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Poucos futebolistas podem dizer que jogaram nas competições europeias antes mesmo de se estrearem na liga nacional. Oskar Pietuszewski somou os seus primeiros minutos frente ao Ajax, no play-off de acesso à fase de grupos da Liga Europa, no verão de 2024, com apenas 16 anos.
Nessa altura, o Jagiellonia tinha perdido a primeira mão em casa, por 1-4, e o treinador Adrian Siemieniec não teve dúvidas em lançar o jovem no duelo da segunda mão, de quem já se dizia que viria a ser um grande nome.
O jovem Oskar era a prova de que o clube de Białystok conseguia formar na sua academia – elogiada na Polónia pelo desenvolvimento constante – um talento com potencial mundial. Por isso, no dia da transferência para o FC Porto, o clube publicou um tweet com uma mensagem simples: "Onde quer que estejas, de onde fores, não te esqueças. Conquista o mundo, rapaz!"
Ascensão rápida na liga polaca
Na Ekstraklasa, "Pieti" somou em fevereiro de 2025 a sua primeira assistência, que abriu caminho à vitória sobre o Motor Lublin. Durante uma primavera muito promissora, marcou um golo decisivo para o empate frente ao Górnik, mas só no outono da época 2025/26 é que toda a Polónia futebolística começou a falar dele como um dos grandes talentos da Liga.

Aliou as boas exibições na Liga à seleção polaca de sub-21, pela qual, só em setembro, marcou três golos e fez uma assistência em dois jogos. Sim – saltou diretamente dos sub-17 para os sub-21 e, mesmo assim, destacou-se entre colegas bem mais velhos. Como? Sobretudo pela sua ousadia. Entra sempre em campo com alegria e aquela raiva competitiva que não é travada pelo respeito ao adversário. Provou-o em Poznań, onde deu vantagem frente aos campeões da Polónia (o jogo terminou empatado 2-2), colocando a bola na baliza entre dois defesas.
No entanto, a maior prova do seu impacto no jogo do Jagiellonia foi o encontro frente ao Pogoń em Szczecin. Os anfitriões bombardearam a "Jagi" com 35 remates, mas acabaram derrotados graças a Pietuszewski. Na última jogada do encontro, foi ele quem empurrou a bola para o fundo das redes. O mais importante não foi a beleza do golo, mas sim o facto de Pietuszewski – juntamente com Bartosz Mazurek – terem sido a força do Jagiellonia na segunda parte. Foram precisamente estes dois jovens que lançaram o contra-ataque letal que desfez o Pogoń. Os anfitriões protagonizaram um dos jogos mais espetaculares da época, mas perderam 1-2.
Ainda longe da perfeição, mas com um potencial enorme
Na Polónia, o entusiasmo em torno de Oskar por vezes parece exagerado. Chegou-se a prever uma transferência de 15 milhões, e as suas exibições eram amplamente debatidas mesmo quando não tinha um papel decisivo. No entanto, é difícil não se deixar contagiar pelo entusiasmo quando um jovem de 17 anos joga como um veterano da Liga e as defesas adversárias não conseguem travá-lo.
Se olharmos para os números, os índices de eficácia estão longe do ideal. A precisão dos remates está abaixo dos 38%, e ainda pior nos passes longos, especialmente cruzamentos (cerca de 30%). Por vezes, Oskar deixa-se levar pelo ímpeto, desperdiçando o bom trabalho por falta de precisão. Há muito a melhorar.
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Então, porque é que a Polónia está tão entusiasmada? Em primeiro lugar, pela sua persistência. Se algo não lhe corre bem, tenta logo de novo. E se resulta, não se acomoda e continua a atacar. O resultado são 41 remates em 17 jogos na época. Neste aspeto, supera a maioria dos avançados de raiz da Ekstraklasa. É verdade que menos de metade dos remates são enquadrados, mas é justo reconhecer que Oskar não tem receio de rematar de posições difíceis.

Aqui surge o seu segundo grande trunfo: a intuição dentro de campo. Não só tenta penetrar as linhas adversárias, como o faz de forma imprevisível para os rivais. Não tem medo do um contra um – está entre os melhores da Ekstraklasa em duelos tentados (quase 10 por jogo) e é dos poucos que ultrapassou a marca dos 50 dribles no outono da Ekstraklasa. A eficácia ainda podia ser maior (em ambos os aspetos está abaixo dos 50%), mas mesmo nos últimos seis meses já se notou evolução no seu jogo.
Criou 13 ocasiões de golo para os colegas em jogo corrido, marcou três golos e fez uma assistência, e a sua facilidade em alternar entre o flanco esquerdo e o direito – com exibições convincentes também no centro do terreno – fez com que fosse um prazer vê-lo jogar na Polónia.
Houve quem temesse que uma transferência para o estrangeiro, após apenas uma época na Ekstraklasa e ainda antes de atingir a maioridade, fosse prematura. No entanto, a escolha do FC Porto é tranquilizadora neste contexto – trata-se de um clube reconhecido pelo trabalho com jovens, onde deverá evoluir muito mais rapidamente do que conseguiria no seu país natal.

"Deu um passo certo na carreira"
No fundo, Oskar Pietuszewski é um diamante por lapidar e terá no FC Porto o espaço ideal para se desenvolver no laboratório de Francesco Farioli. A análise estatística deixa água na boca dos adeptos portistas e corresponde na perfeição ao retrato traçado por Nené sobre o jovem extremo polaco.
Atualmente a atuar no Johor, da Malásia, o médio português cruzou-se com Pietuszewski quando este começou a aparecer na equipa principal do Jagiellonia, com apenas 16 anos, e não tem dúvidas de que o novo camisola 77 dos dragões tem um futuro brilhante pela frente.
"Pelas características que observei pessoalmente e pelos jogos que tenho acompanhado mais recentemente, é um jovem com muita qualidade. Tem bons atributos físicos, é rápido e demonstra personalidade com bola, sem medo de errar. Gosta de partir para o um contra um e de tentar assistir ou finalizar", anota Nené, em declarações exclusivas ao Flashscore.
"Na minha opinião, deu um passo certo na carreira. Vai para um grande clube e para uma boa Liga, onde pode evoluir muito. Tem de melhorar a tomada de decisão, algo que irá ganhar com jogos e experiência, e tem tudo para fazer uma grande carreira. No FC Porto terá um período normal de adaptação, porque a exigência é diferente e o nível das equipas que irá defrontar também. Acredito que o facto de já ter dois colegas polacos na equipa o ajudará bastante a adaptar-se mais rapidamente, tanto ao clube como ao país", reforça.
Se as qualidades futebolísticas são evidentes, o lado pessoal continua reservado a poucos: "Na altura em que eu estava lá, ele apenas vinha treinar connosco. Era tímido, mas mostrava personalidade nos treinos, não tinha medo de arriscar. Pareceu-me sempre um rapaz muito tranquilo".

Com a experiência de quem começou nos escalões inferiores, no Campeonato de Portugal, e atingiu o topo do futebol português, onde somou 69 jogos, Nené deixou um conselho ao seu antigo companheiro.
"O principal conselho que lhe posso dar é que mantenha a sua personalidade dentro de campo, sem medo de errar, e que seja o tipo de extremo que todos gostamos de ver: forte no um contra um, a procurar o drible, a explorar a velocidade e a ser objetivo. Depois, que desfrute do momento, seja paciente no seu processo de evolução e não sinta a pressão que lhe possa ser imposta, por exemplo, na Polónia. Tudo a seu tempo", disse.
