Tottenham pondera futuro de Igor Tudor com a sobrevivência na Premier League em risco

Igor Tudor, treinador interino do Tottenham
Igor Tudor, treinador interino do TottenhamAction Images via Reuters / Andrew Couldridge

O Tottenham está a ficar sem tempo para se salvar do quase impensável pesadelo da despromoção da Premier League, com o futuro do treinador interino Igor Tudor em dúvida, apenas semanas depois de ter assumido o comando técnico.

Os Spurs, que competem na principal divisão inglesa há quase meio século, sofreram uma derrota por 0-3 frente ao rival direto Nottingham Forest em casa, no domingo.

Antes do encontro, os adeptos reuniram-se em massa nas ruas do norte de Londres para demonstrar o seu apoio à equipa fragilizada, num ambiente mais típico de uma celebração de troféu.

Também se viveu uma atmosfera vibrante dentro do reluzente estádio do clube, com os Spurs a dominarem durante grande parte da primeira parte.

No entanto, Igor Jesus colocou os visitantes em vantagem mesmo em cima do intervalo e o Tottenham desmoronou-se após o descanso, concedendo mais dois golos enquanto as bancadas se esvaziavam rapidamente.

Esta derrota prolongou a série sem vitórias do Tottenham na Premier League para 13 jogos, deixando a equipa no 17.º lugar da tabela, apenas um ponto e uma posição acima do West Ham, que ocupa a zona de despromoção.

Segundo o mais recente ranking da Deloitte, o Tottenham é o nono clube mais rico do mundo, o que sublinha o carácter extraordinário da situação atual.

O resultado desastroso de domingo aumentou a pressão sobre o antigo treinador da Juventus, Igor Tudor, que perdeu cinco dos sete jogos que orientou em todas as competições desde que substituiu Thomas Frank.

Os dirigentes do clube têm agora uma decisão de peso a tomar durante a pausa internacional. Devem manter ou mudar, numa tentativa de evitar a primeira e embaraçosa descida de divisão desde 1977?

O Tottenham somou apenas 30 pontos em 31 jogos da Premier League esta época. Considerando o sistema atual de três pontos por vitória, é o registo partilhado mais baixo nesta fase de uma época de Liga, igualando o de 1914/15.

É um cenário sombrio para um clube que celebrou a conquista da Liga Europa na época passada, sob o comando de Ange Postecoglou, e que, ainda assim, acabou por ser dispensado após a equipa terminar no 17.º lugar da Premier League.

Igor Tudor não esteve disponível para falar à comunicação social após o jogo de domingo, depois de ter sido informado do falecimento de um familiar, cabendo essa tarefa ingrata ao seu adjunto, Bruno Saltor.

O experiente ex-internacional croata Igor Tudor foi chamado no mês passado com a missão de salvar a época do Tottenham, mas não conseguiu travar a queda da equipa.

Bruno Saltor, confiante, afirmou estar "100 por cento" seguro de que os Spurs vão conseguir manter-se, apontando para o recente empate 1-1 em Liverpool e para a vitória a meio da semana, frente ao Atlético de Madrid ,na Liga dos Campeões, apesar da eliminação no conjunto das duas mãos.

"Neste momento, todos os pequenos detalhes estão a jogar contra nós", afirmou.

"Trata-se de inverter essa tendência e é isso que me dá confiança", acrescentou.

Ambiente "tóxico"

Mas o antigo médio do Tottenham, Danny Murphy, considerou "impossível" Igor Tudor continuar e acredita que o clube, tido como um dos "Big Six" da Premier League, vai arriscar a mudança.

"Acho que é muito difícil para os jogadores atuarem num ambiente tão desanimado e tóxico", disse à BBC.

"A única forma de mudar isso é vencer jogos, o que não estão a conseguir, ou trocar de treinador – que é o que os adeptos querem. Se o mantiverem no cargo, são cinco jogos de Liga sem vencer. Se entrar alguém novo e conseguir uma vitória, de repente tudo pode mudar rapidamente. Penso que é um risco que vale a pena correr e acredito que o vão fazer", acrescentou.

O antigo guarda-redes dos Spurs, Paul Robinson, afirmou que o empate 1-1 frente ao Liverpool "mascarou os problemas".

"Foi o pior resultado possível, porque um ponto não serviu de nada e manteve-o no cargo", referiu.

A única pequena consolação do Tottenham no domingo foi a derrota do West Ham no terreno do Aston Villa, mas não podem depender das ofertas dos Hammers, que têm dado sinais positivos nas últimas semanas.

Os Spurs só voltam a jogar a 12 de abril, quando visitam o Sunderland, numa deslocação complicada.

Até lá, a direção terá de tomar uma decisão que pode determinar o futuro imediato do clube.