Esta sexta-feira, o jornal Público revelou que o Ministério Público está a investigar o Casa Pia por um alegado esquema para esconder a origem de dinheiro vindo da Rússia. O objetivo foi escapar às sanções da União Europeia, impostas desde a invasão daquele país à Ucrânia.
Em causa está a mudança de Felippe Cardoso para o Akhmat no verão de 2024. O clube, situado na Tchetchénia, é pertença de Ramzan Kadyrov, aliado de Vladimir Putin e membro do conselho de Estado da Rússia, que está debaixo de sanções da União Europeia.
O Akhmat pagou 1,5 milhões de divididos em duas prestações: A primeira de um milhão de euros, a segunda de 500 mil euros. Avisado de que a mudança ia incorrer nas sanções impostas pela União Europeia, o Casa Pia ficou a saber em 2025 de que os montantes iam ser pagos não pelo clube, uma empresa registada nos Emirados Árabes Unidos.
Questionado pelo banco relativo a uma transferência de 1,02 milhões de euros dos Emirados Árabes Unidos, o Casa Pia apresentou uma declaração formal ao Montepio em que garantia não ter conhecimento do motivo que levou a empresa a assumir o pagamento da transferência. Algo que o Ministério Público contesta, acusando o clube de ter conhecimento do motivo e, como prova tem um alegado email de setembro de 2024, da equipa jurídica dos gansos.
Tiago Lopes, diretor do Casa Pia que negociou a transferência, está acusado de três crimes (violação de medidas restritivas, branqueamento e falsificação ou contrafação de documentos). As mesmas ilegalidades que são imputadas ao clube. Vítor Franco, presidente do emblema da Liga Portugal, está ilibado.
Em resposta ao jornal Público, o Casa Pia rejeitou qualquer acusação. “O Casa Pia desconhece esta suposta ligação que o Ministério Público estabelece entre o clube e Kadyrov, uma vez que este nome não consta de nenhuma documentação societária oficial relativa ao clube. As acusações assentam, pois, em pressupostos factuais e jurídicos incorretos, não sustentados por prova sólida”, pode ler-se.
