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O Daily Mail lançou o rastilho na noite de segunda-feira ao avançar com a notícia que todos os adeptos citizens temiam, e esta espalhou-se rapidamente pela imprensa britânica e mundial.
Quem transformou a equipa da camisola celeste num autêntico colosso, apoiado na sua revolução por jogadores emblemáticos e por um proprietário emiradense abastado, prepara-se para abandonar o barco no final da época, após o último jogo da liga no domingo.
Questionado sobre o tema, Guardiola tem repetido insistentemente que lhe resta um ano de contrato, mas sem a firmeza necessária para pôr fim às especulações.
Antes de anunciar a sua despedida, esta terça-feira Pep vai orientar a sua equipa em Bournemouth com o objetivo de adiar a decisão do título para o próximo domingo, o que, a conseguir, seria um fecho de ouro.
A vitrina de troféus do City encheu-se com 20 títulos nos dez anos de Guardiola no banco, seis deles no campeonato mais exigente do mundo, sem esquecer a Liga dos Campeões de 2023, a primeira na história do clube do noroeste de Inglaterra.
Convicções e reinvenções
Na Premier League, escreveu história com vários recordes, como os 100 pontos alcançados no seu primeiro título em 2018, e os quatro campeonatos consecutivos de 2021 a 2024, algo inédito. Também protagonizou um duelo magnífico com o Liverpool de Jürgen Klopp, que superou por apenas um ponto em 2019 e novamente em 2022, graças a uma reviravolta frente ao Aston Villa (3-2) na última jornada.
Mas, para além dos títulos, fica a marca futebolística que o técnico de 55 anos deixou no futebol inglês e europeu. A marca guardiolista é um futebol refinado, repleto de técnica e audácia, de passes curtos e rápidos, sobretudo para sair a jogar desde trás, mesmo sob pressão.
Redefiniu ainda algumas posições ou transformou determinados jogadores, como John Stones e o seu papel híbrido entre a defesa e o meio-campo.
Crescido com o ADN Barça do seu admirado Johan Cruyff, Pep tem convicções firmes, mas também se reinventa constantemente, com um cérebro privilegiado que nunca para.
Maresca, discípulo e sucessor?
"Mudou a minha forma de ver o futebol", disse o atual capitão, Bernardo Silva, após conquistar a Taça de Inglaterra no último domingo.
O português, que já anunciou a sua saída do City, ficará para sempre ligado aos anos de Guardiola em Manchester, tal como antes estiveram Sergio Agüero, Fernandinho, David Silva, Kevin De Bruyne, Rodri ou Ilkay Gündogan, o capitão do histórico triplete de 2023.
Nesse ano, os Citizens conquistaram um Treble (Premier League, Taça de Inglaterra e Liga dos Campeões) que só o Manchester United de Alex Ferguson tinha conseguido, em 1999. O espanhol inscreve-se na senda do escocês no palmarés e no imaginário coletivo, embora o seu antecessor tenha permanecido muito mais tempo (27 anos) no banco dos Red Devils, o vizinho e rival.
Guardiola inspirou toda uma geração de treinadores, alguns dos quais aprenderam diretamente com ele: Vincent Kompany, o seu antigo capitão e atual treinador do Bayern de Munique, ou os seus ex-adjuntos Mikel Arteta e Enzo Maresca.
O primeiro está prestes a conquistar o campeonato inglês com o Arsenal, e o segundo é o grande favorito para lhe suceder no banco do Manchester City.
