Apesar de ser muitas vezes visto como o “irmão mais novo” do movimentado mercado de verão, uma contratação criteriosa nesta altura do ano pode, ainda assim, ser decisiva para as ambições de uma equipa, tanto a nível interno como europeu.
Juventis continua à procura da fórmula certa
Tomemos como exemplo a Velha Senhora de Itália, a Juventus.
Apesar de continuar a ser, de longe, o clube italiano mais bem-sucedido da história, o seu 36.º Scudetto, conquistado em 2019/20, já parece ter ficado muito distante.
Desde então, a direção tem tentado encontrar as fórmulas certas, tanto no banco como no relvado, e embora os Bianconeri continuem a lutar pelo topo do futebol italiano, ainda não voltaram a conquistar o título.
Atualmente na quinta posição da Serie A, a equipa apresenta um registo razoável, e o experiente Luciano Spalletti é o mais recente treinador incumbido de devolver a glória a um clube tão histórico.
No entanto, uma das áreas em que a Juve tem sentido mais dificuldades nos últimos tempos é precisamente na posição de avançado.
CR7 como referência em golos
Em 2020/21, Cristiano Ronaldo foi o melhor marcador com 29 golos no campeonato e 36 em todas as competições. Desde então, os 10 golos (15 em todas as provas) de Paulo Dybala em 2021/22, os 10 (14 em todas as provas) de Dusan Vlahovic em 2022/23, 16 (18 em todas as provas) em 2023/24 e 10 (17 em todas as provas) têm sido o máximo alcançado.
Kenan Yildiz lidera atualmente com sete golos na Serie A, e oito no total, mas a verdade é que já passaram vários anos desde que a Juve teve um avançado que fosse uma verdadeira garantia de golos.
Além disso, parece que Spalletti está determinado em garantir que o clube assegura um verdadeiro ponta de lança antes do fecho do mercado.
Um avançado-centro que, para alguns, pode ser considerado “à moda antiga”, mas que se destaca fisicamente, domina no jogo aéreo, pode atuar como referência num 4-2-3-1 ofensivo ou num duo na frente ao lado de Jonathan David, ajudando a potenciar o canadiano, que tem sentido dificuldades desde que saiu do Lille.
Interesse em Mateta era evidente
Além disso, qualquer reforço precisa de ter capacidade para jogar de costas para a baliza e envolver jogadores como Yildiz, Weston McKennie e Francisco Conceição no jogo ofensivo.
Por isso, o interesse inicial da Juve no craque do Crystal Palace, Jean-Philippe Mateta, era perfeitamente compreensível.
O francês de 28 anos tem sido utilizado como referência ofensiva dos londrinos do sul, ou a combinar bem com jogadores como Michael Olise e Eberechi Eze antes de ambos rumarem ao Bayern Munique e ao Arsenal, respetivamente.
A sua veia goleadora está longe de ser posta em causa. Na sua última época completa na Premier League com o Palace (24/25), registou um excelente xG de 13,5, e a maioria dos seus 14 golos no principal escalão inglês resultou de finalizações a cruzamentos vindos das alas.
Na imagem em anexo, nota-se que muitos desses golos surgiram praticamente no centro da área, entre a marca de penálti e a baliza.

Desde o início da época 2023/24, já marcou 38 golos em 94 jogos na Premier League, além de ter somado sete assistências. Acrescentou ainda mais cinco golos em competições internas e europeias, com mais quatro assistências.
Tem evoluído em quase todas as épocas em que não esteve lesionado por períodos prolongados e, numa equipa de maior qualidade do que o Palace, com todo o respeito, é quase certo que aumentaria ainda mais o seu rendimento.
Avançado quer sair do Palace
No que toca ao seu jogo associativo, a melhor percentagem de passes completos foi de 73,8%, alcançada na bem-sucedida campanha da Taça de Inglaterra 24/25, um registo acima da média para um ponta de lança de referência.
Outro ponto a favor do francês é que joga de acordo com as suas características e privilegia a simplicidade.
Não é, nem provavelmente será, um jogador que ultrapassa defesas em dribles desconcertantes, mas nunca foi esse o seu ponto forte, nem é por isso que os clubes o pretendem contratar.
Tendo em conta que Mateta acusou recentemente o Palace de falta de ambição e deixou claro que pretende sair, uma mudança para a Juve teria sido uma excelente oportunidade para ambas as partes.
En-Nesyri é o novo alvo
No entanto, parece que os londrinos do sul endureceram a sua posição quanto aos termos do negócio, levando os italianos a virar atenções para Youssef En-Nesyri, com relatos a indicar que uma delegação já viajou para negociar com o jogador.
Tal como Mateta, o marroquino destaca-se a segurar a bola e a aparecer no sítio certo para finalizar cruzamentos vindos das alas.

É forte a atacar a bola na área, destaca-se nas zonas centrais em frente à baliza e, além de ter superado o registo de Mateta na liga em 24/25 (20 golos), apresentou um xG impressionante de 18,3.
Apesar de marcar com regularidade por onde tem passado, talvez a principal dúvida – semelhante à de Mateta – é que nunca assumiu o papel de referência num clube verdadeiramente grande.
Juve tem de potenciar as qualidades de En-Nesyri
Com todo o respeito pelo Fenerbahçe, o clube turco não está ao nível da Juventus – e a Super Liga turca também não se compara à Serie A.
Isso não significa que não possa ter sucesso em Itália; no entanto, é importante reconhecer a realidade.
De facto, se Spalletti garantir que a equipa joga de acordo com as características de En-Nesyri, ele terá tudo para triunfar na Juventus.
Os Bianconeri não se podem dar ao luxo de cometer mais um erro de recrutamento e têm de estar certos antes de investir, especialmente neste mercado.
43 golos e seis assistências em 82 jogos de campeonato desde o início de 23/24 é um registo superior ao de Mateta, tendo ainda acrescentado mais 14 golos em taças nacionais e europeias, além de mais uma assistência.
A sua precisão de passe de 76,3% na atual temporada da Super Liga – considerando mais de 100 passes como base de comparação – é também ligeiramente superior à do avançado francês.
As variáveis nesta fase, no que toca à sua contratação, passam pelo valor exigido – um empréstimo poderia ser mais vantajoso para a Juve numa fase inicial, algo que o Palace não está disposto a aceitar com Mateta, apesar do desejo do jogador em rumar a Turim – e pela vontade do próprio jogador em mudar-se.
Tendo contrato até 2029, até ao momento não demonstrou vontade de sair da Turquia.
No fundo, qualquer um dos jogadores encaixaria em diferentes esquemas e abordagens táticas de Spalletti, mas se a Juve quiser tirar o máximo partido de quem chegar, utilizá-lo como referência única no ataque será, certamente, a fórmula mais eficaz a curto e médio prazo.

