Análise: Manchester City pode ter de ponderar vender Rodri no final da época

O médio espanhol do Manchester City, Rodri, celebra um golo frente ao Exeter City
O médio espanhol do Manchester City, Rodri, celebra um golo frente ao Exeter City Oli SCARFF / AFP / AFP / Profimedia

Se há um jogador que personifica a forma como Pep Guardiola pretende que o seu Manchester City jogue, é o dinâmico médio defensivo Rodri.

Contratado ao Atlético de Madrid por aquilo que hoje parece um valor incrivelmente baixo, 70 milhões de euros, mas que era um recorde do clube na altura, o quase trintão tornou-se uma presença metronómica, e a sua excelência no meio-campo permitiu que jogadores como Bernardo Silva, Erling Haaland e Phil Foden e companhia se destacassem.

De facto, quando o antigo vencedor da Bola de Ouro esteve ausente durante meses devido a uma lesão no joelho, a perda foi notória, especialmente se considerarmos o registo do City em que Rodri está em campo, que é impressionante.

O espanhol soma, até ao momento, 288 jogos em todas as competições, dos quais venceu 207, um número extraordinário. Outros 47 terminaram empatados e apenas 35 foram derrotas.

O golo mais importante do City na última década

28 golos e 30 assistências nesse período são um registo fantástico para um jogador na sua posição, com o golo mais importante da história recente do City – o decisivo na final da Liga dos Campeões de 2023, que garantiu o primeiro título europeu do clube – a surgir de um remate de pé direito.

Mas, diga-se em voz baixa, esta época o médio espanhol não tem sido tão influente como nas anteriores.

Apesar da taxa de passes completados de 90,3% na Premier League desta época ser incrivelmente elevada, revela uma quebra face à última época completa (2023/24), em que acertou em 92,5% das ocasiões.

Pode não parecer uma diferença significativa, mas na campanha 23/24 realizou um total de 3.633 passes, e com apenas nove jogos da por disputar esta época, Rodri conseguiu apenas 1.220 em 2025/26.

Quebra de forma é evidente

Também só criou 20 oportunidades no principal escalão inglês em 25/26, o seu pior registo desde que chegou ao clube.

91 duelos individuais ganhos em 133 disputados dão-lhe uma taxa de sucesso de 68,4% nesta época, o seu melhor registo; contudo, este dado é algo enganador, já que em quase todas as épocas anteriores no clube disputou bem mais de 300 duelos em cada uma (não contando a época 2024/25, marcada pela lesão).

Gráfico radar de Rodri - Premier League 2025/26
Gráfico radar de Rodri - Premier League 2025/26Opta by Stats Perform

Até a percentagem de desarmes ganhos, algo que sempre foi uma das suas maiores qualidades, caiu de forma preocupante. Dos 33 desarmes tentados esta época, venceu 17 e perdeu 16, o que representa um fraco registo de 51,5%. Em 23/24, esse valor era bem mais saudável: 61,4%, com 43 desarmes bem-sucedidos em 70 tentativas.

Grande qualidade técnica para um jogador de grande porte

Rodri traz, naturalmente, uma dose considerável de físico ao seu papel, e poucos jogadores, se é que há algum, conseguem ser tão imponentes e ter o seu conjunto de qualidades técnicas.

É precisamente isso que torna a possibilidade de o transferir uma das questões mais difíceis que Guardiola e a direção do City vão ter de ponderar.

Os Cityzens renovam algumas áreas e voltam a atacar tudo na próxima época, ou apostam em segurar jogadores que já passaram o auge mas continuam a oferecer experiência ao mais alto nível?

Importa recordar que o contrato de Rodri com os campeões crónicos da Premier League termina no verão de 2027, o que significa que poderá, se assim o desejar, começar a negociar com outros clubes no início do próximo ano.

Potencial para um grande salário noutro clube

Com Real Madrid fortemente apontado como interessado em trazer o jogador de volta à capital espanhola, o City precisa de decidir rapidamente se quer oferecer uma renovação que o leve até aos 30 e tal anos, ou procurar um jogador mais jovem com perfil semelhante e vender Rodri enquanto ainda pode.

Mesmo que o clube esteja disposto a investir financeiramente num jogador que já aufere um salário semanal de 225 mil euros (menos de metade do que é reportado para Erling Haaland), a decisão pode depender apenas dele.

A possibilidade de jogar, provavelmente, no maior clube do mundo e ingressar a custo zero, tal como Kylian Mbappé fez, recebendo um prémio de assinatura substancial, não está fora de hipótese.