Recorde aqui as incidências do encontro
José Mourinho fez três mudanças desde a vitória sobre o Gil Vicente (1-2), promovendo as entradas de Tomás Araújo, Richard Ríos e Enzo Barrenechea face à ausência por lesão de Fredrik Aursnes, enquanto Otamendi manteve-se no onze. Farioli mexeu ainda mais, com seis alterações face à derrota com o Sporting (1-0), mas as grandes novidades foram as presenças de Bednarek e Martim Fernandes no onze, recém-recuperados de problemas físicos.

Froholdt abre a pista para o baile de Oskar a Otamendi
Depois de um jogo de xadrez no primeiro duelo entre os dois técnicos na primeira volta (0-0) e um triunfo azul e branco no reencontro para a Taça de Portugal (1-0), este terceiro Clássico da temporada começou de forma frenética, até que foi interrompido devido ao fumo provocado por tochas. Dissipado o nevoeiro, pertenceu a Pavlidis o primeiro remate da partida, para encaixe fácil de Diogo Costa.

Na resposta, uma rápida triangulação no meio-campo desposicionou a defesa encarnada, Alan Varela lançou Froholdt que ativou o turbo em direção à área, rematou para uma primeira defesa na Trubin e abriu o marcador na recarga.
Obrigado a responder, o Benfica foi crescendo e quase chegava ao empate num lance fortuito, em que o cruzamento de Rafa Silva foi desviado por Martim Fernandes e saiu em direção à baliza, mas Diogo Costa mostrou instinto e reflexos para afastar o perigo. Pouco depois, um livre de Schjelderup em zona frontal saiu perto do poste. As águias até estavam a fazer algo que é pouco habitual - chegar com facilidade à área portista -, mas acumulavam más decisões, como no lance em que Rafa, em boa posição, tentou servir um colega e ofereceu a bola à defesa.
Na ânsia de chegar ao empate, os anfitriões subiram as linhas e obrigaram o FC Porto a recuar e apostar no contra-ataque, numa altura em que voavam cartões amarelos. O futebol vertical dos dragões prometia problemas e o primeiro aviso veio numa saída de Deniz Gul, resolvida de forma algo nervosa por Tomás Araújo e Trubin. Os encarnados ignoraram o aviso, continuaram a avançar e, num lance em que meteram nove homens junto à área oposta, foram castigados com um momento que ficará na história dos Clássicos.

Gabri Veiga recuperou a bola e enviou para a frente, onde o jovem de 17 anos Oskar Pietuszewski ficou frente a frente com o veterano campeão mundial Nico Otamendi. O polaco acelerou em direção à área, simulou duas vezes que ia para a direita e cortou com o calcanhar para o pé esquerdo, deixando o capitão benfiquista a deslizar, antes de fuzilar Trubin à queima-roupa para fazer o 0-2.
Um momento icónico do jovem avançado - que se tornou o mais jovem dragão a marcar num Clássico -, que confirma o talento que o FC Porto encontrou no Jagiellonia em janeiro. Foi um duro golpe para as bancadas do Estádio da Luz, que suspiraram de alívio quando Trubin se agigantou para travar um livre direto de Gabri Veiga que levava selo de golo, segurando assim o 0-2 ao intervalo.

O toque de Midas do Special One
Ameaçado com os amarelos, Farioli optou por lançar Seko Fofana e William Gomes pelos admoestados Pepê e Gabri Veiga. No reatamento, o Benfica sentiu dificuldades para ameaçar e chegar com a mesma confiança ao último terço. Quando a ocasião apareceu num passe de Dedic para Rafa, o português rodou bem, mas, em posição prometedora, escorregou na altura de rematar e o lance perdeu-se. Os azuis e brancos continuaram a mexer com as entradas de Francisco Moura e Borja Sainz, enquanto Mourinho respondeu ao lançar Lukébakio e Ivanovic, para as saídas de Prestianni e um desinspirado Rafa.

Foi o melhor que podia ter acontecido aos encarnados: com quatro minutos em campo, o extremo belga aproveitou um contra-ataque para fletir da direita para o meio e atirar um remate em arco ao poste, com a recarga a cair no colo de Schjelderup, que empurrou para a baliza deserta e relançou a partida. O Estádio da Luz animou, mas do outro lado valeu Dedic a evitar o golo de Deniz Gul com um corte providencial depois de o turco ter trocado as voltas a Tomás Araújo. António Silva foi a jogo no lugar do queixoso Otamendi, enquanto Leandro Barreiro rendeu Barrenechea.
Terem Moffi foi a última cartada dos dragões que começaram a desperdiçar contra-ataques promissores na reta final, enquanto os benfiquistas carregavam à procura do empate. O Special One acabaria por ver reivindicado o seu Toque de Midas, aos 88 minutos, quando Franjo Ivanovic apareceu solto junto à linha de fundo para fazer um cruzamento perfeito para o coração da área, onde apareceu Leandro Barreiro a entrar de rompante e a finalizar de primeira junto ao poste.
Nos festejos, voaram cartões vermelhos nos bancos de suplentes, de onde José Mourinho e Lucho González saíram com ânimos exaltados em direção aos balneários. No último lance do tempo de descontos, o Benfica ainda reclamou uma grande penalidade após um remate de Franjo Ivanovic, mas João Pinheiro nada assinalou.
Com este resultado, o FC Porto mantém-se relativamente confortável na liderança do campeonato, com quatro pontos de diferença sobre o Sporting e sete sobre os rivais desta tarde.
Melhor em campo Flashscore: Victor Froholdt (FC Porto).

