Recorde as incidências do encontro
O calendário vai apertar no mês de março, mas a exigência de cada encontro obriga os treinadores a uma gestão mais minuciosa. Carlos Vicens mudou duas peças em relação ao triunfo apertado na Choupana, recuperando Moutinho e colocando Paulo Oliveira no lugar do lesionado Barisic. Rui Borges fez o óbvio, chamando Pedro Gonçalves ao onze depois dos minutos no Clássico contra o FC Porto.

Se o pré-jogo não trouxe grandes surpresas, a primeira parte foi um verdadeiro duelo de treinadores. O SC Braga teve mais bola durante os primeiros minutos, chegando a ter perto do triplo dos passes efetuados pelo Sporting, mas sempre longe da baliza de Rui Silva. Foi preciso esperar mais de 30 minutos para o primeiro remate, mas já lá vamos.

Via verde à direita
Os leões começaram a perceber as ideias bracarenses e os arsenalistas caíram no engodo da atração. A ideia de ter bola de forma apaixonada foi o pecado mortal destes enamorados da posse, com Trincão, Pote e Maxi foram os iscos leoninos, o Sporting criou perigo ao encontrar espaço no corredor direito, o esquerdo do SC Braga, onde o espaço era mais do que evidente.
Geny usou e abusou desse corredor, mas pecou na definição em três ocasiões, adiando o cenário de golo para o Sporting, que chegou de bola parada: Pedro Gonçalves bateu o canto à esquerda, precisamente depois de um remate do moçambicano desviado por Arrey-Mbi e Gonçalo Inácio (22') teve espaço para desbloquear o nulo.
A partir do banco, Rui Borges entendeu as ideias de Vicens e o espanhol mostrava vontade de dar novas instruções aos seus jogadores, forçando uma paragem de jogo com a já habitual lesão do guarda-redes instantes depois de Suárez (24') desperdiçar o 0-2 na cara de Hornicek, que fez uma grande intervenção para negar o tento do colombiano, bem servido por Morita.

Mesmo com menos bola, o Sporting foi a equipa superior até aos 26 minutos, altura em que os jogadores recolheram aos bancos e Vicens pediu a Pau Víctor para baixar ainda mais no terreno, tirando uma referência defensiva à marcação do Sporting. A estratégia foi montada nesta espécie de time out pirata e os frutos foram colhidos aos 34 minutos. Moutinho lançou Zalazar com um passe longo que fez lembrar que "bate bem", Geny vacilou na marcação ao uruguaio e a receção foi meio-golo antes do tiro de Ricardo Horta para o 1-1.
O futebol é duro e Suárez estaria ainda a pensar naquele lance desperdiçado com Hornicek. Em jogos destes, um detalhe faz toda a diferença e o SC Braga ficou por cima do jogo depois daquela pausa, até que no período de descontos um penálti cometido por Arrey-Mbi deu ao próprio Suárez o momento de redenção, com o internacional cafetero a repor a vantagem leonina desde a marca dos 11 metros e a lançar o conjunto de Rui Borges para os balneários com a possibilidade de rever a estratégia para evitar o cenário vivido em Alvalade.
Outra vez o mesmo filme
Os 15 minutos de descanso serviram para os treinadores voltarem ao quadro tático e explicarem as ideias para a segunda parte, que foi claramente diferente. O Sporting adotou um modelo a fazer lembrar a época passada, enquanto o SC Braga manteve-se fiel à ideia de ter bola no último terço, mas colocando mais elementos em zonas ofensivas, com Moutinho a subir mais no terreno enquanto teve pulmão para isso.

A ideia leonina passava por evitar a repetição do golo de Zalazar e não dar mais espaço nas costas, procurando, isso sim, o espaço em profundidade na defesa bracarense, com Suárez a fazer movimentos à Gyökeres junto ao corredor esquerdo e Geny a tentar dar solução à direita, mas sem o espaço que teve na primeira parte.

Estas mudanças táticas levaram o duelo para o meio-campo do Sporting, mas as ocasiões dividiram-se. Ricardo Horta (60') falhou o empate na pequena área. Gonçalo Inácio (63') teve o 1-3 no calcanhar, mas atirou fraco para as mãos de Hornicek. A margem mínima levou os treinadores a repensar as ideias e a fazer alterações - Vicens trocou Moutinho e Diego por Gorby e Garbi, enquanto Rui Borges tirou Morita e Pote para lançar Luís Guilherme e João Simões, antes de pôr Eduardo Quaresma a fechar à direita.
A tensão era palpável e aquele bloco de ideias apresentado pelos treinadores passou a funcionar apenas no plano defensivo, com as duas equipas a limitarem-se a tentativas de fora da área e a margem do marcador a criar ansiedade nas duas equipas numa altura em que o desgaste leonino era mais evidente. A equipa de Rui Borges esteve perto de superar essas limitações só que, tal como em Alvalade, um penálti cometido nos descontos, desta vez por Gonçalo Inácio, permitiu a Zalazar (90+6') fazer o empate que pode deixar o Sporting a seis pontos do FC Porto, caso os dragões vençam no Estádio da Luz.
Homem do jogo: Rodrigo Zalazar (SC Braga)
