A temporada de estreia para o técnico italiano Francesco Farioli tem estado próxima da perfeição no capítulo dos resultados, com 16 vitórias e um empate em 17 jornadas (49 pontos, em 51 possíveis) no campeonato, que representam a melhor pontuação ao final da primeira metade em campeonatos a 18 equipas.
O momento dos portistas, que lhes permitiu, com a vitória frente ao Santa Clara (1-0), no domingo, aumentar para sete pontos a distância para o segundo classificado Sporting, não tem paralelo no passado recente do clube, sendo necessário recuar quatro temporadas até à última liderança em período homólogo.
Em 2021/22, os dragões, com 47 pontos, chegavam à segunda volta com mais três do que o Sporting e sete do que o Benfica, no último de três títulos da Liga conquistados por Sérgio Conceição, em sete temporadas no comando técnico do emblema azul e branco.

Nessa temporada, o FC Porto conseguiu alargar ainda mais a sua vantagem na segunda volta - seis para o Sporting e 17 para o Benfica - e acabaria com o recorde pontual de toda a história do futebol português (91), mesmo tendo vendido o extremo colombiano Luis Díaz, uma das principais referências do plantel, para o inglês Liverpool no mercado de janeiro.
O registo de Conceição - 15 vitórias e dois empates - foi agora ultrapassado, assim como o do Benfica de 2019/20, que somou 48 pontos, com 16 vitórias e uma derrota.
Anteriormente, apenas havia sido líder em 2018/19, numa época que deve servir de alerta para os portistas: o FC Porto, à data campeão nacional, levava uma vantagem significativa de cinco pontos para o Benfica, que ocupava a segunda posição, mas os encarnados, com a entrada de Bruno Lage para o comando técnico, conseguiram reverter a situação e tornar-se campeões.
Na época anterior, em que o FC Porto quebrou um jejum de cinco anos sem o título, também assumia o topo da classificação ao final da primeira volta, com dois escassos pontos de avanço para o Sporting.
Assim, desde o alargamento da Liga a 18 emblemas em 2014/15, o FC Porto chegou à 17.ª ronda em vantagem por quatro vezes, tendo conseguido conquistar o título nacional em três. É, portanto, um histórico recente otimista para o clube, que, em sentido inverso, nunca foi capaz de reverter situações em que corria atrás do prejuízo no mesmo período.
Para encontrar tamanha vantagem do FC Porto ao final da primeira volta, é preciso recuar a 2010/11, quando André Villas-Boas assumia o papel de treinador principal e levava oito pontos de avanço para o Benfica.
Nessa mesma época, os azuis e brancos conquistaram campeonato, Taça de Portugal, Supertaça Cândido de Oliveira e Liga Europa e é também uma das equipas mais próximas de equiparar ao momento do FC Porto da era Farioli.

À 15.ª jornada, somava 41 pontos, com apenas dois empates cedidos, levando 36 golos marcados e seis sofridos. Porém, não mostrou qualquer sinal de complacência e acabaria a temporada com uns impressionantes 19 pontos de distância em relação às águias.
Desde 1972/73, nenhum clube foi capaz de obter resultados tão positivos nesta fase da temporada como o atual FC Porto. Há 53 anos, o Benfica, orientado pelo britânico Jimmy Hagan, venceu todos os 15 jogos da primeira volta, mas somou 30 pontos, numa altura em que a vitória valia apenas dois.
Na atual edição, o FC Porto apenas leva quatro golos sofridos em todo o campeonato, sendo a melhor defesa da prova, e apenas não manteve a sua baliza a zeros em quatro ocasiões, frente a Sporting, Moreirense, SC Braga e Estrela da Amadora, tendo, porém, derrotado todos esses adversários.
