Recorde as incidências da partida
"A nossa Liga dos Campeões é o campeonato". Rui Borges foi claro. Depois de bater o campeão europeu Paris SG a meio da semana, o foco do campeão nacional tinha de estar em Arouca, onde as condições meteorológicas faziam antever um jogo mais complicado do que o da primeira volta, que acabou com uma goleada (6-0) em Alvalade.

Frio de Arouca não gelou o goleador do momento
A equipa de Vasco Seabra está, nesta fase, mais equilibrada defensivamente e o desgaste motivado pelo jogo europeu podia pressionar um Sporting que voltou a ter Hjulmand no onze e que contou com nomes fortes no banco, como Pote e Diomande. O conjunto arouquense não apresentou linhas baixas e o Sporting foi explorando o espaço nas costas da defesa arouquense, mas, como se previa, não foi fácil bater o uruguaio De Arruabarrena.
Rui Silva passou a primeira parte sem fazer qualquer defesa, apesar do remate relativamente perigoso de Barbero (8') na fase inicial da partida, mas o Arouca também não abriu o jogo aos leões, que conseguiam encontrar espaço através de lançamentos longos dos defesas - Inácio esteve em evidência no lançamento, sobretudo para o corredor esquerdo -, mas não conseguiram criar ocasiões evidentes.
Suárez (16’ e 21’) ameaçou após passe de Luís Simões e, mais tarde, desperdiçou uma ocasião clara, ao rematar às malhas laterais depois de contornar De Arruabarrena.
O lado estava mais do que identificado, mas, com mais ou menos dificuldade, o Arouca estava a conseguir resolver os problemas do corredor direito defensivo, até que Maxi conseguiu segurar um passe longo de Hjulmand e Suárez (35'), ainda motivado pelo bis frente ao Paris SG, finalizou com classe, depois de iludir três defesas.
O mais difícil estava feito. A equipa da casa tinha conseguido manter o Sporting relativamente distante da baliza, mas mostrara poucos argumentos ofensivos. Ao intervalo, o conjunto de Vasco Seabra não tinha qualquer remate enquadrado e precisava de arriscar mais para discutir o resultado. É certo que esse risco podia ser fatal para uma das piores defesas da Liga, mas se há coisa que este Arouca gosta é de atacar.

Água pela barba
Depois de 45 minutos longe da baliza do Sporting, o Arouca fez o primeiro remate enquadrado por Djouahra (46’), apenas segundos após o reatamento, deixando claras as intenções mais ofensivas da equipa de Vasco Seabra. O primeiro aviso não foi ignorado e, pouco depois, Barbero (48’) restabeleceu a igualdade, num lance bem trabalhado pela equipa da casa e finalizado com o pé esquerdo do avançado espanhol.
O Arouca não se escondeu atrás do empate e fez do risco uma escolha consciente. Vasco Seabra pedia mais junto à lateral e os arouquenses exploraram sem a linha defensiva excessivamente subida do Sporting para ameaçar a reviravolta. Num desses lances, Djouahra (54’) apareceu nas costas da defesa e só uma grande intervenção de Rui Silva evitou o 1-2. O aviso foi sério e, por uns minutos, o jogo deixou de ter um dono declarado.
Se na primeira parte houve inspiração coletiva, na segunda o Sporting viveu sobretudo de iniciativas individuais. Luís Guilherme mexeu com o jogo pela velocidade, mas falhou na definição, enquanto Trincão e Geny passaram ao lado do encontro. De tal forma que o internacional português acabou por ceder o lugar ao regressado Pote (69’), num sinal claro de Rui Borges à procura de um rasgo de génio que desbloqueasse a partida.
Dos pés do camisola 8 saiu a bola para o último lance de verdadeiro perigo antes do desfecho, com Hjulmand a cabecear para uma grande defesa de De Arruabarrena. Pouco depois, porém, surgiu o novo herói verde e branco: Luis Suárez aproveitou um excelente cruzamento de Geny e voltou a atingir a glória de leão ao peito, mantendo o Sporting vivo na luta pelo título.
Homem do jogo Flashscore: Luis Suárez (Sporting)

