Exclusivo com Daniel Kenedy a poucos meses do Mundial: "Deixa-me triste recordar aquele momento"

Daniel Kenedy, treinador do Clube Atlético Riachense
Daniel Kenedy, treinador do Clube Atlético RiachenseClube Atlético Riachense/Flashscore

Aos 52 anos, o antigo jogador Daniel Kenedy está de regresso ao futebol. No Atlético Riachense, dos distritais de Santarém, volta a sentir o cheiro da relva e a fazer o que mais gosta. Nesta entrevista ao Flashscore, Kenedy fala de uma Liga Portugal bastante competitiva onde qualquer um dos três grandes tem a possibilidade de chegar ao título. Quanto à seleção portuguesa, não perspetiva grandes surpresas na convocatória de Roberto Martinez para o Mundial que se aproxima

- Como está a ser esta experiência no Riachense, neste regresso ao futebol?

- Está a correr bem. Estive algum tempo afastado, há dois meses e pouco aceitei este convite e tem corrido muito bem. Fui muito bem recebido. A equipa estava numa situação difícil, mas gostei do convite e resolvi aceitar.

- Já estava com saudades do cheiro da relva.

- Sim, também foi isso. As pessoas que falaram comigo mostraram-me um projeto interessante, sabiam do meu valor e a minha vontade de voltar ao futebol e fazer o que mais gosto também era grande. Por isso tudo se conciliou para que isso acontecesse.

- Qual é o objetivo? Evitar a descida à 2.ª distrital? A equipa está numa situação complicada.

- Sim, neste momento o único objetivo é salvar o Atlético Riachense. Cheguei e a equipa só tinha quatro pontos, numa situação difícil, já sabia disso. Desde que cheguei, já somámos duas vitórias e um empate. Nos outros jogos que perdeu, a equipa mostrou atitude, uma cara nova e é para isso que aqui estou, para ajudar a salvar o Riachense.

- Esteve algum tempo fora do futebol, teve uma experiência como coordenador do Estrela, mas é no treino que se sente mais à vontade ou admite ter outras funções no futebol?

- Gosto do balneário, do campo, de estar ali. No Estrela era diretor e estava sempre presente no campo, que é onde gosto de estar, perto dos jogadores. Acho que tenho jeito para ser treinador, gosto da maneira de lidar com os jogadores e como eles lidam comigo. É isto que eu gosto de fazer, gosto do balneário, da adrenalina de escolher um 11, escolher os 18. É disso que gosto.

- Voltemos ao passado, à sua carreira como futebolista, com passagens pelo Benfica, Paris SG, FC Porto que nunca serão esquecidas. É isso que o público recorda do teu passado?

- Por aqui e pelo país inteiro. Agradeço isso. Antes de voltar ao futebol, trabalhei em outras coisas como na Uber e em eventos de feiras por toda a parte do país e senti esse carinho para comigo, independentemente dos clubes. As pessoas sabem o trajeto que fiz e deixa-me feliz que as pessoas me reconheçam. Aqui em Riacho tem sido fantástico. As pessoas sabem quem eu sou do futebol ou de outras coisas da vida. Tenho sido bem tratado e faço aquilo que eu gosto.

- SC Braga, Marítimo, Estrela da Amadora, Académica: foi uma carreira recheada. Quando faz uma viagem ao passado, o que recorda?

- Recordo-me de todos os clubes, em Portugal e no estrangeiro. Guardei sempre boas recordações, fui sempre bem tratado. Quando vejo um jogo do Marítimo, Estrela, Académica... Toda a gente sabe que a minha formação é o Benfica, foi lá que eu cresci, é o clube que eu gosto, mas fui bem tratado em todos os clubes, até no FC Porto. Tenho amigos nesses sítios e pessoas que gostam de mim. É sempre bom.

- Acreditas que a tua carreira de treinador ainda pode chegar a esses patamares?

- Gostava, sim. Este foi um recomeço, depois de alguns anos sem o fazer. Voltei a fazer o que eu gosto. Tenho sonhos, claro. O meu objetivo e a minha cabeça está no Riachense, mas quem sabe? Já estive na Liga 2, no Leixões, e gostava de chegar à Liga Portugal, sim.

"O campeonato ainda está aberto e muita coisa pode acontecer"

- Vamos olhar um pouco para a Liga Portugal, para a luta pelo título. Considera que está tudo em aberto? Como tem visto o campeonato este ano?

- Tenho visto um campeonato equilibrado, apesar de o Benfica ter perdido pontos com equipas com quem não devia perder. O FC Porto tem sido uma equipa consistente, com jogadores experientes na defesa, não sofrem golos e isso é importante. Sabem sempre que vão fazer golo, também. O Sporting tem mostrado as capacidades que tem, mesmo no final dos jogos ganham jogos porque fazem por isso. Penso que o campeonato ainda está aberto e muita coisa pode acontecer. Ainda há jogos entre os grandes e com as outras equipas, muitas estão muito bem no campeonato e qualquer um deles pode perder pontos. Acredito que ainda está tudo em aberto.

- Daria maior favoritismo a quem? Ao FC Porto, que vai na frente?

- O favoritismo é sempre de quem vai na frente e com a vantagem que tem mais favorito é, mas basta uma equipa perder um jogo que alguém fica mais perto. Acho que o FC Porto tem uma boa diferença pontual, mas tudo é possível, tanto para o Benfica como para o Sporting.

- Há algum jogador a encher-lhe as medidas? Que o esteja a surpreender?

- No Benfica, admiro muito o Aursnes. Tem uma capacidade muito grande, não sabe jogar mal, tem mostrado sempre profissionalismo e é um jogador que eu gosto imenso. No Sporting há o Hjulmand, que é muito importante, também aprecio o Trincão. Ainda no Benfica, o Otamendi, pela sua garra. O FC Porto surpreendeu com alguns jogadores desconhecidos, como o Froholdt, o Rosario também e os centrais polacos são experientes e transmitem outra segurança. Têm sido os jogadores que continuam a demonstrar alguma capacidade.

A tabela da Liga Portugal
A tabela da Liga PortugalFlashscore

"Deixa-me triste recordar aquele momento"

- Vê Portugal como um dos favoritos ao Mundial?

- Sim, para mim Portugal tem de estar como favorito, com a qualidade e quantidade de jogadores que tem é uma das equipas favoritas. Vemos entrevistas de vários selecionadores e Portugal está sempre entre os favoritos. Na minha opinião, Portugal tem um leque de jogadores muito bons, tanto para os 11, 18 ou 25. O treinador tem uma variedade muito grande e tem de ser um dos favoritos.

- Acha que Roberto Martínez vai apostar numa linha de continuidade ou vê alguma surpresa a surgir na lista para o Mundial?

- Há vários selecionadores que formam uma equipa na seleção e acho que dificilmente haverá uma surpresa que não tenha estado já na seleção. O Roberto Martínez já tem uma lista grande, que passa o número dos que podem levar, mas na minha opinião será a base que ele tem utilizado até hoje.

Calendário de Portugal
Calendário de PortugalFlashscore

- Esta altura de convocatórias para fases finais faz com que recue a 2002? Deixa-o um pouco triste?

- Sim, faz. Há uns dias, em conversa privada com um amigo estava a recordar isso. Na altura nem tinha feito nenhum jogo particular, nunca tinha feito parte do grupo e apareci na última convocatória. Deixa-me triste recordar aquele momento, mas é passado. Estava a ver no outro dia que o Paulinho também pode estar na lista, são jogadores que vão esperar até à última hora e há aquela ansiedade. Na minha altura nem consegui dormir nos últimos dias antes da convocatória e penso que isso também irá acontecer com outros que estão à espera e nunca foram. É sempre um momento complicado.