Recorde as incidências do encontro
Cada vez que há jogos europeus, fala-se da mudança de chip. A reviravolta épica do Sporting na Liga dos Campeões deixou a equipa de Rui Borges motivada para atacar o último jogo da Liga antes da pausa internacional, mas, caso os leões ainda não tivessem percebido que a realidade agora era outra, o atraso de oito minutos no arranque da partida, por causa de uma bandeirola de canto, e a longa demora dos adeptos a entrar no estádio serviram para fazer descer o Sporting à terra e operar essa mudança.

Mudança de chip e o azar de Nuno Santos
Depois da vitória do Benfica, os leões perderam o segundo lugar de forma provisória, mas entraram em campo ainda a pensar no primeiro posto, até porque o FC Porto tem uma deslocação difícil a Braga. Por isso, Rui Borges não descansou nenhum dos titulares do jogo louco da Liga dos Campeões, com exceção de Maxi Araújo, que estava castigado e foi substituído por Nuno Santos. O esquerdino voltou a ser titular mais de 500 dias depois, mas esteve apenas 27 minutos em campo, depois de sair em lágrimas, com dores na face posterior da coxa.

Ainda com Nuno Santos, o Sporting teve a sua melhor fase da primeira parte. O volume ofensivo não era imenso, nem fazia os adeptos, ainda no exterior do estádio, sentir que estariam a perder um grande jogo, mas a partida começou cedo a ter apenas o sentido da baliza de André Gomes.

O guardião emprestado pelo Benfica afastou dois cruzamentos e um remate forte e desviado de Geny, mas não conseguiu evitar o remate à Pedro Gonçalves (22'). A colocação clássica faz com que nem seja necessário descrever o lance que resultou no 0-1 do Sporting, com Morita envolvido à esquerda e o internacional português a ler o alívio de Lincoln e a antecipar toda a jogada, como se fosse um mero movimento de xadrez.
A lesão de Nuno Santos quebrou o ritmo do Sporting e deixou problemas no corredor esquerdo. Vagiannidis voltou a dar razão a Rui Borges e entrou mal na partida. O Alverca procurou aproveitar e foi por esse flanco que lançou Sandro Lima. O avançado, que já tinha marcado em Alvalade, ficou novamente perto de marcar ao Sporting, mas o desvio de cabeça passou ao lado da baliza de Rui Silva.
O peso do jogo europeu já se sentia na falta de intensidade do Sporting e os avisos da equipa de Custódio, que acabou a primeira parte com mais remates efetuados, serviram para manter os leões ligados ao jogo no início da segunda parte.

Pernas para a goleada
O intervalo serviu para carregar baterias e, nestes tempos modernos de carregamentos rápidos, os jogadores do Sporting subiram ao relvado novamente com a energia a 100 por cento. Luís Suárez (46') viu um penálti assinalado a seu favor, por falta de André Gomes, mas nem depois de dizer a João Pinheiro que não havia motivos para grande penalidade evitou o cartão amarelo por simulação, depois de o VAR aconselhar o árbitro a ver as imagens.
O sul-americano ficou irritado. Tão irritado que, assim que recebeu um passe longo de Morita, não refletiu: ainda de cabeça quente, puxou para o meio e rematou potente, fora do alcance de André Gomes, para o 0-2, que celebrou com um olhar fulminante na direção do árbitro.
Ao contrário do que aconteceu na primeira parte, o Alverca não teve forças para reagir. Nabil, numa aventura pela direita, ainda ameaçou com um remate que passou ao lado da baliza de Rui Silva, mas o Sporting manteve o cruise control num nível assinalável até que Geny (68') carregou no acelerador para fazer o 0-3, com um grande golo de pé esquerdo, depois de deixar Isaac James pelo caminho.
Depois disso, o Sporting ativou finalmente a poupança de bateria, Rui Borges geriu o plantel e o Alverca aproveitou para reduzir com um belo golo de Marezi (83'), mas Pedro Gonçalves (86'), de livre direto, fez o 1-4 e saiu em dificuldades físicas já nos descontos. Depois deste triunfo bem conseguido, os jogadores leoninos vão assistir ao SC Braga - FC Porto enquanto fazem banhos de gelo. Merecem.
Homem do jogo Flashscore: Pedro Gonçalves (Sporting)
