O líder bracarense começou a sua participação na conferência Portugal Football Summit a assinalar as diferenças entre a sua chegada à presidência do clube minhoto, em 2003, com homólogos como Pinto da Costa, Valentim Loureiro, João Bartolomeu, Aprígio Santos e Carlos Pereira, para a atualidade.
“Éramos capazes de nos sentar à mesa e encontrar grandes objetivos para o futebol português. Hoje, os clubes têm caminhado para um profissionalismo, com as SAD, o que não quer dizer que seja mau, mas numa Assembleia-Geral da Liga posso até nem conhecer os presidentes. Não quer dizer que seja negativo, mas o que se conseguia, em compromissos, antigamente, hoje é mais difícil”, assinalou.
Aos 55 anos, António Salvador é o presidente há mais anos em exercício em clubes das competições profissionais nacionais, depois de ter chegado ao cargo para um mandato de dois anos, a fim de salvar o clube.
“Eu sou o presidente mais antigo no futebol português, mas gostaria de ser visto como o mais moderno, por querer sempre algo mais para o clube (…). Não corro por nenhuma marca, mas pelos objetivos e pelo que os sócios pretendem para o clube, um clube melhor, mais moderno, mais competitivo e que possa conquistar algo”, vincou.
Nesta viagem por duas décadas, o dirigente reconhece que “o futebol português está muito melhor do que estava no passado, ao nível de jogadores, treinadores, das infraestruturas”.
“E ganhámos uma projeção muito forte”, salientou, apontando o atual treinador do Real Madrid, José Mourinho, como “muito responsável pelo posicionamento de Portugal nos últimos 20 anos”.
Salvador recordou os “quatro clubes portugueses em finais europeias”, para defender um pensamento da modalidade “a uma década”, recorrendo ao exemplo da centralização dos direitos audiovisuais para demonstrar o imediatismo do futebol nacional.
“A centralização é agora uma realidade, com todas as aprovações dos últimos tempo, e vai ser implementada para 2028, mas já devia ter sido há anos. O foco da centralização não devia ser quanto vamos dar aos primeiros, mas quando vamos dar a mais aos mais pequenos, para aumentar a competitividade do futebol português”, defendeu, considerando que, “por si só, não acrescenta nada”.
Isto porque, segundo Salvador, apesar dos recentes feitos europeus dos clubes nacionais, “o desequilíbrio financeiro é cada vez maior”.
“O que o SC Braga alcançou na época passada (foi semifinalista da Liga Europa, sendo eliminado pelos alemães do Friburgo) e o Sporting, nos quartos da Liga dos Campeões, são feitos ainda mais incríveis, pelos meios que temos. Sendo muito difícil, queremos muito voltar a ter finais nos próximos tempos”, rematou.
Regressando ao SC Braga, e mesmo sem verbalizar a ambição de chegar ao título de campeão nacional – “todos sabem qual é o meu objetivo e o propósito para trabalhar todos os dias” –, o líder minhoto apontou a necessidade premente de melhorar o estádio bracarense.
“É um estádio muito simbólico, arquitetonicamente, mas não foi preparado para o futebol de hoje, para o que é necessário para os adeptos, em termos de hospitalidade, sobretudo para conseguir angariar mais receitas. Além de simbólico, tem de ser acolhedor e também um fator de captação de receitas. A remodelação do estádio está em estudo”, assegurou, apresentando um orçamento de 50 milhões de euros (ME) para esta intervenção, após entendimento com a Câmara Municipal de Braga.
Este investimento – cinco anos depois de gorada a hipótese de compra e consequente renovação do antigo Estádio 1.º de Maio - vai somar-se aos 80 ME já gastos em infraestruturas e na melhoria das condições de trabalho, também hoje destacadas por Salvador.
