Mesmo sem fazer campanha, o líder com mais troféus futebolísticos da história do clube lisboeta (lista B) dominou nas urnas com 89,47% (67.106 votos), contra 6,28% (919) do empresário Bruno Sorreluz (A), prolongando um percurso iniciado em setembro de 2018, ao derrotar cinco candidatos, e renovado em março de 2022, perante dois opositores.
Da contestação inicial à progressiva estabilização competitiva do Sporting, congregada com a reestruturação financeira e reformas infraestruturais, Varandas, de 46 anos, devolveu glória futebolística a um clube diminuído pelos rivais Benfica e FC Porto nas décadas anteriores e dividido com a invasão à Academia Cristiano Ronaldo, em Alcochete, em maio de 2018.
Três campeonatos (2020/21, 2023/24 e 2024/25), três Taças da Liga (2018/19, 2020/21 e 2021/22), duas Taças de Portugal (2018/19 e 2024/25) e uma Supertaça Cândido de Oliveira (2021) comprovaram a reabilitação verde e branca, atestada ainda pela passagem à fase a eliminar em três das quatro presenças nas últimas cinco edições da Liga dos Campeões.
Nesse período, o Sporting interrompeu um hiato de 19 anos na I Liga, o maior da história do clube, em 2020/21, antes de, na época passada, revalidar o título nacional pela primeira vez em mais de sete décadas e ganhar a Taça de Portugal, comemorando a dobradinha 23 anos depois.
Os êxitos mais recentes permitiram mesmo a Varandas superar António José Ribeiro Ferreira, vencedor de oito cetros entre 1946 a 1953, como presidente mais titulado do futebol sénior masculino leonino, sem esquecer as dezenas de conquistas nacionais, europeias e mundiais nas outras modalidades.
Filho de um médico e de uma professora, Frederico Nuno Faro Varandas nasceu em Lisboa, em 19 de setembro de 1979, e cresceu numa família de sportinguistas, tornando-se associado do clube, no qual praticou ginástica ou natação.
Além de replicar as pisadas do pai, com a licenciatura em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, seguida de uma pós-graduação em Medicina Desportiva, o atual líder verde e branco abraçou a carreira militar, formou-se e chegou a capitão do exército.
Médico oficial da Força Nacional Destacada no Afeganistão, Varandas seguiu através da rádio a vitória do Sporting sobre o FC Porto na final da Taça de Portugal (2-0, após prolongamento), em maio de 2008, e foi condecorado com a medalha de D. Afonso Henriques depois de regressar da guerra.
A ligação ao futebol começara no ano anterior, no então primodivisionário Vitória de Setúbal, cujo departamento clínico comandaria de 2009 a 2011, antes de sair para o Sporting, que era presidido por Luís Godinho Lopes.
Sucessor de José Gomes Pereira na equipa sénior, na sequência de uma passagem pelos juniores, resistiu à reestruturação encetada por Bruno de Carvalho, cresceu em influência e até declinou propostas de emblemas estrangeiros.
O diretor clínico fundou as Jornadas Internacionais de Medicina Desportiva no Sporting, do qual se demitiria em maio de 2018 para concorrer à presidência, volvido o ataque de adeptos a jogadores e equipa técnica na academia.
A vontade de suceder a Bruno de Carvalho foi amadurecida no relvado do Estádio Nacional, em Oeiras, onde, após a derrota com o Desportivo das Aves na final da Taça de Portugal (2-1), realizada cinco dias depois da invasão, Frederico Varandas consolou as lágrimas de vários futebolistas, com os quais extravasava a simples relação entre médico e paciente.
No mês seguinte, Bruno de Carvalho foi destituído da presidência em Assembleia Geral, cabendo à comissão de gestão chefiada por Artur Torres Pereira assegurar a transição até às eleições mais participadas de sempre, vencidas pelo antigo diretor clínico.
A poucos dias de completar 39 anos, Varandas tornava-se o 44.º líder da história leonina e o mais jovem a assumir o cargo no século XXI, mas sentiu francas dificuldades para cumprir o lema eleitoral “Unir o Sporting”.
A ausência de maioria absoluta, a menor quantidade de votantes face a João Benedito, segundo candidato mais votado, e as críticas dos apoiantes de Bruno de Carvalho dificultaram a tarefa do médico, que foi retirando privilégios às claques e ouviu pedidos de demissão vindos das bancadas.
Apesar da conquista da Taça de Portugal e da Taça da Liga em 2018/19, o neerlandês Marcel Keizer, sucessor do regressado José Peseiro, então aposta da comissão de gestão, foi substituído por Jorge Silas e contribuiu para o sexteto de treinadores efetivos da era Varandas - Tiago Fernandes e Leonel Pontes foram interinos -, que se estabilizaria com Ruben Amorim.
Contratado ao SC Braga em março de 2020, num negócio final de 12,7 milhões de euros (ME), o ex-médio transformou os leões e amparou em 2022 a reeleição com votação quase duplicada do fisiatra, que se havia juntado ao corpo médico nacional na pandemia de covid-19.
À medida dos êxitos futebolísticos, Frederico Varandas aprimorou a comunicação e intensificou os ataques aos rivais, postura da qual não abdicou quando Amorim rumou aos ingleses do Manchester United em 2024, com Rui Borges a reordenar a equipa depois da curta passagem de João Pereira.
