O Boavista apresentou esta quarta-feira, na assembleia de credores, o seu plano de recuperação e, posteriormente, o plano de negócios, tendo a administradora de insolvência afirmado, no início dos trabalhos, que o clube está a cumprir as injunções previstas no despacho de reabertura, explicou Rui Garrido Pereira, em declarações à Lusa.
Segundo o presidente do Boavista, o plano não obteve o voto favorável dos principais credores, nomeadamente os hipotecários, que consideraram não estarem salvaguardados os seus interesses.
A direção vai, contudo, continuar a trabalhar com essas entidades para encontrar uma solução que permita a recuperação do clube.
“A Direção vai continuar a trabalhar com esses mesmos credores, com vista a ser apresentado até ao final do mês corrente um plano apto a ser votado favoravelmente com vista à recuperação do clube”, acrescentou.
Rui Garrido Pereira garantiu ainda que o clube se mantém “em atividade, de acordo com o que vem sucedendo desde a reabertura da atividade do clube”.
A assembleia de credores decorreu hoje no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia e tinha como objetivo discutir o plano de recuperação do Boavista Futebol Clube, num processo distinto do que envolve a Boavista SAD.
O clube tinha visto aprovada a sua liquidação em setembro de 2025, depois de apresentar dívidas superiores a 150 milhões de euros, mas o tribunal autorizou posteriormente a continuação da atividade, mediante o cumprimento de condições financeiras.
Em julho deste ano, a administradora da insolvência, Maria Clarisse Barros, determinou o encerramento da atividade do clube, depois de não ter sido depositado o montante destinado a suportar as despesas correntes referentes ao mês anterior.
Em agosto, o tribunal autorizou a reabertura da atividade, condicionada ao pagamento regular das despesas correntes até ao final da época 2026/27.
O Boavista apresentou entretanto um plano de recuperação e um plano de negócios, procurando assegurar a continuidade da atividade do clube, que envolve 31 modalidades e cerca de 1.500 atletas.
A situação do clube ocorre em paralelo com a liquidação da Boavista SAD, aprovada pelos credores em setembro, depois de rejeitado o plano de recuperação apresentado pela sociedade.
A Boavista SAD, que detém a atividade profissional de futebol, tinha sido despromovida à II Divisão da Associação de Futebol do Porto em 2025/26, depois de terminar a Liga na 17.ª e penúltima posição.
A sociedade acabou por abdicar da inscrição nesse escalão, tendo a vaga sido ocupada pelo Varziela, terceiro classificado da terceira divisão distrital.
O Boavista Futebol Clube, fundado em 1903, detém nove troféus nacionais no futebol sénior masculino e conquistou o seu único campeonato nacional em 2000/01, sendo um dos dois que fugiu a Benfica, FC Porto e Sporting – o outro arrebatou-o o Belenenses, em 1945/46.
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