“Está tudo aparentemente calmo, com pessoas na rua e carros a circular. É claro que estamos apreensivos para perceber o que se está a passar ou poderá ocorrer, mas estamos em segurança e temos planos de emergência bem delineados e preparados”, disse o técnico, num vídeo publicado nas redes sociais.
Ricardo Sá Pinto agradeceu a ajuda do encarregado de negócios André Oliveira na embaixada portuguesa em Teerão, para onde se deslocou com elementos da equipa técnica do Esteghlal, após ter ficado incontactável.
“Não gostava de presenciar uma guerra novamente, porque já cá estava logo no início. Depois, acalmou, mas agora está na iminência de (voltar)”, recordou o antigo avançado internacional português, que já comandou Sporting e SC Braga, entre outros clubes lusos e estrangeiros.
Apesar da instabilidade no Irão, o futebol não parou e o Esteghlal venceu fora na terça-feira o Foolad Hormozgan (2-0), dos escalões secundários, acedendo aos quartos de final da Taça local, da qual é o detentor do troféu.
“Senti-me na obrigação de ficar, continuar a dar os treinos à minha equipa e perceber se há condições. Para mim, é difícil abandonar nesta altura. Espero que tudo se possa resolver pelo melhor. É o meu desejo”, frisou.

Depois de ter competido à porta fechada para a Taça, o Esteghlal volta a jogar no sábado, ao receber o campeão iraniano Tractor, na 16.ª jornada do campeonato, no qual é terceiro classificado, com 25 pontos, a cinco do líder isolado Sepahan.
Ricardo Sá Pinto, de 53 anos, regressou em junho de 2025 ao Esteghlal, que já tinha orientado em 2022/23, tendo vencido a Supertaça nacional.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro de 2025, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e de execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
A Iran Human Rights (IHRNGO) elevou para 3.428 mortes registadas nos protestos, alertando serem casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior, por entre vários milhares de feridos e pelo menos 10 mil detidos.
Os balanços de mortes nos protestos no Irão variam conforme as organizações, mas todos apontam para uma repressão em grande escala.
As organizações iranianas e internacionais destacaram a dificuldade de alcançar a dimensão real da repressão dos protestos, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet no país desde a noite de quinta-feira.
A televisão estatal iraniana reconheceu pela primeira vez na terça-feira um elevado número de mortes, afirmando que foram registados “muitos mártires”, embora sem detalhar qualquer número.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado repetidamente as autoridades iranianas com uma intervenção militar contra a República Islâmica e instou os manifestantes a prosseguirem os seus protestos.
