José Mourinho: "Jorge Mendes é o meu agente mas sou dono da minha decisão, gostava de continuar no Benfica"

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José Mourinho, treinador do Benfica
José Mourinho, treinador do BenficaMANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Leia abaixo as declarações de José Mourinho, treinador do Benfica, após o empate (1-1) diante do Casa Pia, no jogo que encerrou a 28.ª jornada da Liga Portugal.

Recorde as incidências da partida

Na flash interview

Lance do 1-1 mostrou disciplicência? "Mais do que o lance, diria mais do que o que disse. Você diz que perdemos dois pontos, eu diria que perdemos as últimas possibilidades que tínhamos de lutar pelo título e deixámos de depender de nós próprios para ficar em 2.º lugar. Não gostei da primeira parte. Ao intervalo, falámos sobre o que tínhamos de mudar taticamente, e tentei que percebessem, porque há alguns que parece que não comem futebol e esquecem as realidades, fiz-lhes um bocadinho de matemática. Não ganhando este jogo, a luta pelo título acabava, mas se ganhássemos a luta pelo 2.º lugar continuava, que era o que estava aqui em jogo."

O que faltou? "Arriscaria em dizer que tivemos 75-80% de posse de bola, uma coisa absurda e depois de estarmos a ganhar por 1-0, há displicência, não há energia, não há fome de quem está a jogar muito. Porque para ficarmos em 3.º lugar acho que até podemos perder os jogos todos. Para quem estava a jogar tudo, não podemos ser displicentes. Contra este tipo de equipas, que dizem que querem ganhar mas não querem, querem empatar... Condeno o árbitro, que permite, a Sra. VAR, que dá 6 minutos. Estou profundamente dececionado. Não gostei de nenhuma das três equipas. Mas, repito, o Casa Pia tinha fome deste ponto e lutou como pôde por isso. O árbitro tem influência no jogo, mas influência no resultado. O Benfica foi muito pobre em termos de atitude na primeira parte. Depois, acaba o jogo e o campeonato, entre aspas, com uma situação displicente que não se pode ter."

Fatores externos influenciaram este campeonato? "Acho que há muitos fatores. Não me vou esquecer, só quando a época acabar, quando começas a pensar na próxima. Mesmo não lutando pelo título, há muitos fatores que influenciaram este campeonato e fatores externos que tiveram um impacto gigante neste campeonato e que irão continuar a ter. No que diz respeito, sem nunca ter a tristeza da derrota, temos muitos empates com a tristeza de derrota. Este, o Rio Ave, no Tondela, em Braga, com influências externas... ali não há gente arrogante, desrespeituosa, não me interpretem mal. Mas existem perfis de gente que, independentemente da conta bancária, dos títulos, que tem fome, e gente que leva este vida de uma maneira leve e isso entristece-me porque eu não consigo. Sou treinador há 20 e tal anos e não consigo modificar a minha forma de ser e de estar e depois há jogadores que, repito, não são maus profissionais, mas falta-lhe isso."

Críticas dos adeptos: "Acho que na segunda parte houve ambição, contra uma equipa que defendia como defendia, que se atirava para o chão e com o árbitro a deixar. Mas depois há um lance que tens de intervir de forma séria e eficaz. Os adeptos estão frustrados, mas não estou seguramente mais do que eu, do que as pessoas que vivem isto com paixão e com paixão profissional também."

Na sala de imprensa

Leitura da partida: "Perdemos as possibilidades que ainda tínhamos de ainda sermos campeões e de lutar o título até ao final, assim como o controlo de lutarmos pelo 2.º lugar, que neste momento não depende só de nós. Perdemos muito com este resultado, isto é o mais importante a retirar. Relativamente ao jogo, se partirmos desta base, não fizemos tudo para o conseguir. Se na primeira parte faltou intensidade e determinação e mostrámos uma tendência morna e um controlo que diria ineficaz, na segunda parte foi completamente diferente. A entrada do Prestianni também nos deu muita coisa. A equipa começou a jogar mais rápido, a construir, a ter um caudal muito mais objetivo, o golo, mais pontapés de canto, mais oportunidades e contra uma equipa que tinha fome do ponto e não dos pontos como disse o míster na antevisão. Eles jogaram para o ponto. O árbitro, sem ter influência nenhuma em decisões importantes porque não me parece que tenham existido, mas contribuiu para este jogo muito fraco. E depois, quando estamos a ganhar um jogo desta natureza, um adversário que quase não fez um remate à baliza, somos nós que temos de fazer a assistência. Acabámos por - nem quero dizer empatar o jogo - perder o campeonato e estarmos em dificuldade para o 2.º lugar porque deixámos de depender de nós."

Palavras de Otamendi na flash interview: "Falta de caráter acho que é um bocadinho agressivo, porque ali não há gente má, há gente boa, que trabalha, mas a minha frustração é ver como eles treinam e chegar a um jogo desta importância e ter uns primeiros 45 minutos sem a urgência e necessidade de ganhar... O Casa Pia, por lutar por este ponto, simularam, atiraram-se para o chão, o banco quase que entrava no campo, jogadores com cãibras a voltar para trás... fizeram quase tudo para sacar o seu pontinho. Não os critico. Critico o árbitro, que permitiu, a Sra. VAR que deu 6 minutos e critico a minha equipa. Quando me dizes que eu não consegui convencer, a minha intervenção ao intervalo foi melhorar aspetos táticos e a outra foi matemática, que acho que eles não fazem, e comecei a fazer as contas no FlipChart. A conta era muito simples: estamos a 8 pontos do FC Porto. Se ganharmos, vamos para cinco. Se ganharmos ao Nacional vamos para dois e o FC Porto entra no Estoril a dois pontos. Se empatarmos este jogo, de 8 vamos para 7. Acabou. Simples. Se perdermos hoje, mesmo ganhando ao Sporting não estamos no controlo da situação em relação ao 2.º lugar. A segunda parte, como decorre, é para ganhar facilmente. O golo do Casa Pia é aquele tipo de situação onde tu não sentes que jogas a vida. Se calhar tenho uma mentalidade démodé, mas eu sou daqueles que pensa que se joga a vida a cada minuto, lance e bola. Não tenho sido suficientemente bom para transformar alguns carácteres, não maus carácteres, repito, mas carácteres para lutar pelo título."

Pavlidis, Ivanovic e Anísio Cabral ao mesmo tempo foi testado? "Claro que sim. Ainda ontem treinámos. A ideia era óbvia, não tínhamos nenhum problema em situações de um contra um com o avançado, mas o risco já estava inerente ao empate. Prestianni e Schjelderup foram os dois nossos melhores jogadores. Um único médio e depois os três atacantes, com Sudakov por trás. Sempre que o fizemos no treino as coisas correram muito bem. Hoje quando isso acontece foi ao minuto 80. Do minuto 80 ao 90 não houve jogo. Depois, dos 6 que essa Sra. VAR decidiu dar também não houve jogo. Há um ótimo cruzamento do Pavlidis da direita e depois nada. Não deu."

Dois extremos abertos ajudaram na subida de rendimento? "O motivo pelo qual o Prestianni não começou de início é muito simples: desde que chegou da Argentina ainda não treinou um único dia. Chegou doente. Foi para lá, não jogou. Chegou com febre, nem ao centro de estágio ia para não criar problemas aos companheiros. Ontem mostrou-se disponível para vir e para ajudar e foi por esse motivo que eu não comecei com ele, porque se há alguma coisa que está a funcionar bem neste momento é o Prestianni na direita e o Schjelderup à esquerda. Depois estão as coisas paralelas, nem quero buscar como desculpa, mas como treinador sinto isso. Dedic é Dedic. A sua intensidade, irreverência, a forma como ataca as defesas é importante. E dois jogos de suspensão quando a maioria dos cartões vermelho neste campeonato nunca dão dois jogos de suspensão. Outros levam um jogo e o Dedic leva dois. Espero que no Porto não mal me interpretem ou digam para estar calado, mas apanhámos um Bah um bocadinho à imagem do Froholdt que o FC Porto apanhou: chupado fisicamente por 120 minutos de jogo, psicologicamente por terem perdido uma qualificação para o Mundial e eu senti muita falta do Dedic num jogo como este."

"Gostava de continuar no Benfica"

Notícias sobre possível saída do Benfica: "Se aconteceu alguma coisa durante o jogo, não sei. Antes do jogo não aconteceu rigorosamente nada. O Jorge Mendes é o meu agente, mas eu sou dono da minha decisão. Qual é a minha decisão? Gostava de continuar no Benfica."

Objetivos do Benfica até final da época: "O primeiro lugar é impossível. O objetivo principal é lutar pelo segundo lugar, que já não depende de nós. Mesmo ganhando todos os jogos, o que será extremamente difícil, mas possível, até ao final do campeonato, o Sporting também teria de perder dois pontos. Mas o objetivo é lutar por isto. É possível ganhar todos os jogos e que o Sporting tenha um empate. Este é o objetivo número um. Tenho de pensar bem. Tenho de pensar bem em conjunto porque neste momento eu tinha vontade de não fazer jogar mais alguns jogadores. Mas há valores mais altos que se levantam. São ativos, mesmo que eu não quisesse continuar com alguns deles, se calhar é mais fácil não continuar tentando valorizar do que propriamente tentando hostilizar, mas basicamente é isto. A nível desportivo, o objetivo possível é ficar em 2.º lugar. Mas o objetivo único é esse."

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