Regra do fora de jogo de Wenger testada no arranque da liga canadiana

Arsene Wenger, antigo treinador do Arsenal
Arsene Wenger, antigo treinador do ArsenalMICHAL RŮŽIČKA / MFDNES + LN / Profimedia

O futebol canadiano foi palco de uma experiência da FIFA este sábado. O escalão principal do país começou a testar uma nova regra de fora de jogo baseada no conceito de “daylight” (luz do dia), que visa tornar o jogo mais fluido e incentivar o futebol ofensivo.

A norma foi implementada no jogo inaugural da temporada da Canadian Premier League, como parte dos esforços das autoridades do futebol mundial para reduzir as interrupções causadas pelas revisões de vídeo, minimizar a polémica em lances milimétricos e favorecer os avançados.

"Vejo isto como uma oportunidade para crescer como treinador. Vai dar-me mais ferramentas para o futuro", afirmou aos jornalistas Diego Mejia, treinador do Atlético Ottawa.

O fim das decisões por milímetros?

De acordo com a nova regra, um avançado está em posição regular se qualquer parte do seu corpo com a qual possa marcar golo estiver em linha ou mais recuada em relação à linha de baliza do que o penúltimo defesa. Só é assinalado fora de jogo se existir um espaço visível — a tal “luz do dia” — entre o atacante e o defesa.

Esta alteração tem sido defendida há anos por Arsène Wenger, antigo treinador do Arsenal e atual diretor de desenvolvimento global de futebol da FIFA. O objetivo é acabar com a frustração das decisões decididas por "um nariz ou uma bota" e evitar as paragens prolongadas que geram debate mesmo após o apito final. Wenger classificou a experiência canadiana como "um teste-piloto importante".

Estreia com recurso ao vídeo e alguns atrasos

Jogadores do atual campeão, Atlético Ottawa, e do Forge FC participaram na primeira aplicação prática da norma este sábado. O encontro incluiu uma revisão de vídeo após protestos da defesa num lance de grande penalidade.

Com este sistema revisto, os treinadores podem pedir dois desafios (challenges) por jogo em lances decisivos, cabendo ao árbitro analisar cada apelo com recurso às imagens. A primeira revisão demorou mais de cinco minutos, embora o foco não tenha sido o fora de jogo: os árbitros analisaram duas possíveis posições irregulares, uma eventual falta na jogada anterior e o choque entre o guarda-redes e o avançado que resultou no penálti.

A assistência de vídeo é também uma novidade na liga canadiana. O modelo utilizado não é o VAR convencional, mas sim o Football Video Support (FVS), uma versão mais leve da tecnologia da FIFA.

Conservadorismo ou espetáculo?

A abertura da liga canadiana para adotar a regra proporcionou à FIFA um ambiente profissional de testes que as ligas europeias têm, até agora, evitado. No entanto, as opiniões dividem-se. Os críticos defendem que a alteração pode levar os defesas, sobretudo os centrais, a adotar posturas mais conservadoras e recuadas. Por outro lado, há quem acredite que a regra irá estender o campo e criar muito mais espaço no meio-campo para o futebol espetáculo.