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Quatro anos depois da queda aos escalões não profissionais, a Académica está de volta à Liga 2 e não podia ter desejado um regresso mais feliz. Três jornadas, três vitórias e nove pontos que colocaram os estudantes entre as principais figuras deste início de campeonato. Mais do que os resultados, porém, há uma imagem que começa novamente a tornar-se habitual em Coimbra: milhares nas bancadas, entusiasmo e uma comunhão entre equipa e adeptos que há muito não se via.
Na primeira partida em casa, mais de cinco mil pessoas passaram pelas bancadas do Cidade de Coimbra, naquela que foi a maior assistência da jornada na Liga 2. Dias depois, cerca de 1500 adeptos acompanharam a equipa até Tondela e ajudaram a transformar uma deslocação à Beira Alta numa nova demonstração de força da massa adepta academista.
Uma ligação que não nasceu apenas com as três vitórias desta temporada. Vem sendo construída ao longo dos últimos meses e é, para o treinador da Académica, um dos maiores sinais da transformação vivida no clube. "Sabemos que os nossos adeptos se apaixonaram por esta equipa. Pela forma como corre, luta e compete, nos bons e nos maus momentos. Têm enchido o estádio há cerca de meio ano, de forma consecutiva. Para nós, é muito importante a cidade de Coimbra reaproximar-se e voltar a apaixonar-se pela Académica", explicou após o triunfo em Tondela.
"Felizmente, hoje existe um ambiente de alegria, paixão e proximidade, que se vê naquilo que todos fazemos diariamente, do presidente ao jardineiro e ao roupeiro. Existe um sentido de união, de pertença e de trabalho muito grande. Acho que é também por isso que os adeptos nos apoiam e porque acreditam que, dentro de campo, vamos dar o máximo", acrescentou.
Pés bem assentes no chão
O investimento tem sido sustentado e longe dos maiores orçamentos da competição, mas a ambição não desaparece por isso. A receita passa, sobretudo, por trabalhar sem procurar atalhos ou justificações. "A Académica está a trabalhar todos os dias. Não procura desculpas, procura criar soluções", vincou o técnico, lembrando que os adeptos também reconhecem essa postura: "Sabem que não temos o melhor orçamento, estamos no topo inferior da tabela. Mas trabalhamos todos os dias para sermos melhores, com muita humildade, reconhecendo as nossas limitações, mas também as nossas forças."
"A Académica, pelo seu peso, pela força da sua massa adepta e por conhecermos aquilo que foi um passado bem recente, que até vivemos em conjunto, tem adeptos muito conscientes de que precisam de continuar a apoiar. Sabem que esta equipa terá naturalmente de crescer, que estamos numa fase inicial e que ainda há muito campeonato pela frente", prosseguiu.

O arranque perfeito aumenta naturalmente o entusiasmo em redor da equipa, mas dentro do balneário a palavra de ordem continua a ser contenção. "A euforia trava-se com determinação, trabalho e constância. É natural que os adeptos fiquem felizes. Felizmente, durante estes últimos tempos, temos batido muitos recordes. Mas, dentro do balneário, não há euforia", garantiu António Barbosa, consciente de como rapidamente o cenário pode mudar numa competição tão equilibrada como a Liga 2.
Por isso, apesar dos nove pontos em nove possíveis, a Académica mantém os pés bem assentes no chão. O passado recente ainda está suficientemente próximo para servir de aviso, enquanto o presente devolve esperança a uma cidade que volta a olhar para a Briosa com entusiasmo. O objetivo, para já, é claro: "Manter a Académica nos campeonatos profissionais e assegurar uma continuidade de que é mais do que capaz."
Se o início de época não garante nada mais do que nove pontos, pelo menos deixa uma certeza: Coimbra voltou a acreditar na Académica.
