Recorde as incidências da partida

O FC Porto repetiu pela primeira vez o onze inicial esta temporada e deu sinais claros de uma equipa cada vez mais afinada. Frente a um Académico ainda à procura da primeira vitória, os dragões entraram com três triunfos em três jogos, zero golos sofridos e uma ideia de jogo cada vez mais consolidada. Do lado viseense, Gustavo Costa e Luís Silva foram titulares pela primeira vez esta época, mas a estreia no onze acabou por surgir num contexto de enorme exigência.
Protestos em vão
Desde os primeiros minutos percebeu-se o plano portista. Pepê pressionou muito Anthony Correia, central do lado direito do Académico, condicionando a primeira fase de construção da equipa da casa e empurrando a saída de bola para o corredor esquerdo, onde Gustavo Costa tinha menos ritmo competitivo. Não foi por acaso que o primeiro golo nasceu precisamente desse lado. Aos cinco minutos, o FC Porto entrou a pressionar alto, recuperou terreno e chegou à vantagem: Pablo Rosario cruzou da direita e André Silva apareceu na área para encostar. O Académico protestou bastante, reclamando um alegado empurrão de William Gomes sobre Gustavo Costa, mas o golo foi validado.
O início forte dos dragões deixou imediatamente o Académico em dificuldade. A equipa viseense raramente conseguiu respirar com bola, perdeu várias posses em zonas delicadas e teve problemas para ligar o jogo. O FC Porto, pelo contrário, sentiu-se confortável com a vantagem e continuou a controlar todos os momentos da partida. Ainda assim, aos 15 minutos, surgiu uma contrariedade para os azuis e brancos: Zaidu saiu muito queixoso e lesionado, dando lugar a Martim Fernandes.
A troca não travou o domínio portista. Aos 20 minutos, o FC Porto fez o segundo num lance simples, mas perfeito. Bednarek lançou longo, Pepê apareceu a receber e serviu Gabri Veiga, que atirou para o fundo da baliza do Académico. A jogada resumiu bem aquilo que os dragões fizeram durante toda a primeira parte: pressão, objetividade e qualidade na definição. Poucos toques, muita intenção e uma equipa sempre preparada para acelerar quando encontrava espaço.
O Académico continuou com muitas dificuldades em reter bola e em sair do seu meio-campo. Sempre que tentava construir, esbarrava na pressão portista ou acabava obrigado a jogar longo, quase sempre sem sucesso. O FC Porto não precisava de correr muito para mandar no jogo. Bastava controlar zonas, condicionar caminhos e escolher bem o momento de ferir. E foi exatamente isso que voltou a acontecer aos 38 minutos, naquele que foi o melhor lance coletivo da noite.
A bola saiu da defesa, passou pelo meio-campo e terminou na área do Académico, depois de uma sequência muito bem desenhada pelos dragões. Pepê voltou a estar no centro da jogada, lançando Gabri Veiga com qualidade, e o médio espanhol ofereceu o golo a William Gomes, que finalizou para o 0-3. Foi uma jogada espetacular em termos coletivos, daquelas que mostram uma equipa de autor confortável com a bola, com os posicionamentos e com a forma como quer atacar.
Até ao intervalo, o Académico só conseguiu ameaçar de forma tímida. Aos 45+3', Robinho rematou para corte de Bednarek, no lance mais perigoso da equipa viseense durante a primeira parte. Ainda assim, foi uma situação que nem chegou verdadeiramente a incomodar Diogo Costa, praticamente um espectador nos primeiros 45 minutos. O FC Porto foi para o descanso com uma vantagem clara e inteiramente justa. Dominou, criou, marcou e nunca permitiu que o adversário acreditasse.

Gestão do Dragão
A segunda parte trouxe um FC Porto diferente no ritmo, mas igual no controlo. Nos primeiros 20 minutos após o intervalo, os dragões baixaram a intensidade, entregaram mais bola ao Académico e entraram em modo gestão. Não foi uma gestão passiva, mas sim controlada: a equipa de Francesco Farioli geriu esforços, protegeu as suas peças e tapou sempre os caminhos para a baliza de Diogo Costa.
O Académico teve mais posse, mas raramente teve perigo. A bola circulou mais pelos pés da equipa viseense, é certo, mas quase sempre longe das zonas de decisão. Faltou velocidade, faltou criatividade e faltou capacidade para encontrar espaços entre linhas. O FC Porto aceitou esse cenário sem desconforto, porque estava sempre bem posicionado e porque nunca perdeu a sensação de controlo absoluto sobre o jogo.

Com o resultado feito, a segunda parte teve poucas oportunidades e ainda menos sobressaltos. O FC Porto não precisou de insistir muito, nem de forçar uma goleada maior. A missão principal já estava cumprida desde a primeira parte. Restava gerir, evitar riscos e guardar mais uma noite sem grandes problemas defensivos. Nesse capítulo, os dragões voltaram a cumprir, mantendo Diogo Costa praticamente sem trabalho relevante.
No fim, ficou a imagem de um FC Porto maduro, dominante e eficaz. A primeira parte resolveu o jogo, a segunda confirmou a superioridade sem necessidade de espetáculo. E os dragões seguem tranquilos, 100% vitoriosos e com a baliza imaculada.
Melhor em campo Flashscore: Gabri Veiga (FC Porto)

