Recorde aqui as incidências do encontro
Os azuis e brancos entraram no Dragão com os olhos postos na Europa e no título, procurando dilatar para sete pontos a vantagem no topo da tabela. Com quatro vitórias consecutivas, Francesco Farioli promoveu três alterações, lançando Alberto Costa, Rodrigo Mora e Terem Moffi - Gabri Veiga estava castigado - a pensar no duelo decisivo dos quartos de final da Liga Europa de quinta-feira. Pela frente, os dragões encontraram um Famalicão em estado de graça, que repetiu o onze do último triunfo para voltar ao 5.º lugar e quebrar o enguiço de ainda não ter pontuado contra os três grandes.

Do(s) susto(s) à eficácia em 30 minutos
Os primeiros 30 minutos no Dragão foram de um domínio estéril do FC Porto, amarrado pela excelente organização famalicense. Os visitantes entraram muito bem e tiveram as melhores ocasiões para inaugurar o marcador: logo aos 4 minutos, Diogo Costa evitou o pior com uma mancha monumental a remate de Sorriso, isolado por um inspirado Gustavo Sá, que tinha feito um túnel a Froholdt. A toada manteve-se com Mathias de Amorim a disparar a rasar a trave e o próprio Gustavo Sá a atirar um passe para a baliza que rasou o poste, aos 29 minutos. O líder sobrevivia por um fio, perante um adversário que já somava três oportunidades claras de golo em meia hora.
Contudo, o pragmatismo portista acabou por ditar a lei aos 36 minutos. Mora levantou um cruzamento que gerou o caos na área minhota, com Carevic a chocar com um companheiro de equipa, e Terem Moffi foi astuto ao amortecer de peito para o remate certeiro de Alberto Costa. Foi o primeiro golo do lateral com a camisola azul e branca, embora a experiência de Bednarek tenha falado mais alto, com o defesa a aproveitar os festejos para reunir a equipa e dar instruções.
Já em vantagem, e mesmo com queixas visíveis na coxa, Rodrigo Mora ainda assinou um último detalhe de génio aos 39 minutos: um toque de calcanhar que lançou Pepê para um remate perigoso. Foi o canto do cisne do jovem prodígio, que aos 43 minutos não aguentou mais a dor e cedeu o lugar a Seko Fofana. Antes do descanso, o Famalicão ainda reclamou penálti por cotovelada de Zaidu sobre Gustavo Sá, mas o VAR não viu motivos para castigo máximo, mantendo o 1-0 no marcador.

Gestão furada
No regresso dos balneários, Francesco Farioli voltou a mexer no xadrez, aprofundando a gestão física da equipa. Com Zaidu condicionado desde a primeira parte, o técnico lançou Martim Fernandes e abdicou de Oskar Pietuszewski para dar lugar a William Gomes, tentando refrescar os corredores. No entanto, a aposta saiu furada. Logo após um remate perigoso de Seko Fofana, o Famalicão desenhou um contra-ataque de manual pelo flanco esquerdo. Rafa Soares cruzou para uma grande cabeceamento de Elisor e uma defesa ainda melhor de Diogo Costa, mas na recarga Sorriso empurrou para o fundo das redes. O brasileiro isolou-se como o melhor marcador dos famalicenses na prova.
Os festejos junto da bancada dos adeptos locais provocaram alguns desentendimentos e picardias, mas de volta aos incidentes dentro das quatro linhas, Farioli não hesitou e operou a quarta alteração com a entrada de Deniz Gul por Moffi, enquanto Hugo Oliveira perdeu Mathias de Amorim, por lesão, sendo rendido por Macos Peña. Os portistas ainda pediram penálti sobre Deniz Gul numa altura em que os ânimos começavam a aquecer, com cartões amarelos mostrados Bednarek e Varela.
Talismã foi curto para a vingança da formação
A 15 minutos do fim, Francesco Farioli esgotou as substituições com a entrada de Borja Sainz, lançando toda a carne no assador. Contudo, a inspiração parecia ter ficado no banco e o pragmatismo deu lugar ao nervosismo, com os dragões a chegarem ao minuto 90 sem um único remate enquadrado em toda a segunda parte. Aos 90+1 minutos, Seko Fofana voltou a vestir a pele de salvador, ou assim parecia. O médio marfinense pegou na bola, galgou metros deixando vários adversários pelo caminho e, já na área, desferiu um remate colocado junto à malha lateral. Depois de já ter faturado contra Sporting e SC Braga, o talismã de Farioli parecia ter garantido três pontos de ouro para segurar a distância de sete pontos no topo.
Contudo, o futebol reservava um último e cruel capítulo. No derradeiro fôlego do jogo, aos 90+9 minutos, um lance de enorme confusão na área portista permitiu a Rodrigo Pinheiro aparecer no sítio certo para desviar para o fundo das redes. O lateral formado nos dragões aplicou um duro golpe de teatro ao líder, gelando as bancadas e resgatando um empate importantíssimo para o Famalicão. Em vez da fuga, o FC Porto viu a sua vantagem estacionar nos cinco pontos, enquanto os famalicenses voltaram ao quinto lugar e somaram o primeiro ponto diante dos três grandes.
Melhor em campo Flashscore: Seko Fofana (FC Porto).

