a assembleia de hoje era para revalidação de uma decisão tomada, com a não revalidação surgem questões que são importantes de esclarecer com pareceres que ainda não temos. Por isso, suspendemos e iremos retomá-la brevemente, já mais sustentados", explicou António Saraiva, em conferência de imprensa conjunta com o líder da LPFP.
"A ganância individual sobrepôs-se ao interesse coletivo", disse Paulo Lopo
Reinaldo Teixeira concretizou que a ausência do Nacional foi um desses fatores e assegurou que a nova convocatória será concretizada necessariamente para breve: "Esta votação precisa de ser sustentada quanto às suas consequências e os trabalhos serão retomados brevemente, logo que tratadas todas as dúvidas de alguma tecnicidade, como o facto de não podermos adivinhar o sentido de voto de quem não esteve presente".
O presidente do organismo que tutela o futebol profissional em Portugal assumiu que é nos clubes da Liga 2 que recai a "maior parte do impacto financeiro" pela decisão e manifestou a sua vontade em que seja conseguida uma "plataforma de entendimento".
"Temos de ver que a vontade foi clara, com 12 votos favoráveis à revalidação da distribuição destas verbas. Ficam a faltar dois votos para a proposta passar num universo de seis. A vida é feita de momentos de algumas divergências, as sociedades vão trabalhar para um entendimento", disse, rejeitando a ideia de que a reunião possa ter afetado a coesão entre os clubes.
O presidente do Estrela da Amadora, Paulo Lopo, deu voz ao desagrado pela não revalidação da proposta, em comunicado nas suas redes sociais, abordando o que considera um "dia negro na história do futebol português".
"Quebrou-se, de forma grave, uma regra basilar do futebol: a solidariedade. Uma solidariedade que sempre foi o cimento do nosso ecossistema competitivo e que hoje foi colocada em causa por uma visão egoísta e de curto prazo. (...) Falamos de um futebol onde os valores garantidos não permitem, sequer, assegurar o pagamento do salário mínimo a um plantel de 25 jogadores e respetiva equipa técnica. Num contexto destes, a solidariedade não é um favor: é uma necessidade estrutural", pode ler-se.
