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Os cinco jogos consecutivos sem vencer deixaram os vitorianos à margem do comboio europeu, enquanto Gil Lameiras mudou apenas uma peça no onze - entrada de Gustavo Silva por Nélson Oliveira - à procura de conquistar os primeiros três pontos no terceiro jogo ao comando da equipa principal. Do outro lado, os beirões resolveram o conturbado despedimento do antigo treinador Cristiano Bacci, com aposta no técnico português Gonçalo Feio para guiar a equipa à salvação.

O cenário (de) Feio
De forma algo surpreendente, o novo treinador tondelense - em estreia no principal escalão português - operou cinco mexidas no onze, promovendo a titularidade de Emmanuel Maviram, Arjen van der Heide, Juan Rodríguez, Jordan Siebatcheu e Rony Lopes, desfazendo a dupla de Rodrigo Conceição e Makan Aiko que estava a dar frutos no flanco esquerdo. Na apresentação, o antigo timoneiro dos polacos Legia Varsóvia e Radomiak Radom prometeu uma equipa a querer "assumir o jogo, com bons jogadores, dinâmicas interessantes e forte apoio dos adeptos".
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Apesar das estatísticas respaldarem essa nova identidade beirã, a verdade é que o arranque da partida não correu da melhor forma aos visitantes. Logo aos cinco minutos, uma grande arrancada de Tony Strata desmontou a defesa, o romeno serviu Gonçalo Nogueira que, por sua vez, deu para Oumar Camara fletir para o meio e rematar rasteiro e colocado para inaugurar o marcador.
O Tondela tentou ripostar assente na nova forma de estar, com posse de bola e a sair de trás, mas acumulava erros na construção e, pior ainda, no posicionamento defensivo. Aos 18 minutos, uma recuperação em zona alta permitiu aos avançados vitorianos trocarem a bola rapidamente e deixarem-na nos pés de Miguel Nogueira. O jovem médio aproveitou a ocasião para se estrear a marcar pela equipa principal, com um remate fortuito que desviou num defesa e traiu Bernardo Fontes. Pouco depois, nova perda de bola permitiu a Gustavo Silva furar na área e acertar na trave.
O Estádio D. Afonso Henriques suspirava de alívio por ver o caminho das vitórias no horizonte e animava-se por ver a equipa a controlar a partida com maturidade. O Tondela mostrava bons princípios e construía bem, mas era totalmente ineficaz e infrutífero no último terço. Aliás, já em cima do intervalo, o terceiro golo pairou por duas vezes, primeiro num cabeceamento de Balieiro à malha lateral e um remate enrolado de João Mendes.

Um pesadelo coletivo e individual
Gonçalo Feio esperava que a palestra ao intervalo tivesse algum efeito antes de operar mudanças nos intervenientes. No entanto, nem teve tempo para isso, porque cinco minutos depois do reatamento Joe Hodge colocou a mão onde não devia e concedeu grande penalidade, convertida calmamente por Samu. A partir daí, o Tondela afundou-se nos seus próprios erros. Ainda a equipa se levantava do terceiro golpe quando Brayan Medina perdeu a bola para Gustavo Silva. O avançado fugiu para a área e rematou rasteiro e cruzado para dilatar a vantagem num golpe duplo.
Sem tempo a perder, o treinador beirão operou uma tripla alteração - entraram Rodrigo Conceição, Makan Aiko e Moudjatovic -, mas a equipa continuava a dar tiros nos pés. Logo após as mexidas, Brayan Medina cometeu nova grande penalidade por pisão em Gustavo Silva: Samu deu a bola a João Mendes, que se estreou a marcar ao fim de duas épocas de regresso ao clube de formação com uma cobrança igual à do seu capitão. Um golo muito celebrado pelo antigo jogador do FC Porto.
A partir daí, as duas equipas baixaram o ritmo e limitaram-se a gerir fisicamente os jogadores, sem qualquer lance digno de registo nos últimos 20 minutos. Com este resultado, o Vitória SC mantém-se no nono lugar, mas iguala os 35 pontos do Moreirense, enquanto o Tondela continua no penúltimo lugar, com 20 pontos, a dois do lugar de play-off e a quatro da manutenção, ambos à condição.
Homem do jogo: Oumar Camara (Vitória SC).

