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Em entrevista à agência Lusa, a dirigente abordou a contratação do técnico português, de 43 anos, que assinou até 2029, depois de o clube ter pago a cláusula de rescisão prevista no contrato com o Arouca, de cerca de um milhão de euros.
Questionada sobre o peso financeiro da operação, Alexandrina Cruz afastou a possibilidade de o investimento condicionar o trabalho do treinador.
“Não vai condicionar em nada. Acho que servirá de muita motivação. A entrada do Vasco (Seabra) foi uma entrada pensada. É um profundo conhecedor do futebol português, um homem altamente competitivo”, afirmou a líder do Rio Ave, considerando que o técnico tem “o perfil pretendido para o projeto desportivo do grupo”.
A presidente, que conhece o treinador há vários anos, revelou ter ficado surpreendida positivamente com os primeiros dias de trabalho.
“Conheço o Vasco há muitos anos, mas nesta primeira semana de trabalho conseguiu-me surpreender pela dinâmica que impôs. O que lhe pedi? A primeira coisa foi para ganhar já no domingo (frente ao Nacional)”, partilhou.
Sobre a saída de Sotiris Silaidopoulos, Alexandrina Cruz agradeceu o trabalho desenvolvido pelo técnico grego, mas reconheceu que a falta de resultados pesou na decisão.
“Foi um homem sempre muito preocupado com o clube, sempre muito envolvido. Agradecemos-lhe como pessoa e como profissional, mas é inevitável quando não há resultados. Este negócio (do futebol) não vive sem vitórias”, afirmou.

A dirigente abordou a relação com o investidor grego Evangelos Marinakis, também dono do Olympiacos, da Grécia, e do Nottingham Forest, de Inglaterra, defendendo que existe uma convergência de interesses entre o clube e a SAD.
“Não é difícil ser presidente do clube e da SAD, porque só tenho um único objetivo e preocupação, que é o sucesso do Rio Ave”, assegurou.
Alexandrina Cruz rejeitou ainda que a integração num grupo com clubes em Portugal, Inglaterra e Grécia transforme o Rio Ave num mero entreposto de jogadores.
“O futebol, como qualquer outro negócio, tem que ter esta capacidade de se reinventar, mas não vejo o clube como entreposto. É um negócio integrado num grupo de clubes, uma vertente social, a desportiva e, naturalmente, a financeira. Temos mais de 1000 atletas e grande parte é de Vila do Conde”, frisou à Lusa.
Questionada sobre a possibilidade de a ligação ao investidor grego prejudicar o Rio Ave na imagem que projeta, e mais concretamente no tratamento com a arbitragem, a presidente afastou essa interpretação.
“Não acho que sejamos prejudicados por isso, mas nas reuniões que tivemos com o Conselho de Arbitragem, sempre muito positivas e abertas, fizemos questão de deixar claro que o investimento que estava a ser feito no Rio Ave é também um investimento que estava a ser feito no futebol português”, explicou.
Apesar de manifestar preocupação com as polémicas recentes na arbitragem, Alexandrina Cruz acredita que o trabalho desenvolvido pela Federação Portuguesa de Futebol poderá produzir melhorias.
“A arbitragem também tem que acompanhar esta evolução. Naturalmente preocupam-me certas coisas que têm sido públicas, mas gostava muito que falássemos cada vez menos de arbitragem”, concluiu.

