O que têm em comum o Tottenham e a Fiorentina? Será o facto de os seus atuais treinadores terem ambos orientado o Sassuolo, ou de, enquanto jogadores, ambos terem um pé esquerdo capaz de desenhar trajetórias perfeitas?
Ambas as respostas estão corretas, mas não são os únicos elos entre estas equipas da Premier League e da Serie A. Na verdade, ambas ocupam atualmente o fundo da tabela nas respetivas ligas. E ambas passaram praticamente todo o verão a surfar uma onda de enorme entusiasmo antes da época 2026/27.
No entanto, tanto os spurs como La Viola vêm de uma temporada anterior em que desiludiram bastante e tiveram de lutar para evitar a descida de divisão, sendo que os ingleses tiveram de sofrer bem mais do que os italianos.
Em Londres, Roberto De Zerbi foi lançado de imediato numa situação complicada, tendo de salvar a sua equipa de uma potencial descida catastrófica na primavera passada. Em Florença, por outro lado, Fabio Grosso chegou com muita confiança, mas deparou-se logo com exigências elevadíssimas.

Grandes expectativas
Foi um mercado de transferências marcante no norte de Londres, em parte assinalado pela saída do defesa Radu Dragusin, que se transferiu do Tottenham para a Fiorentina por empréstimo com obrigação de compra. Os spurs gastaram mais de 300 milhões de euros para contratar Sandro Tonali, Savinho, Jan Paul van Hecke e Omar Marmoush, depois de venderem Cristian Romero, Luka Vuskovic, Djed Spence e Guglielmo Vicario.
O conunto viola respondeu com uma campanha de transferências dinâmica, procurando reforçar todos os setores, juntando ao já referido defesa romeno as contratações de Christ Inao Oulai, Arthur Atta, Pedro Gonçalves e Mateo Pellegrino, garantindo Giovanni Fabbian ao Bolonha e reduzindo o plantel com empréstimos de jogadores como Amir Richardson. A saída de Moise Kean, já no final do mercado, foi, no entanto, antecedida por um arranque de campeonato terrível.
Duras realidades
Na Premier League, o Tottenham teve uma estreia para esquecer, sofrendo uma clara derrota por 3-0 no terreno do Brentford, seguida de mais uma exibição pálida em casa frente ao Newcastle, terminando 0-2. Com cinco golos sofridos e nenhum marcado, os Spurs precisam agora de inverter imediatamente o rumo no próximo jogo fora frente ao Nottingham Forest, equipa que procura a sua primeira vitória da época perante os seus adeptos.

A situação da Fiorentina na Serie A é, se possível, ainda mais delicada. Depois de um início promissor na Taça de Itália (vitória por 4-1 frente ao Benevento), a formação de Florença sofreu um arranque de campeonato brutal – uma pesada derrota por 4-0 no Olímpico diante da Roma, seguida de uma surpreendente derrota caseira por 3-0 frente ao Frosinone. Com uma diferença de golos de -7 e ainda sem marcar, a Fiorentina tentará dar uma resposta imediata no Franchi na próxima jornada frente ao Torino.
Centenário arruinado
Os factos, portanto, não perdoam nenhum dos treinadores. Contratados para inverter uma tendência negativa, tanto De Zerbi como Grosso começam agora a perceber o quão difícil é corresponder às expectativas. O Tottenham, sempre à procura da grandeza, e a Fiorentina, finalmente em busca de vingança, são duas faces da mesma moeda – a ansiosa procura de um estatuto superior. Mas esse estatuto parece nunca chegar.
O caminho que se segue é agora extremamente íngreme e, no contexto de ambas as ligas, estes seis pontos podem revelar-se muito caros para os dois treinadores italianos, ambos conhecidos como inovadores táticos, mas agora confrontados com uma dura parede chamada realidade. Para piorar, para os adeptos italianos houve a enorme desilusão de ver o centenário arruinado pelo descalabro caseiro frente ao Frosinone, equipa que provavelmente lutará para evitar a descida.
O elevado nível competitivo tanto na Premier League como na Serie A, apesar das grandes diferenças salariais, de receitas e de espetáculo, colocou Tottenham e Fiorentina em posições terríveis neste arranque de época.
O entusiasmo de meados do verão, que alimenta sonhos, transformou-se até agora em desilusão. É preciso inverter o rumo já, e com vitórias. Caso contrário, tanto em Londres como em Florença, terão de preparar-se para mais uma época de sofrimento.
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