Há apenas algumas semanas, as informações vindas de dentro do clube traçavam um cenário bem mais positivo. Quem acompanhava as conversas internas mostrava-se confiante de que a posição de Amorim estava segura, entendendo que ele estava a corresponder às expectativas ao manter a equipa próxima dos lugares de acesso à Liga dos Campeões.
Esse objetivo sempre foi central no seu mandato esta época. Mesmo em fases em que as exibições não entusiasmaram ou ficaram aquém do esperado, o United manteve-se competitivo e na luta.

No entanto, algo parece ter mudado e, neste momento, decorrem conversas entre figuras de topo do clube para decidir como avançar, mas a segurança no cargo de Amorim já não é vista como garantida.
O próprio treinador estará frustrado. Do seu ponto de vista, acredita ter cumprido a sua parte do acordo ao manter a equipa nos lugares cimeiros da tabela. A equipa melhorou desde a sua chegada e manteve-se competitiva, apesar das lesões e das chamadas para as seleções.
Contudo, cresce a sensação, do lado de Amorim, de que o apoio da direção não tem acompanhado o seu esforço. Esperava reforços nesta janela de transferências, tendo a contratação de um médio sido identificada como prioridade.
O United tentou, sem sucesso, contratar Antoine Semenyo, e não há sinais de que outros negócios estejam a avançar.
Apesar de os principais alvos do clube poderem estar fora de alcance, Amorim ainda esperava um esforço renovado para reforçar o plantel e dar-lhe mais opções para o resto da época.
Nos últimos 10 dias, fontes indicam que aumentaram os sinais de que não deverá chegar qualquer reforço. Embora o clube continue atento a várias situações, pouco tem avançado de forma concreta, o que só aumenta a incerteza em torno do plantel e do futuro do treinador.
Após o empate 1-1 frente ao Leeds em Elland Road, Amorim fez uma avaliação surpreendentemente franca da sua posição. Disse: “Vim para ser o treinador principal do Manchester United – não para ser apenas o técnico do Manchester United. Isso está claro. Sei que o meu nome não é Tuchel, Mourinho ou Conte, mas sou o treinador principal.
“Vai ser assim durante 18 meses ou até a direção decidir mudar. Não vou demitir-me, vou cumprir o meu trabalho até chegar outro para me substituir. Cada departamento, o departamento de scouting, o diretor desportivo, tem de fazer o seu trabalho. Eu farei o meu durante 18 meses e depois seguimos em frente”, acrescentou.
Acrescentou ainda: “Se as pessoas não conseguem lidar com os Gary Nevilles e com as críticas a tudo, então temos de mudar o clube.”
As figuras de poder do United vão agora avaliar o que é melhor para o clube, de forma a avançar com rumo e otimismo. No entanto, as suas declarações só aumentaram o escrutínio em torno da sua posição, assim como a posição do clube no mercado de transferências de janeiro. Internamente, sabe-se que já existe um plano de contingência caso a situação se agrave.
Michael Carrick foi apontado como possível solução interina, dada a sua ligação ao clube e ao balneário, enquanto o antigo selecionador de Inglaterra, Gareth Southgate, também é apreciado por alguns elementos da estrutura e continua sem clube.
Para já, Amorim mantém-se no comando, mas a sensação de estabilidade que começava finalmente a rodear o seu mandato está claramente a desvanecer-se.

