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Aos 33 anos, o defesa do Gil Vicente partilha o registo de 13 presenças no principal escalão nacional, entre os jogadores em atividade, com João Moutinho e Ricardo Horta, do SC Braga, e Rafa Silva, do Benfica, depois de ter iniciado o percurso no principal escalão em 2012/13.
“É um motivo de orgulho, mas também tenho a sensação de que passou tudo muito rápido. A nossa vida no futebol é muito intensa: são muitos anos, muitos jogos. Não é fácil para todos os jogadores chegar a este número e, para mim, atingir esta marca é, sobretudo, uma satisfação”, afirmou, em entrevista à agência Lusa.
O lateral soma 249 encontros na Liga, repartidos por Sporting, Académica, SC Braga e Gil Vicente, numa carreira interrompida em 2025/26, quando representou os turcos do Fatih Karagümrük.
Mais de uma década depois da estreia no campeonato, o defesa considera que a longevidade não se explica apenas pelo rendimento apresentado durante os 90 minutos e chama a atenção para uma parte da profissão que raramente chega ao público.
“Só quem passa um dia com um jogador de futebol e vê aquilo que fazemos tem noção da realidade. Não é só chegar ao campo e jogar à bola”, observou.
Recuperação, treino, fisioterapia, alimentação e sono fazem parte de uma rotina, a que o defesa dá atualmente uma maior importância.
“É preciso trabalhar muito na recuperação, no treino, na fisioterapia, na alimentação e no sono. Todos esses ingredientes, pesados na balança, permitem chegar mais longe”, explicou.
A idade também alterou a forma como Esgaio olha para outros futebolistas que conseguiram prolongar as respetivas carreiras, procurando retirar desses exemplos hábitos que possam ser adaptados às suas necessidades.
“Quando começamos a chegar a uma certa idade, olhamos de outra maneira para os exemplos dos jogadores que conseguiram jogar ao mais alto nível até muito tarde. Tentamos retirar pequenas coisas que façam sentido para nós e que permitam prolongar a carreira”, revelou.

Uma preocupação que, reconhece, dificilmente tinha com a mesma intensidade quando começou a jogar entre os profissionais, numa altura em que a capacidade física permitia responder de outra forma à sucessão de treinos e jogos.
“Com 20 anos é muito mais fácil recuperar do que com 30. Quanto mais cedo os jovens conseguirem mudar esse ‘chip’ e perceberem até onde querem chegar, melhor preparados estarão para jogar ao mais alto nível, durante mais tempo”, considerou.
Esgaio procura também transmitir essa experiência aos jogadores mais novos, numa fase da carreira em que admite encarar o próprio futuro em períodos mais curtos.
“Tenho 33 anos, já não vou para novo”, reconheceu, antes de acrescentar que “a partir dos 30 é um pouco ano a ano, porque nunca sabemos quando é que o corpo se poderá ressentir mais”.
Sem estabelecer uma idade para abandonar os relvados, o defesa prefere não antecipar uma decisão enquanto mantiver condições físicas e vontade de competir.
“Para já, quero desfrutar do futebol. Vou pensando no futuro, mas não quero ter já a cem por cento definido aquilo que vou fazer. Quero aproveitar mesmo o futebol”, concluiu.
Esgaio conta sete golos marcados, nos 249 jogos disputados em 13 edições da Liga, competição que conquistou duas vezes, pelo Sporting (2023/24 e 2024/25), num historial que conta ainda com três Taças de Portugal, duas Taças da Liga e uma Supertaça Cândido de Oliveira.
