As autoridades fiscais terão aberto esta investigação depois de, no final de 2018, o semanário alemão Der Spiegel ter publicado correios eletrónicos internos do clube inglês, afirma o jornal, segundo "pessoas familiarizadas com o caso".
Segundo as fontes citadas pelo jornal, a investigação, que não está relacionada com suspeitas de fraude deliberada, nunca foi formalmente encerrada e a administração tributária britânica (HMRC) não tomou qualquer medida contra o clube.
Contactada pela AFP, a administração tributária britânica não quis fazer comentários, devido à confidencialidade das informações relativas aos contribuintes.
Contactado pela referida agência acerca da informação do Financial Times, o clube, propriedade desde 2008 do xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan, membro da família reinante de Abu Dabi, não respondeu até ao momento.
O Manchester City foi considerado culpado, no final de setembro, de infrações "graves" às normas financeiras da Premier League durante o período de 2009-2018, por uma comissão independente, num caso que abalou todo o futebol europeu.

O clube, que defende a sua inocência e contesta estas conclusões, recorreu.
Repercussões geopolíticas
A investigação da Premier League, que foi a entidade responsável por ordenar a criação da referida comissão, teve início em dezembro de 2018.
À espera de uma sanção, em data ainda não especificada, o clube poderá perder vários títulos e ser até excluído do campeonato.
Desde a sua aquisição por capitais emiradenses, o Manchester City conquistou oito títulos da Premier League e a Liga dos Campeões em 2023, graças, entre outros fatores, a investimentos massivos em contratações.

O veredito também poderá ter repercussões geopolíticas, ao ensombrar o sucesso de um clube que constitui uma das mais importantes montras dos Emirados Árabes Unidos, país com o qual o Reino Unido mantém relações há décadas.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, antigo presidente da Câmara da Grande Manchester, elogiou na semana passada os investimentos dos proprietários emiradenses do clube.
Um porta-voz do primeiro-ministro esclareceu posteriormente as suas declarações, sublinhando que ninguém podia estar "acima das regras".
