Recorde as incidências do encontro

O jogo que encerrou a 7.ª jornada da Liga tinha tudo para ser grande e não desiludiu. Farioli recuperou Froholdt e Martim Fernandes para o onze, enquanto Marco Silva voltou à base habitual, depois da revolução promovida em Milão. No Dragão, o FC Porto entrou com a faca nos dentes, o Benfica respondeu com mais paciência e, no fim, foram os azuis e brancos a levar a melhor num Clássico de alta voltagem.
Gabri Veiga protagonista
A entrada portista foi agressiva, com pressão alta sobre o portador da bola e intenção clara de não deixar o Benfica respirar na construção. Aos cinco minutos, Gabri Veiga deixou logo o primeiro sinal do tom do encontro, com uma entrada duríssima sobre Bah que valeu apenas cartão amarelo.
As águias procuravam fugir dessa pressão através de uma circulação mais paciente e, aos 13 minutos, construíram uma das melhores jogadas da primeira fase do jogo: a bola rodou da esquerda para a direita, Bah cruzou e Prestianni apareceu nas costas de Alberto Costa, mas cabeceou por cima.
O Benfica voltou a aproximar-se aos 19 minutos, desta vez aproveitando uma falha de comunicação defensiva. Diogo Costa saiu mal da baliza, Bah ficou com a sobra e rematou, mas Pablo Rosario apareceu no sítio certo para evitar o golo. O jogo ia ganhando duelos dentro do próprio duelo, com especial destaque para Dahl e William Gomes, dois protagonistas de uma batalha intensa pelo corredor.
O FC Porto encontrou o caminho para o golo aos 32 minutos, numa jogada de grande qualidade. Bednarek rasgou a primeira linha com um excelente passe em profundidade, Pepê recebeu e colocou uma bola açucarada para Gabri Veiga, que finalizou de primeira. Samu Soares ainda hesitou na saída e o espanhol não perdoou, colocando o Dragão em ebulição.
Lenglet caiu na armadilha
Três minutos depois, o Clássico mudou de figura. Lenglet viu o segundo amarelo depois de uma chapada a André Silva e deixou o Benfica reduzido a dez. A decisão incendiou o ambiente, os bancos trocaram argumentos e o árbitro teve de intervir para acalmar os ânimos. Farioli reagiu de imediato, retirando Gabri Veiga, já amarelado, e lançando Hwang In-Beom. Marco Silva também mexeu, sacrificando Sudakov para colocar Circati e recompor a linha defensiva.

O FC Porto percebeu que podia aproveitar o desnorte encarnado e ficou perto do segundo aos 41 minutos. Circati errou e William Gomes obrigou Samu Soares a duas defesas consecutivas, num lance em que o Benfica ficou por um fio. Curiosamente, na resposta, as águias mostraram que ainda estavam vivas: Samu lançou Rafa, este encontrou Pavlidis e o grego atirou ao lado. Mesmo com dez, o Benfica não se entregava.
Esperança esfumou-se em três minutos
A segunda parte começou com Pablo Rosario a testar Samu Soares, mas foi o Benfica quem marcou. Aos 52 minutos, Prestianni trabalhou muito bem da esquerda para dentro, levantou a cabeça e cruzou para Bah aparecer nas costas da defesa. O lateral antecipou-se a Diogo Costa e cabeceou para o 1-1. O empate tinha alguma justiça e, durante alguns momentos, chegou mesmo a diluir a sensação de que as águias estavam em inferioridade numérica.
No entanto, a resposta do FC Porto, porém, foi imediata e esmagadora. Apenas três minutos depois, os dragões desenharam uma excelente jogada coletiva, com Martim Fernandes, Pablo Rosario e Pepê a participarem antes de André Silva servir Froholdt para o 2-1. O Benfica quase não teve tempo para saborear o empate.
Aos 60 minutos, André Silva voltou a ser decisivo: trabalhou bem sobre Tomás Araújo, rodou e serviu Hwang In-Beom, que rematou para o fundo da baliza e fez o 3-1. Um balde de água gelada para as águias!
A partir daí, o jogo inclinou-se definitivamente para o lado portista. Circati sentia muitas dificuldades para acompanhar a velocidade e a agressividade ofensiva dos dragões e, aos 64 minutos, André Silva voltou a ameaçar, obrigando Samu Soares a defender. O FC Porto tinha vantagem no marcador, vantagem numérica e, acima de tudo, capacidade para controlar o ritmo sem abdicar de procurar mais.
O Benfica ainda tentou manter-se ligado ao jogo e Pavlidis obrigou Diogo Costa a uma defesa estupenda aos 83 minutos, mas já havia pouco espaço para uma verdadeira recuperação. Antes disso, Bednarek tinha cabeceado ligeiramente ao lado na sequência de um livre, num novo aviso dos dragões.
233 dias, aí está Samu!
Com o resultado controlado, Farioli aproveitou também para devolver minutos a jogadores que estavam afastados há muito tempo. Samu entrou aos 84 minutos e regressou à competição 223 dias depois da última partida. Pietuszewski também voltou a ser opção, meses depois da última aparição, ainda no final da temporada passada.

No fim, o FC Porto ganhou um Clássico que soube interpretar em diferentes momentos. Entrou mais agressivo, aproveitou o erro quando surgiu, beneficiou da expulsão de Lenglet e, sobretudo, teve uma reação fortíssima quando o Benfica empatou. As águias conseguiram por momentos esconder a inferioridade numérica, mas os dragões responderam sem hesitação e resolveram a partida em seis minutos. Num jogo grande, o FC Porto mostrou também uma resposta grande.
Melhor em campo Flashscore: Pablo Rosario (FC Porto)

