Então, o que está a correr mal ao novo treinador permanente e, sobretudo, o que tem ele de mudar para aliviar a pressão sobre o seu futuro? O Flashscore pensou no assunto e encontrou cinco soluções rápidas e simples que Carrick deveria considerar para ajudar a sua equipa e o Manchester United a voltar a ganhar jogos.
Desistir da experiência de Cunha como falso nove
Carrick mudou imediatamente o sistema para uma linha de quatro defesas com dois avançados pelos flancos quando assumiu o comando interino em janeiro passado. Pouco depois, Matheus Cunha tornou-se o seu extremo-esquerdo de eleição. E a aposta resultou melhor do que alguém poderia ter esperado. Cunha destacou-se tanto como extremo colado à linha como enquanto avançado de faixa a procurar zonas interiores.
Marcou seis golos na Premier League na época passada depois da chegada de Carrick, em meados de janeiro, e a maioria foi de execução extraordinária. Cunha tinha liberdade para fazer aquilo em que é melhor: receber a bola em zonas recuadas e ultrapassar os defesas com a sua técnica apurada.
Por isso, a decisão de Carrick de utilizar Cunha como falso nove esta época, para acomodar o regresso de Marcus Rashford, é surpreendente. Cunha tem tido pouco contacto com a bola numa posição que há muito se tornou um cemitério para os jogadores do United e, na verdade, o brasileiro parece perdido.
Cunha não tem conseguido receber de frente e causar estragos como na época passada. É uma experiência que simplesmente não está a resultar. E também não se pode dizer que Rashford tenha brilhado no campeonato como extremo-esquerdo; bem pelo contrário. O internacional inglês mostrou-se perigoso e criou algumas boas oportunidades nos dois primeiros jogos do United, mas continua sem qualquer golo ou assistência.
O ataque de Carrick pareceu mais coerente e perigoso na época passada quando Cunha jogava pela esquerda. Por isso, não faz grande sentido destruir essa fórmula vencedora para acomodar um jogador que ainda tem muito a fazer para recuperar a confiança dos adeptos do United.
Assim, Cunha deveria começar pela esquerda, com Bryan Mbeumo na frente, numa posição mais adequada às suas características do que às de Cunha, pelo menos até Benjamin Sesko regressar de lesão. Rashford pode continuar a desempenhar um papel importante como suplente de impacto de Cunha ou Mbeumo, mas, na nossa opinião, ainda tem muito mais a provar antes de se tornar titular habitual.
Reformular uma defesa propensa a erros
Foi evidente desde a primeira jornada da época, quando a equipa de Carrick foi surpreendida pelo recém-promovido Hull City, que algo não está bem defensivamente no Man Utd.
Erros individuais, comunicação deficiente e falta de capacidade atlética penalizaram a equipa no início desta campanha. Os oito golos sofridos e nenhuma baliza inviolada nos cinco primeiros jogos confirmam essa teoria. Carrick tem de mudar alguma coisa na linha defensiva e começar a confiar mais nos defesas menos experientes do plantel. É certo que se pode apontar para as exibições desastrosas de Leny Yoro e de Ayden Heaven frente ao Brighton, na Taça da Liga inglesa, como razão para manter uma linha defensiva mais experiente.
No entanto, com o regresso de Matthijs de Ligt de lesão aparentemente próximo, Carrick pode colocar Yoro ou Heaven ao lado de De Ligt, Maguire ou Martinez, e deveria ponderar seriamente essa opção. Yoro fez uma estreia excelente pela França frente à Bélgica, na Liga das Nações, há poucos dias, e deverá ter retirado muita confiança dessa exibição.

O United precisa de alguém com a velocidade e a capacidade atlética de Yoro numa linha de quatro que parece demasiado dependente de intervenções de último recurso dentro da área. Noutro ponto da defesa, Patrick Dorgu merece uma sequência de jogos a lateral-esquerdo depois do mau início de época de Luke Shaw. Mais uma vez, Dorgu acrescentaria velocidade e capacidade atlética à defesa.
Integrar Baleba no meio-campo o mais rapidamente possível
A contratação de maior destaque do Manchester United no verão, Carlos Baleba, ainda não jogou, depois de ter sofrido uma lesão no final da época passada. Contudo, o médio camaronês regressou aos treinos durante a pausa internacional e é finalmente uma opção.
Carrick deveria procurar integrar Baleba o mais rapidamente possível, depois de ter ficado claro nos primeiros meses da época que Youri Tielemans e Kobbie Mainoo não funcionam como duplo pivô. Mainoo tem estado em boa forma e deu continuidade ao nível apresentado no final da época passada.
O produto da formação continuou inclusivamente a melhorar o seu trabalho sem bola, mas não ficou mais rápido de um dia para o outro. Com Tielemans a parecer fora de ritmo, o meio-campo a dois é muito melhor com bola do que sem ela, e a falta de velocidade conjunta tem criado problemas a Carrick nas transições.
A entrada de Baleba para fazer dupla com Mainoo daria imediatamente ao United alguém capaz de cobrir o terreno de forma mais eficiente. Ter um jogador que consiga apagar os fogos antes de estes se descontrolarem é crucial no futebol moderno. Com bola, a equipa de Carrick talvez tenha de jogar de forma ligeiramente diferente, já que Baleba oferece características diferentes das de Tielemans.
Enquanto Tielemans procura desmontar a oposição e é o rei do passe antes da assistência, Baleba tentará levar o United da defesa ao ataque através das arrancadas que o tornaram conhecido. E, quando se tem ao lado alguém como Mainoo, tão eficaz a conservar a posse, existe potencial para formar uma dupla de meio-campo bem equilibrada.
A entrada de Baleba no meio-campo, sobretudo frente a adversários mais frágeis, também deverá dar a Mainoo mais liberdade para causar o caos no último terço, como fez de forma brilhante sob o comando de Erik ten Hag na sua época de afirmação.
Carrick não pode perder demasiado tempo a integrar Baleba quando o seu actual meio-campo a dois não está a funcionar e precisa rapidamente de resultados para inverter o rumo de uma época que ameaça fugir-lhe do controlo.
Rodar Lacey e Amad na ala direita
Se Mbeumo passar a ocupar a posição de número nove, ficará uma vaga na ala direita. Felizmente para Carrick, há dois candidatos fortes.
O entusiasmante produto da formação Shea Lacey marcou um golo extraordinário na sua primeira titularidade pelo Manchester United, frente ao Brighton. Apesar da sua inexperiência no futebol sénior, o Man Utd precisa desesperadamente da irreverência da juventude no ataque. Até agora, o sector ofensivo jogou demasiadas vezes abaixo das suas capacidades, mas é certo que Lacey tentará fazer acontecer.
Entretanto, espera-se que Amad Diallo regresse em breve de lesão, o que são excelentes notícias para Carrick. Embora Amad tenha tido dificuldades em contribuir para golos na época passada, o ataque do United quase sempre parece mais perigoso quando ele joga.
O costa-marfinense também é muito combativo sem bola. Se Carrick quiser dar mais mobilidade ao resto da equipa, a sua capacidade de pressionar poderá revelar-se especialmente útil. Quando está inspirado, Amad também tem um bom entendimento com Bruno Fernandes, Cunha e Mbeumo, uma química que pareceu fazer falta durante a sua ausência.
Melhorar os níveis físicos do plantel
Um grande problema para terminar. O Manchester United passou de uma das melhores equipas da liga, em termos estatísticos, na distância percorrida por jogo sob o comando de Ruben Amorim, para uma das piores sob Michael Carrick. Na época passada, isso não teve grande importância, em parte porque o plantel do United estava extremamente bem preparado fisicamente quando Carrick foi nomeado. O mais importante para ele era simplificar tudo e fazer os jogadores regressarem às suas posições correctas.
Mas a entrevista de pré-época de Tielemans com Rio Ferdinand foi alarmante. Questionado sobre como tinham sido os treinos de pré-época, Tielemans admitiu que fizeram apenas "sessões rápidas e intensas". Quando Ferdinand insistiu e perguntou se tinham corrido muito, Tielemans limitou-se a responder: "Não".
A preocupação dos meios de comunicação social e dos adeptos sobre o que isso poderia significar justificou-se quando o Manchester United pareceu mal preparado fisicamente nos primeiros jogos da época. As estatísticas também são demolidoras para Carrick.
Segundo a Sky Sports, ao fim de cinco jogos, o Manchester United ocupa o 20.º lugar na distância percorrida em alta intensidade, o 20.º no tempo passado em alta intensidade, o 20.º no tempo a fazer sprints e o 17.º na percentagem de tempo a caminhar sem bola.
Carrick tem de identificar este problema e aceitar que, no futebol moderno e sobretudo na Premier League, estar muito bem preparado fisicamente é fundamental. O United parecia ter uma pressão eficaz após determinados gatilhos, mesmo sob o comando de Carrick na época passada, e ele tem de tentar recuperá-la.
Os Red Devils terão mais mobilidade na equipa mesmo que Baleba e Amad sejam as únicas alterações no onze. Por isso, não há razão para não implementarem uma pressão eficaz: estes jogadores já provaram que conseguem fazê-lo.
As mudanças de jogadores e o trabalho físico são soluções fáceis para os problemas evidentes que Carrick enfrenta, mas tem de mudar as coisas imediatamente. Caso contrário, a pressão só aumentará à medida que os resultados inevitavelmente lhe forem desfavoráveis.
