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A equipa de Tudor desperdiçou a vantagem inicial, conquistada por Dominic Solanke, ao passo que o Palace marcou três golos em apenas 12 minutos antes do intervalo, no norte de Londres. O defesa do Tottenham, Micky van de Ven, foi expulso por uma falta desnecessária sobre Ismaila Sarr, que converteu o respetivo penálti.
Jorgen Strand Larsen assinou o segundo golo do Palace e Sarr voltou a marcar, enquanto o ambiente no Tottenham Hotspur Stadium tornou-se tóxico.
O Tottenham, no 16.º lugar, está apenas um ponto acima da zona de descida, depois da vitória do West Ham frente ao Fulham, na quarta-feira. Com apenas uma vitória nos últimos 13 jogos em casa para a Liga, o Tottenham está em sério risco de disputar o segundo escalão pela primeira vez desde 1977/78.
O treinador interino Tudor já enfrentou pedidos para ser despedido, após perder os seus três primeiros jogos desde que substituiu Thomas Frank. Mas o croata insiste que a exibição melhorada do Tottenham na segunda parte mostrou que os jogadores continuam a querer lutar pela sobrevivência.
"Foram dois jogos. Depois do cartão vermelho, foi um segundo jogo. Na segunda parte tentámos e vi coisas interessantes, mas estou muito desiludido, tal como os adeptos. Precisamos de trabalhar muito e acreditar. Depois deste jogo, acredito mais do que antes. Sei que parece estranho, mas vi algo na equipa. Até no balneário, após o jogo. Quando estivermos completos e escolhermos os jogadores certos, acredito que vai correr bem", afirmou Tudor.
O Tottenham concedeu dois ou mais golos em nove jogos consecutivos da Liga pela primeira vez na sua história. A equipa perdeu cinco jogos seguidos e está sem vencer há 11 partidas consecutivas na principal divisão, algo que não acontecia desde 1975.

"Parem de falar sobre pressão"
Apesar destes números terríveis, Tudor procurou realçar os poucos sinais de esperança do desastre frente ao Palace.
"Vi boa energia, mais paixão. Houve luta. Faltam disputar nove jogos. (Cristian) Romero está a regressar, (Kevin) Danso esteve bem, talvez outros regressem. Vamos estar bem quando estivermos completos", referiu.
A expulsão de Van de Ven desencadeou o mais recente colapso do Tottenham, sendo a sua falta precipitada sobre Sarr o reflexo perfeito da crise que domina o clube.
Tudor chegou ao Tottenham, garantindo que era 100% certo que a equipa evitaria a descida. No entanto, as derrotas frente ao Arsenal, Fulham e Palace tornaram essa afirmação cada vez mais insensata.
Questionado se a forma como Van de Ven foi expulso demonstra que o Tottenham não consegue lidar com o stress, Tudor respondeu: "Temos de parar de falar sobre pressão. Não é um tema para discutir. Não vou falar mais sobre pressão."

O Tottenham só esteve fora da principal divisão por uma época desde 1950. Faltam nove jogos para a equipa salvar-se de uma descida surpreendente, começando com a deslocação a Liverpool a 15 de março, antes de um duelo vital com o também aflito Nottingham Forest.
O avançado do Tottenham, Dominic Solanke, revelou que Tudor e o seu plantel realizaram uma reunião de emergência logo após o jogo.
"Acabámos de ter uma conversa importante. Sabemos que a posição em que estamos não é, de todo, onde queremos estar, por isso temos de perceber como vamos sair dela o mais rápido possível. Sabemos que houve dificuldades, mas já não estamos numa posição para arranjar desculpas. Temos de cumprir no relvado. É fácil dizer que queremos ser melhores, mas queremos ser melhores no relvado. Temos de lutar e perceber a posição em que estamos", disse Solanke.
Tudor procurou manter-se positivo, acrescentando que não espera ser despedido.
"Não penso nesse sentido. Tenho o meu trabalho para fazer. Ainda faltam disputar nove jogos. A mensagem que transmiti aos jogadores não é pública. Sei que não é fácil. É um momento, mas vai passar", vincou.
