A MLS foi criada em meados da década de 1990 como condição prévia para os Estados Unidos receberem o Mundial de 1994, numa altura em que os dirigentes do futebol mundial estavam ansiosos por finalmente introduzir uma liga doméstica de topo no maior mercado de consumo do mundo.
Desde então, o futebol registou um crescimento notável nos Estados Unidos, tendo até ultrapassado, em termos de popularidade, desportos americanos tradicionais como o basebol, segundo alguns indicadores, . A Major League Soccer atraiu 12 milhões de adeptos aos estádios no ano passado, ficando apenas atrás da Premier League inglesa.
Grandes nomes como Lionel Messi, Son Heung-min e, esta semana, Antoine Griezmann juntaram-se recentemente à liga, numa altura em que os clubes da MLS têm vindo a construir estádios próprios, modernos e dedicados ao futebol.
No entanto, apesar do aumento do número de adeptos a nível interno, os responsáveis pretendem agora desafiar a popularidade dos principais clubes europeus, procurando conquistar seguidores em todo o mundo.
"Quero adeptos do Atlanta United em Londres, na Alemanha," afirmou Victor Montagliani, presidente da CONCACAF, a confederação regional de futebol da América do Norte, Central e Caraíbas.
O comissário da MLS, Don Garber, disse à AFP que o futuro da liga "passa por aumentar a base de adeptos e o negócio fora dos Estados Unidos e do Canadá."
"Estamos a disputar o desporto global e, até agora, fomos sobretudo uma liga doméstica," afirmou, à margem da conferência Business of Soccer em Atlanta.
Desafio do teto salarial
Imitar clubes como o Real Madrid e o Manchester United é uma tarefa quase impossível. Esses clubes contam com décadas de tradição, com o apoio a ser transmitido de geração em geração e espalhado por todo o mundo.As ligas europeias também não têm limites salariais, o que lhes permite atrair os melhores talentos do planeta.
A MLS permite que cada clube ultrapasse esses limites com determinados jogadores "designados", mas a maioria dos elementos do plantel recebe salários restritos. A própria liga, por vezes, foi mais longe para garantir estrelas mundiais como David Beckham e Messi, vencedor por sete vezes da Bola de Ouro.
Em 2007, Beckham teve a oportunidade de comprar uma equipa da MLS por um valor bastante reduzido, enquanto em 2023 Messi recebeu a promessa de acordos excecionais de partilha de receitas com parceiros da liga como a Apple.
No entanto, Garber indicou esta semana que esses tempos já passaram, rejeitando a hipótese de Mohamed Salah – que anunciou recentemente que vai deixar o Liverpool – poder vir a receber condições tão extravagantes.
"Não tenho a certeza de que a liga precise de se envolver nesse tipo de acordos daqui para a frente. Houve uma altura em que tínhamos de convencer os jogadores a vir, mas agora já não se trata disso," afirmou Garber, acrescentando que gostaria de ver o avançado egípcio a jogar na MLS..
Em vez disso, a liga tem apostado noutras formas de se tornar mais atrativa para estrelas internacionais, como a mudança para um calendário de verão a primavera já a partir do próximo ano. Esta alteração vai permitir aos clubes norte-americanos contratar talento internacional durante a pausa de verão e evitar futuros conflitos com datas de jogos internacionais.
"É apenas uma peça do puzzle. Se queremos ser um protagonista no palco global, temos de jogar o mesmo jogo que o resto do mundo está a jogar, mesmo que para nós seja um pouco mais difícil," referiu Garber.
Febre do Mundial
Outra peça desse puzzle é o Mundial-2026, que vai ser organizado este verão nos Estados Unidos, Canadá e México.
A MLS está a preparar uma grande campanha de marketing para que os adeptos que assistam aos jogos do Mundial fiquem tentados a continuar a acompanhar a liga doméstica quando a competição terminar. Os responsáveis mostraram-se também confiantes de que os jogadores que visitem o país para o Mundial vão ficar impressionados com as novas e modernas infraestruturas de que muitas equipas da MLS já dispõem.
"Já recebemos seleções nacionais do top 10 que vieram utilizar o nosso centro de treinos e já ouvimos jogadores dessas seleções dizerem 'isto é melhor do que o centro de treinos do meu clube'. Penso que isto mostra, na verdade, a infraestrutura do futebol que já existe neste país", afirmou Brian Bilello, presidente do New England Revolution.
