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Exclusivo com José Gomes: "Espero fazer um bom trabalho na Indonésia para regressar a Portugal"

José Gomes lidera o Madura United
José Gomes lidera o Madura UnitedArquivo Pessoal, Flashscore

Depois de temporadas de trabalho no futebol português, com passagens pelo Académico de Viseu e pela Académica de Coimbra, José Gomes, um ídolo do Rio Ave, decidiu arriscar uma experiência bem diferente: rumar à Indonésia para treinar. Nesta entrevista ao Flashscore, conduzida por Vítor Tomé, o técnico conta como é viver o futebol asiático, as diferenças culturais e desportivas que encontrou, e assume o objectivo de regressar a Portugal para voltar a treinar por cá.

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"Receberam-me muito bem na Indonésia"

- José Gomes, antes de mais, muito obrigado por esta entrevista ao Flashscore. Fale-nos um pouco desta experiência na Indonésia, que vai já no segundo ano.

Queria começar pelos meus primeiros cinco meses, no Arema FC, um clube grande. Cheguei em janeiro, a meio da época. Nunca é fácil para um treinador, principalmente num contexto que não conhecia. No início, as coisas não começaram a correr bem. Era normal. Os jogadores já estavam no clube e não tinham sido escolhidos por mim. Mesmo assim, conseguimos fazer um bom trabalho. As coisas não foram fáceis, tivemos de partir muita pedra, como se costuma dizer, mas acabámos por fazer um bom trabalho.

Esse trabalho acabou por ser coroado com um novo contrato ainda antes de terminar a época. Em abril, a sete jornadas do fim, já tínhamos garantido a manutenção e acabámos por renovar o contrato. Depois, acabei por não voltar, mas isso já são questões extrafutebol sobre as quais não vale a pena falar agora.

- Nesta segunda temporada, segue para o Madura United. Neste clube, as coisas já foram diferentes em comparação com a primeira experiência e a primeira viagem para a Indonésia?

Totalmente diferentes. Pude planear a pré-época e escolher alguns jogadores para completar o plantel. Já conhecia alguns jogadores, principalmente os estrangeiros, que são jogadores com qualidade. Os que fomos buscar também chegaram para acrescentar.

Nesta pré-época, os jogadores assimilaram muito bem a ideia que lhes transmiti. Estão todos a trabalhar muito forte. Fizemos uma boa pré-época, com algumas vitórias, e agora estamos prestes a iniciar a época com o primeiro jogo em casa. Estou muito confiante. Os jogadores demonstram uma vontade e uma determinação muito grandes em absorver tudo aquilo que lhes passo. Espero que esta passagem seja melhor do que a anterior.

O Madura, depois de duas épocas a lutar para não descer de divisão até à última jornada, tem certamente condições para fazer este ano um campeonato muito mais tranquilo. Temos equipa para isso e espero que as coisas corram bem.

- Como foi a adaptação à cultura da Indonésia, tão diferente da portuguesa?

Temos de nos adaptar a algumas coisas que aqui são muito diferentes de Portugal, nomeadamente ao nível da organização. Mas, como disse, estou a gostar. As pessoas receberam-me bem, estão a dar-me as condições que podem e, em tudo aquilo que tenho pedido até agora, têm correspondido. E começar a Liga com uma vitória é sempre positivo.

José Gomes deixou marca no Rio Ave
José Gomes deixou marca no Rio AveArquivo Pessoal

O motivo para emigrar: "Falta de oportunidades em Portugal"

- É uma referência do Rio Ave e treinou também o Académico de Viseu e a Académica. O que o levou a emigrar?

Primeiro, a falta de oportunidades que temos em Portugal. Depois, foi também uma forma de abrir horizontes e, da minha parte, abrir o mercado asiático. Foi bom, gostei, e agora tenho uma nova oportunidade. Espero que as coisas voltem a correr bem. É uma Liga que está a evoluir e as pessoas aqui querem que cresça. Estão também a tentar criar as condições físicas para que isso aconteça.

- Há muitos portugueses a jogar na Indonésia. Isso facilita a adaptação? Ajuda também a fazer um melhor trabalho?

Sim, claro. É sempre bom ouvirmos falar a nossa língua. Quando nos encontramos, principalmente nos jogos, porque a Indonésia tem muitas ilhas e estamos espalhados por várias delas, dá para conversarmos um pouco e trocarmos algumas ideias. Ajuda sempre mais um bocadinho.

Mas, de resto, o foco também está em cada um estar na sua equipa, fazer o seu trabalho e dar o máximo possível. O que lhes desejo é que tudo corra bem, porque isso é sempre positivo para abrir portas a mais portugueses que possam chegar cá.

- O objetivo, naturalmente, passa por regressar a Portugal?

Sim, claro que sim. O meu país é onde quero estar. Mas, neste momento, o meu foco está aqui na Ásia, em abrir portas na Indonésia. E, para voltar a Portugal, também tenho de fazer aqui um bom trabalho, para que o meu nome volte a ser falado em Portugal e, quem sabe, regressar pela porta grande da Liga portuguesa. Vamos ver. Espero fazer aqui um bom trabalho para voltar a Portugal.

José Gomes cumpre segunda temporada na Indonésia
José Gomes cumpre segunda temporada na IndonésiaArquivo Pessoal

"Vejo FC Porto, Sporting e Benfica muito fortes"

- Quais são os objetivos pessoais para o Madura United esta época, neste campeonato na Indonésia?

Aqui na Indonésia tudo pode acontecer. Mas, tendo em conta as duas últimas épocas do Madura United, foram dois anos muito difíceis, sempre a lutar pela permanência e a consegui-la no último jogo. Esta época queremos ser uma equipa ambiciosa, com futebol positivo, um futebol para a frente, à procura do golo e da baliza.

Queremos fazer uma época muito mais tranquila do que a anterior, garantir o mais rapidamente possível a manutenção e depois veremos o que podemos fazer mais à frente. Mas o objetivo é mesmo fazer uma época muito tranquila.

- O que tem achado do arranque do campeonato português na temporada 2026/27? Consegue acompanhar os jogos a tantos quilómetros de distância?

Sinceramente, não tenho visto muito, até porque o fuso horário é muito diferente e os jogos dão aqui já a uma hora muito tardia, em que não consigo ver. Mas, do pouco que vi, vejo os três grandes muito fortes.

Vamos ver o que o SC Braga consegue fazer e se acompanha os três grandes ou não. Depois, tenho a certeza de que o resto do campeonato vai ser muito equilibrado e que haverá luta até ao fim.

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