Recorde as incidências da partida
O Celtic está num verdadeiro caos, e só se pode culpar a si próprio. Martin O’Neill assumiu como treinador interino após a saída de Brendan Rodgers, e depois de um mês de procura, os gigantes escoceses optaram pela contratação de Wilfried Nancy, oriundo do Columbus Crew.
A chegada do francês foi um desastre absoluto desde o início. Uma derrota em casa frente ao líder Hearts, seguida de um desaire na final da Taça da Liga, perante o St Mirren e, pior ainda, a incapacidade de vencer um Rangers que, de alguma forma, tem estado ainda pior do que o Celtic.
Desceu sozinho pelo túnel, olhar no chão e ombros caídos. Nancy assinou um contrato de dois anos e meio com o Celtic, mas pouco mais de um mês depois, o seu futuro já está em dúvida.
Se ainda havia adeptos do Celtic que não queriam a sua saída antes do Old Firm, certamente já mudaram de opinião, se é que ainda não o tinham feito. Então, haverá algum aspeto positivo a retirar do início de Nancy, ou será que não há mesmo volta a dar?
Quão mau foi o Celtic frente ao Rangers?
Para ambas as equipas, a época define-se pelo desempenho nos duelos diretos. Trata-se de uma das rivalidades mais intensas e apaixonadas do futebol, e perder por 1-3 em casa com o Rangers deveria ser impensável, sobretudo tendo em conta o domínio do Celtic na última década.
Na verdade, esta é a terceira vez num ano que o Celtic concedeu três golos e perdeu com o Rangers, tendo acontecido pela primeira vez em janeiro de 2025, e novamente em março. O que torna esta derrota ainda mais dolorosa é o momento: o Celtic não lidera a liga, atravessa uma fase negativa com um treinador que não conquistou os adeptos, e a derrota frente ao Rangers só veio agravar a ferida.
Nancy pode, com razão, apontar para os números subjacentes do jogo e afirmar que o Celtic foi penalizado em demasia. A sua equipa gerou mais xG (1,52), rematou mais vezes (21), nove delas enquadradas com a baliza, e teve 65% de posse de bola.
O problema foi a falta de eficácia em comparação com o Rangers, desperdiçando quatro grandes oportunidades ao longo dos 90 minutos. O Celtic já não tem a mesma capacidade de finalização de outros anos; com Rodgers, os golos eram distribuídos por toda a equipa, qualquer jogador podia marcar a qualquer momento. Isso não se tem verificado esta época.
Há aspetos positivos a retirar do tempo de Nancy?
Nancy quer claramente implementar o futebol ofensivo e criativo que tanto sucesso lhe trouxe no Columbus Crew. O Celtic teve de se adaptar a um sistema de três defesas a meio da época, o que não é tarefa fácil – basta perguntar a Ruben Amorim.
O maior problema é que o sistema de Nancy exige melhores defesas do que aqueles que o Celtic tem atualmente. Em oito jogos em todas as competições, a equipa concedeu 18 golos e marcou 11, sendo que quatro desses foram frente ao último classificado, Livingston.
Cameron Carter-Vickers, afastado devido a uma lesão prolongada no tendão de Aquiles, faz muita falta. Ter Auston Trusty ladeado por Kieran Tierney e Anthony Ralston, dois jogadores que normalmente são laterais, como aconteceu frente ao Rangers, não resulta.
As vitórias frente ao Aberdeen e ao Livingston, equipas que não são propriamente referências, mostram o potencial do futebol de Nancy, com um xG combinado de 8,55, 49 remates, 17 deles enquadrados, e 13 grandes oportunidades criadas nesses dois jogos. São números impressionantes.
Assim, com mais alguns reforços defensivos a juntar a Julian Araujo, recém-chegado por empréstimo do Bournemouth, para atuar como ala, o sistema pode funcionar. Tudo depende de a direção estar disposta a apoiar um treinador cujo tempo pode já estar a chegar ao fim.
O que disse Nancy após a derrota com o Rangers?
Após o jogo, Nancy mostrou-se calmo, insistindo que a sua equipa merecia mais, o que, olhando para os números, é verdade.
"Foi dececionante porque merecíamos mais hoje, mas, mais uma vez, faltaram-nos golos. Na segunda parte, concedemos três golos a partir de lançamentos laterais. É difícil de aceitar, mas é a realidade. Isto não tem a ver com os jogadores ou com a tática, trata-se de momentos. Isto não é sobre mim, é sobre desiludir os adeptos porque sei o significado deste jogo. Compreendo a desilusão, mas também vi do que somos capazes", afirmou.
"Estamos muito perto, há muitos aspetos que podem mudar. Se não fosse assim, não falaria desta forma. Acredito mesmo que podemos dar a volta. Estamos juntos com a direção", acrescentou.
O maior problema é que, quando se tem de repetir que se tem o apoio da direção, normalmente isso é seguido de um despedimento rápido. Um rei não precisa de dizer que é rei, e por aí fora.
Veredicto
O Celtic recebe o Dundee United em Parkhead no sábado (10 de janeiro). É um jogo que deveria vencer, mas neste momento, tudo é possível. Qualquer resultado que não seja uma vitória confortável será desastroso para Nancy. Se isso não acontecer, será difícil imaginar como poderá recuperar a confiança dos adeptos.
