Análise: As amarras de Richard Ríos

Ríos em ação contra o FC Porto
Ríos em ação contra o FC PortoSL Benfica

O médio colombiano chegou ao Benfica no verão depois de se destacar ao serviço do Palmeiras. Não conseguiu confirmar em Lisboa as qualidades que o levaram a ser uma das peças-chave para Abel Ferreira.

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Na ressaca do clássico que viu o Benfica empatar com o FC Porto e praticamente dizer adeus ao título, houve uma imagem que se tornou viral. No contra-ataque que resulta no golo de Pietuszewski, Richard Ríos e João Pinheiro realizaram um sprint do mesmo local do campo até à área encarnada, com o árbitro a mostrar mais velocidade que o médio cafetero.

Será o menos grave de um lance aos 39 minutos em que o Benfica colocou 9 jogadores na cercania da área adversária, mas ficou na retina dos adeptos e serviu como arma de arremesso para Ríos que tarda em afirmar-se na Luz.

Contratado por 27 milhões de euros, o médio parece não mostrar o futebol que o levou a ser uma das peças principais do Palmeiras de Abel Ferreira

Amarras táticas ou mentais

Richard Ríos chegou ao Benfica como um jogador rotativo, um box-to-box, tenaz defensivamente no que toca aos duelos e capaz de chegar à área contrária com uma boa capacidade de remate.

Olhando para o gráfico da última época que fez no Palmeiras, Ríos é um jogador completo no meio-campo. Tem uma média de 8,3 ações defensivas por jogo, com 6,5 roubos de bola, sendo que a isso junta 2,7 dribles por jogo, 1,8 remates e 1,1 toques na área adversária. 

No Benfica parece ter perdido amplitude. Se passou a fazer mais remates por jogo (2,5 contra 1,8) e a pisar a área adversária mais (2,1), perdeu contundência defensiva – menos ações defensivas e roubos de bola – e também preponderância com bola – menos dribles tentados.

A comparação de Ríos no Benfica e no Palmeiras
A comparação de Ríos no Benfica e no PalmeirasOpta by Stats Perform

Barreiro como Ríos

E este não parece ser o caso de uma amarra tática, já que Mourinho dá liberdade ao médio menos defensivo do duplo pivô para ter uma amplitude maior. Prova disso é Leandro Barreiro. O internacional luxemburguês afirmou-se ao lado de Frederik Aursnes e a grande novidade que traz em relação a Ríos é exatamente a amplitude que confere.

Se olharmos para os gráficos de ambos, o colombiano é um jogador em mais contacto com a bola (66 toques por jogo contra 53) e tem melhores números em termos defensivos, ainda que não sejam por uma margem significativa. Contudo, onde Barreiro se distingue é ofensivamente.

Partindo de trás, o médio tem grande facilidade em entrar na área contrária. Prova disso é o facto de praticamente ter o dobro dos toques na zona restrita do adversário quando comparado com Ríos (4,1 contra 2.1) e embora remate menos (1,3 contra 2,4), tem golo, algo que falta ao cafetero na Liga.

Os números de Barreiro e Ríos
Os números de Barreiro e RíosOpta by Stats Perform

De resto, observados os terrenos pisados por ambos em jogos com semelhanças percebe-se a amplitude de um de outro. 

AFS e Rio Ave são equipas que ocupam a metade inferior da tabela e adversários contra os quais a equipa de Mourinho teve mais de 60% da posse de bola e venceu por uma diferença igual ou superior a dois golos.

Leandro Barreiro foi titular diante do Rio Ave, jogando ao lado de Aursnes que teve funções mais defensivas. Partindo do meio-campo, procurou a zona em frente à área e pisou várias vezes a área adversária.

Por contraste, Richard Ríos foi titular diante do AFS. Teve menos um toque que Barreiro na área adversária e descaiu principalmente para o lado direito do ataque, afastando-se de zonas de decisão.

Os terrenos pisados por Barreiro e Ríos
Os terrenos pisados por Barreiro e RíosOpta by Stats Perform

Com Enzo Barrenechea e Fredrik Aursnes lesionados, esta dupla poderá ser titular diante do Arouca, mas quando o norueguês recuperar e assumir o lugar que parece ser seu, Barreiro parece mais o Richard Ríos que o meio-campo do Benfica precisa neste momento.