Mourinho elogia FC Porto mas critica árbitro e revela: "Fui chamado de traidor 50 vezes"

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Leia abaixo as declarações do treinador do Benfica, José Mourinho, após o empate 2-2 com o FC Porto, no Estádio da Luz, na 25.ª jornada da Liga Portugal.

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Penálti no último lance?: "Não vi, já não estava no banco e não tive ocasião de ver na televisão. Não quero cometer o mesmo erro da semana passada em que pedi penálti e não o era".

Expulsão: "Há duas coisas na minha expulsão. O árbitro diz que me expulsou porque rematei uma bola contra o banco do FC Porto o que é completamente falso. Não sei se foram três, quatro ou cinco, mas já fiz muitas vezes chutar a bola para a bancada para dar a bola a um adepto. Sei que tecnicamente não sou muito bom, mas era para a bancada. O elemento do banco do FC Porto que também foi expulso, no túnel chamou-me traidor 50 vezes. Gostava que me explicasse. Traidor de quê?

Estive no FC Porto, dei a alma ao FC Porto, no Chelsea, Inter, Real Madrid, Fenerbahçe fiz o mesmo. Dei a volta ao mundo e dei a minha alma, a minha vida e 24 horas todos os dias. A isto chama-se profissionalismo. Uma coisa são insultos de adeptos - que há anos atrás se ajoelhavam a meus pés -, não há problema nenhum e isso é futebol, mas um colega de profissão chamar-me traidor? Porquê? Por dar tudo ao Benfica? Quando sair e for para o Estrela, União de Leiria ou Moreirense vou dar o mesmo. Não gostei, honestamente. Fui mal expulso. O quarto árbitro fez um trabalho péssimo durante todo o jogo e continuou a fazer um trabalho péssimo quando disse que rematei uma bola para o banco do FC Porto".

Análise: "Durante grande parte do jogo, estiveram mais perto de ganhar do que nós. Pode gostar-se ou não, mas construíram uma equipa com uma ideia. É aquilo que querem, a maneira como jogam e o perfil de jogadores que foram buscar é para aquilo que eles querem. Tem quatro alas, qual deles é o mais rápido? São muito superiores a nós na intensidade do jogo. O jogo que fizemos melhor foi o jogo da Taça. Porquê? Porque jogámos com Aursnes e Barreiro no meio-campo e tivemos muita bola. Jogas com o FC Porto, perdes bola e vais correr atrás deles, só que eles vão de mota e tu de bicicleta. O perigo esteve sempre ali. Eles fizeram o jogo que queriam fazer e levam o resultado que é bom para eles, mas acho que vieram para ganhar. Apanharam-se em vantagem e são peritos na gestão do jogo, faltas, cartões, protestos, levam o João Pinheiro atrás, mas acho que fizeram um grande jogo.

 Nós fizemos uma péssima primeira parte. Eu senti-me muito limitado porque uma coisa é jogar com Aursnes e Barreiro, outra é com Enzo e Rios. O perfil de jogo é completamente diferente e para o FC Porto foi muito melhor o Benfica que nós fomos. Na segunda parte, estando limitado… o Barreiro não podia jogar mais de 15 minutos, foi ele que definiu os timings. O Manu é muito parecido com o Enzo, Sudakov é uma situação parecida à do Barreiro e o Lukebakio a crescer, mas sem condições de entrar ao intervalo. Quis equilibrar a equipa do ponto de vista psicológico. Eles rebentavam conosco se não fossemos equilibrados. Quando eles tiram dois Ferrari para meter dois McLaren o risco esteve sempre ali. Sabíamos que com o 1-2 o jogo podia mudar. Foi coração, orgulho, desejo de ganhar e se não ganhar, não perder. Jogamos por nós, por uma classificação, pelos adeptos e significado do jogo. De acordo com o que queriam fazer e nós queríamos, eles foram mais fortes do que nós".

Benfica vivo na corrida pelo título e conversa com Rui Costa: "Não tive nenhuma conversa nesse sentido, aconteceu o que aconteceu na primeira volta. Empate do Sporting e nós com o FC Porto. A classificação não se altera, o que se altera é que não jogamos com o FC Porto e não podemos recuperar pontos com o FC Porto. Faltam 27 pontos, ainda está lá, mas considero difícil recuperar sete pontos. A diferença de golos é parecida, mas sete pontos não me parecem fáceis. É fácil de identificar como o FC Porto joga e é difícil jogar contra eles. Não me parece que seja fácil que eles percam pontos, mas matemática é matemática e tudo pode acontecer".

Quem chamou traidor: "O Lucho (González). Quando ele foi para o Marselha traiu o FC Porto ao dar tudo da sua vida ao Marselha? Traidor de quê? Podia insultar de outra maneira, é um ataque ao meu profissionalismo. Todos devíamos ser assim: onde estamos, vamos com tudo. Fiquei desiludido porque é um profissional como eu, defendeu diferentes camisolas e não entendi a do traidor".

Falta de qualidade na primeira parte: "Conseguiram ter superioridade, mas também em função do nosso jogo. Já expliquei que dominámos o jogo da Taça praticamente sem perdas de bola, fizemos um grande jogo no Porto, mas hoje perdemos muita bola no princípio, depois uma intensidade física. Trata-se de DNA. Sai um e entra o Fofana, ainda tem dois no departamento médico que estão em casa. Se entras num jogo de parada e resposta não tens hipótese absolutamente nenhuma. O segundo golo que sofremos é absolutamente ridículo. O ala esquerdo do FC Porto vai no um contra um com o central esquerdo do Benfica. Onde estava o lateral direito? O central do lado direito? Cometemos erros. O FC Porto fez uma boa primeira parte, mas cometemos erros. Conseguimos inverter as coisas na segunda parte, mas com dificuldades na transição. Eles não conseguiram ser eficazes como o miúdo no primeiro golo, tiveram mais quatro situações em campo aberto. Tens de ter segurança no jogo, não gosto de o fazer, mas a coisa é tão óbvia que tenho de o fazer: sem Aursnes a nossa música é diferente".

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