O plano de continuidade aprovado pelo tribunal de comércio no ano passado para tirar o clube do processo de recuperação judicial previa, nomeadamente, uma redução de três quartos da sua dívida, de cerca de 100 milhões de euros, em prejuízo dos seus credores, incluindo alguns clubes que reclamam valores em falta relativos a transferências.
Gijón reclama assim ao clube de Gerard Lopez 1,5 milhões de euros no âmbito da transferência do médio espanhol Pedro Diaz em 2023.
O Bordéus já tinha sido incluído na lista de clubes proibidos de contratar devido a uma dívida de 8.225 euros ao Maribor (Eslovénia), mas a FIFA retirou-o dessa lista após o pagamento.
Contactado pela AFP, o advogado dos Girondinos, Matthieu Barandas, fala "de uma situação algo kafkiana".
"Estamos perante uma situação bastante inédita em relação à FIFA, com um clube francês que adotou um plano de continuidade com classes de partes afetadas", sublinha.
Os 431 credores do clube foram divididos em 15 classes de partes afetadas, ou seja, agrupados por estatuto, prioritário ou não, e por interesse económico comum.
"A FIFA aplica o seu regulamento como se o plano que adotámos não tivesse qualquer efeito jurídico para ela", prossegue o Dr. Barandas, acrescentando que o clube "não tem o direito de fazer o que a FIFA exige", "juridicamente de acordo com o direito francês".
Apresentou um primeiro recurso ao TAD para "solicitar a anulação da decisão da FIFA" e a "suspensão dos seus efeitos" enquanto decorre a análise do caso.
O advogado admite um segundo recurso "junto dos tribunais estatais comuns (Tribunal Administrativo, Comité Nacional Olímpico e Desportivo Francês)".
"Se não conseguirmos, vamos enfrentar dificuldades mais graves, teremos o mesmo problema com outras dívidas de transferências", alerta.
Clubes estrangeiros que negociaram com os Girondinos quando ainda eram profissionais, como o AEK Atenas, o Dinamo Batumi (Geórgia) ou o Farul Constanta (Roménia), podem seguir o exemplo do Gijón. O Bordéus ocupa atualmente o segundo lugar do seu grupo da N2, com seis pontos de desvantagem para o La Roche-sur-Yon a seis jornadas do fim. Só o primeiro classificado garante o acesso à Liga 3.
